Tecnicamente, o cachimbo é uma pequena câmara, o fornilho, na qual se queima o tabaco. Essa câmara está ligada a uma haste que direciona o fluxo da fumaça produzida até a boca do usuário.

Kit para desentupir o tubo do cachimbo, coletar o tabaco e compactá-lo no fornilho
Cachimbo de cerâmica indígena do noroeste argentino
O escritor estadunidense Harry Behn fumando o charuto da paz com os índios blackfoot no Parque Nacional Glacier, em Montana, nos Estados Unidos, em 1916
Índio pataxó brasileiro fumando cachimbo típico
Cachimbos africanos

O fumo, reduzido a pequenas tiras, deve ser colocado na concavidade do cachimbo, o chamado fornilho. Após enchida a concavidade, o fumo deve ser compactado, para não cair quando o cachimbo estiver senso usado. Depois de aceso, o fumo pode se expandir ou não, dependendo do tipo de fumo.

Os primeiros cachimbos confeccionados na América indígena provavelmente não passavam de um cilindro oco no qual se colocava o fumo numa das extremidades e se aspirava a fumaça pela outra extremidade. Para acomodar maior quantidade de fumo, a extremidade em que se colocava o fumo teria tido o seu diâmetro aumentado ao longo do tempo, gerando uma estrutura em forma de "v". Em seguida, os índios teriam entortado para cima a extremidade que abrigava o fumo, para que o fumo caísse menos no chão. Com isto, teria surgido o design tradicional dos cachimbos de hoje.

Os cachimbos indígenas eram feitos de madeira, osso ou barro, muitas vezes com elaboradas ornamentações de fundo mítico e religioso. Os índios da América do Norte costumavam celebrar acordos de paz com inimigos através do ritual de se fumar cachimbo conjuntamente. Era o chamado cachimbo da paz. Em outras partes da América, o cachimbo era utilizado em rituais de cura, nos quais os pajés (os sacerdotes indígenas) assopravam a fumaça aspirada dos cachimbos sobre o corpo dos doentes, acreditando com isso combater as doenças tanto físicas quanto psíquicas. O cachimbo também era e é utilizado ainda hoje pelos indígenas como uma forma de diversão.

Curiosamente, apesar da origem ameríndia do cachimbo, a palavra cachimbo é de origem africana, a partir da palavra quimbunda kixima, que significa "tanque, cisterna"[1][2]. Provavelmente, isso deve-se ao fato de a maior parte do tabaco produzido no Brasil se destinar a ser utilizado como moeda de troca na África por escravos africanos[3]. A palavra guarani para "cachimbo" é petynguá[4] e o termo tupi para tabaco é petyma[5], o que originou o verbo em português "pitar", que significa "fumar"[6]. Na língua inglesa, o termo que designa "cachimbo" é pipe, que significa "cano", numa alusão ao formato semelhante de ambos. Do inglês, tal termo se disseminou para outras línguas, como o castelhano (pipa), o francês (pipe) e o alemão (pfeife).

Quando o cachimbo foi descoberto e adotado pelos europeus, a partir do século XV, começaram a ser utilizados novos materiais para a sua confecção, como o arbusto denominado urze-molar (Erica arborea) e o silicato hidratado de magnésio (em alemão, Meerschaum, "espuma do mar", devido à sua aparência semelhante a espuma do mar. Apresenta coloração branca e pode ser encontrado boiando na superfície do mar[7]. No entanto, sua principal área de extração são as planícies da Turquia.).

Ao longo do tempo, foram criados vários formatos de cachimbo:

  • apple: com o fornilho arredondado, lembrando uma maçã
  • bent: como diz o nome em inglês, a sua haste é curvada para baixo, facilitando o seu apoio com a mão. Todos os modelos de cachimbo que não têm essa curvatura são chamados straight (retos).
  • lesepfeife ou churchwarden: caracteriza-se pelo cabo extremamente longo
  • billiard: é o formato clássico de cachimbo, com as paredes do fornilho verticais
  • lovat: caracteriza-se pela piteira (o bocal) de tamanho reduzido[8]
  • calabash: é o cachimbo feito com o porongo (Lagenaria siceraria), a cabaça que também é utilizada no chimarrão
  • bulldog: caracteriza-se pela haste bem grossa e pela abertura do fornilho em forma de cone invertido.

Para acender o cachimbo, basta colocar a chama sobre o fumo no fornilho e aspirar. Passa-se a aspirar e expirar através do cachimbo, lentamente. Se o fumo não acender ou se vier a se apagar, basta colocar novamente a chama sobre o fumo e aspirar.

Eventualmente, a haste do cachimbo pode ficar entupida, impedindo a passagem do ar. Neste caso, basta introduzir uma haste felpuda própria para limpeza ou mesmo um arame no orifício da piteira.

Referências