Diferenças entre edições de "Civilização Egípcia/Período dinástico antigo"

Seria muito extenso falar sobre todos os deuses egípcios ainda que estejamos dividindo a História do Egito em partes, porque a mitologia egípcia é muito rica e complexa.
 
===Faraós e como listá-los===
Vamos começar pelo fato dos reis do Egito serem chamados de '''faraós''', apenas pelos gregos e pelos hebreus. Os antigos egípcios não os chamavam assim. <br>
O título Faraó se origina do egípcio ''Per-aa'', que significa ''Casa Grande'', palavra que designava o palácio. Durante muito tempo a palavra para designar o rei no Antigo Egito era '''nesu''', além dos muitos títulos que eles possuíam.<br>
Não sabemos quantos foram os faraós egípcios porque algumas vezes, quando o país ficou dividido houve vários reis ao mesmo tempo. <br>
Nem sequer sabemos exatamente quantos foram os faraós e nem por quanto tempo cada um governou. Algumas dinastias foram descritas com precisão pelos escribas e as suas listas foram encontradas, enquanto que outras listas, sofreram danos que tornam difícil decifrá-las.<br>
Algumas dessas listas sobreviveram até nosso tempo e são usadas para dirimir dúvidas. São elas:
[[Image:DSC00083 - Pietra di Palermo (geroglifici)1.jpg|thumb|150px|right|pedra de Palermo]]
====A Pedra de Palermo e outros fragmentos====
A pedra de Palermo é um pedaço de parede com inscrições em ambos os lados, onde mostra eventos, na maior parte rituais, que ocorreram durante as primeiras cinco dinastias. <br>
A parte maior desta parede é justamente a chamada Pedra de Palermo porque está na cidade do mesmo nome, na Itália. <br>
Um segundo pedaço em tamanho e mais quatro pequenos fragmentos estão no Museu do Cairo (Egito) e há um pequeno fragmento na Universidade de Londres (Inglaterra).
Não se sabe se todos os fragmentos são da mesma parede original. Nenhum dos pedaços contem partes ou uma cópia completa dos outros. <br>
A parede original onde ficava a Pedra de Palermo devia medir aproximadamente 2,2 m. de comprimento por 0,61 m. de altura. <br>
Em ambos os lados da pedra está inscrita uma lista de faraós do período pré-dinástico até o meio da quinta dinastia. <br>
Acredita-se que ela foi inscrita justamente no meio da quinta dinastia. Alguns estudiosos acham que ela pode ter sido feita por partes em épocas diferentes e até mesmo ter sido atualizada regularmente (por causa do estilo dos hieróglifos). Outros acreditam que, pela maneira de inscrever na pedra, ela tem ligação com o estilo usado na vigésima-quinta dinastia, o que poderia indicar uma cópia, portanto quem copiou teria acesso aos arquivos originais. <br>
 
====Cânone Real de Turim====
Também conhecida como ''Lista Real de Turim'', é um papiro único, escrito em hierático, que hoje está no Museu de Turim na Itália.<br>
Este papiro está fragmentado em, mais ou menos, cento e sessenta pequenos pedaços e muitos deles se perderam. Ele foi descoberto na necrópole de Tebas pelo viajante italiano Bernardino Drovetti em 1822 e quem primeiro percebeu sua importância foi o egiptólogo francês ''Jean François Champollion.'' <br>
Presume-se que o papiro tenha sido escrito no reinado do faraó Ramsés II e não se sabe quantas páginas tinha, com uma lista de pessoas e instituições, tendo ao lado uma estimativa de impostos. <br>
Mas, o que ele tem de realmente valioso é o verso, que na época não deve ter sido lá de grande importância para o escriba. Talvez tenha sido apenas um exercício para quem o escreveu, talvez fosse um estudante.<br>
Acontece que, nos legou uma lista de deuses, semi-deuses, espíritos, reis míticos e humanos, que reinaram no Egito desde o início dos tempos até quando ele escreveu a lista.<br>
De onde copiou, não se sabe. Aonde está o original, também não. Talvez ele tivesse acesso aos arquivos dos templos. Se esta listagem foi criada pelo próprio escriba então, ela é única. <br>
Esta é uma lista especial porque agrupa os faraós mencionando a duração dos seus reinados com dia, mês e ano. Também inclui os nomes de faraós efêmeros e daqueles que reinaram sobre pequenos territórios. A lista menciona inclusive os governantes Hiksos, indicando serem estrangeiros. <br>
 
