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MANEIO DE OVINOS NO IMA DO HUAMBO
 
INTRODUÇÃO
A espécie ovina foi a primeira a ser domesticada e acompanha o homem, desde os primórdios da civilização. A ovinocultura está presente na história da humanidade como sendo a actividade que proporciona a maior fonte de alternativas para subsistência, pois, fornece a lã e pele para vestuário; carne e leite para alimentação (FERNANDES, 1989).
Os sistemas de criação de ovinos no mundo são extremamente variáveis. É possível encontrar animais confinados em um sistema intensivo, até animais criados extensivamente, muitas vezes, quase em estado selvagem. Não há um sistema padrão que possa funcionar adequadamente em todas as regiões, pois as condições climáticas, taxa de lotação, área disponível para a criação e disponibilidade e qualidade das forragens são muito diferentes (OTTO DE SÁ 2013).
Na Europa, a revolução industrial, o aumento das indústrias de beneficiamento e o crescimento da população urbana, foram responsáveis pelo maior poder de compra e maior consumo de carne. Devido a esta maior demanda, os ovinos passaram a ser uma fonte de carne de grande importância. Seguiu-se então, o desenvolvimento das raças inglesas para corte, tão conhecidas actualmente e difundidas em todo o mundo. A maior valorização de rebanhos formados por raças produtoras de carne, em relação a rebanhos produtores de lã, no final do século XVIII i início do século XIX, manteve a viabilidade da indústria ovina na Grã Bretanha, apesar do desenvolvimento da produção de lã no hemisfério do sul. Na Itália e nos Pises Bálcãs, os ovinos se originaram das raças primitivas e relacionadas com os camponeses e criadores de subsistência. São as raças de triplo-propósito, produtoras de lã, leite e carne. Estes animais foram sendo substituídos por outros de raças especializadas para a produção de leite (BROOM; JOHNSON, 1993).
O produto principal na Europa é a carne, o leite é o secundário. Não se produz lã devido ao fato de que para se produzir lã não e pode pensar em módulos menores que 7 a 8 mil cabeças, associado ao fato de o consumidor europeu ser muito exigente e a lã produzida lá ser de baixa qualidade. Durante a segunda guerra mundial e nos anos seguintes, a população ovina e a produção de lã sofreram uma severa recessão, e a posterior recuperação não ocorreu (KEl,EY, 1980).
 
A antiga União Soviética com sua grande população de ovinos, e sendo depois da Austrália, o maior produtor mundial de lã, com a crise, passou e incentivar a produção de carne (Feira de Santana, 2001).
Em Angola os sistemas de criação de ovinos ainda é deficiente devido a diferentes factores como: falta de mãos de obra qualificada, maioritariamente os criadores de gado ovino utilizam métodos tradicionais na sua criação, mas este facto tende a mudar devido as constantes apostas no sector agro-pecuário, que resulta na qualificação de quadros, adopção de mãos de obras qualificadas, melhoramento dos sistemas de criação bem como o melhoramento das raças de ovinos. (ANGOP, 2013)
A actividade é recompensadora, seja como fonte de renda, como uma fonte de alimento orgánico ou até como um hobby. Porém, o sucesso na criação de ovelhas requer bom planejamento e um gerenciamento sério e constante da produção (Universidade Nacional Autônoma).
 
 
 
OBJECTIVOS
- Contribuir para melhoria da técnica de maneio e das instalações pecuárias do IMA. Melhorar o método de criação dos ovinos. Alterar o método extensivo, que é usado na criação de ovinos no IMA, para o semiextensivo, e tratar os animais doentes. (Cruz das Almas-BA. 1995).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Conceitos básicos
Ovinocultura ou ovinicultura - é a parte da zootecnia especial que trata do estudo e da criação de ovelhas, de ovinos. Umas das primeiras explorações animais feitas pelo homem, há mais de 4000 anos, na Ásia Central. O objectivo da ovinocultura é a produção de alimentos de origem ovina, na forma de carne e leite, e de outros produtos, tais como a lã extraída destes animais (Folha de São Paulo, 26/08/2009).
Maneio - É a acção de conjugar as actividades manuais com a tecnologia avançada, com o objectivo de definir ou traçar decisões a serem tomadas em um sistema de produção agro-pecuário. A palavra "Maneio" tem o mesmo significado que a palavra "planeamento". Sendo que, quando se fala em Maneio, pode-se pensar no planeamento do uso racional de qualquer produto de origem animal (Salvador, 2008).
A domesticação - é um processo utilizado desde a pré-história. Consiste na selecção e adaptação de certos seres vivos, considerados úteis para suprir necessidades humanas. A domesticação consiste numa relação ecológica do tipo escravagismo desenvolvido pelos seres humanos associados com outras espécies de seres vivos. (Cruz das Almas-BA. 1995).
 
Ovino - é o termo usado para se referir à ovelhas, carneiros e cordeiros. A ovelha é um mamífero ruminante bovídeo da sub-família Caprinae. Um carneiro é o macho da ovelha e os juvenis são cordeiros, anhos ou borregos. É um animal de enorme importância econômica como fonte de carne, laticínios, lã e couro. (Salvador, 2008)
 
SISTEMAS DE CRIAÇÃO DE OVINOS
A nomenclatura INTENSIVA e EXTENSIVA não se aplica a criação de ovinos. O que se considera é que existem as criações menores, desde as domésticas até as de tamanho médio, e aquelas de larga escala com sólida infra- estrutura de Maneio. Recentemente tem sido incentivado o sistema de confinamento, com a criação em cabanhas e fornecimento de ração balanceada. Nesse sistema, semelhante ao que ocorre no confinamento de bovinos, o custo é maior, mas permite a produção de animais precoces e livres de verminoses, coma abate entre 60 e 120 dias, com peso médio entre 30 e 35 Kg. (Sansoucy, 1995).
Criação Doméstica: lotes pequenos (07 a 10 ovelhas e 01 carneiro), utilizando os animais para capinar pomares ou para acompanhar outras criações (como bovinos e eqüinos) e culturas (como café e citrus). Para o pasto, com até 10 animais, um hectare, sem baixadas úmidas, com árvores para sombreamento, é suficiente para um ano (capim quicuio, pangola, coast-cross, grama seda). Se não tiver pasto suficiente, fornecer alimentação no cocho. Os piquetes podem ser de arame liso ou tela, equipados com uma fonte de água (natural ou bebedouro) e cocho de sal mineral. O melhor é dividir uma área de até 02 hectares em 04 piquetes e fazer rodízio a cada 10 dias (01 mês de descanso por piquete). (Gastal, 1988).
Pequena Criação Comercial: a partir de 30 animais, a criação já pode ser considerada comercial, e a escolha da raça depende das proximidades do mercado para lã, carne ou leite e derivados. Utilizar um carneiro para cada 30 ovelhas. Neste tipo de criação, além da alimentação mencionada