====Lista de Mâneton====
Não se sabe muita coisa a respeito de Mâneton, apenas que ele foi um sacerdote egípcio ou greco-egípcio, nascido em Sebennitos no delta do Nilo, e que viveu no Egito durante a trigésima dinastia (reinados de Ptolomeu I e II).<br>
A importância de Mâneton vem do fato de ter escrito '''Aegyptiaca''', uma coleção de três livros sobre a história do Egito antigo, patrocinada por Ptolomeu II que queria unir as culturas egípcia e grega.<br>
Mâneton, sendo sacerdote, com certeza teve acesso aos arquivos do templo onde servia. É possível que nesses arquivos tenha encontrado desde tratados científicos até histórias mitológicas e assim muitas vezes temos uma grande mistura. <br>
Contudo, seu trabalho deve ser considerado muito importante para o estudo da história do antigo Egito. Difícil é descobrir algo do trabalho original de Mâneton, porque este foi copiado e falsificado com intenções políticas e ou religiosas. <br>
Autores como Josephus, Africanus, Syncellus e Eusebius fizeram listas que não combinam, seja na quantidade de faraós, seja na duração de seus reinados. <br>
[[Image:Abydos Koenigsliste Sethos Ramses.jpg|thumb|200px|left|lista real de Abydos]]
====Lista Real de Abydos====
No templo de Abydos, na Sala dos Registros, Seti I e seu filho, o futuro Ramsés II, mostram os nomes de setenta e seis ancestrais, em cartuchos.<br>
Não é uma lista tão confiável porque exclui governantes como Hatshepsut e Akhenaton. Também não lista os reis do segundo período intermediário. <br>
 
====Lista Real de Karnak====
Uma lista de faraós desde os primeiros até Tutmósis III. Registra os nomes de muitos reis obscuros do segundo período intermediário. Hoje está no Museu do Louvre, em Paris. <br>
 
====Lista Real de Saqara====
Descoberta na tumba real do escriba Thunery em Saqara. Originalmente possuía cinqüenta e oito cartuchos mas só restaram quarenta e sete. Registra de Anedjib, na primeira dinastia até Ramsés II e também omite os nomes do segundo período intermediário.
 
====Papiro Westcar====
O Papiro Westcar é chamado assim por causa do colecionador britânico Henry Westcar. Foi adquirido pelo egiptólogo alemão Richard Lepsius quando este visitou a Inglaterra por volta de 1838/39 e depois de sua morte foi doado ao Museu de Berlim. <br>
Este papiro contém uma coleção de contos que foi supostamente contada ao faraó Queóps pelos seus filhos. O estilo e a linguagem são típicos da décima segunda dinastia embora, o papiro seja da décima quinta dinastia. Esta é a única cópia que se conhece. <br>
Através dele muitos se baseiam na ordem dos faraós da quinta dinastia.
Infelizmente o inicio e o final do papiro se perderam, de modo que, não sabemos quantas histórias faziam parte do original. <br>
A primeira história parece ser sobre um mago cujo nome se perdeu, e se passa no reinado de Netjerikhet, que no papiro é chamado Djoser. Alguns sugerem que esse mago poderia ser Imhotep (o arquiteto da Pirâmide de Degraus).<br>
Da segunda história temos poucos pedaços mas, ela é passada no reinado de Nebka (seria ele Sanakhte, o primeiro faráo da terceira dinastia?)<br>
O fato desta história vir depois daquela de Netjerikhet é interessante porque tanto Mâneton como o cânone de Turim marcam Nebka como antepassado direto de Netjerikhet. No papiro Westcar ele está colocado entre Netjerikhet e Snefru (o primeiro faraó da quarta dinastia).<br>
A terceira história é passada durante o reinado de Snefru, pai de Queóps; A quarta história se passa na própria corte de Queóps. <br>
E a quinta e última história preservada é um conto sobre um mago, Djedi, que prediz as origens dos faraós da quinta dinastia :Userkaf, Sahure e Neferirkare Kakai. Eles seriam filhos de Raddjedet, a esposa do sumo sacerdote de Ra, Sakhebu, e se tornariam faraós, todos os três, um depois do outro. <br>
Embora sejam contos, misturados com magia, os estudiosos também costumam usá-lo como fonte de pesquisa, por isso é citado.<br>
 
==Faraós da primeira dinastia==
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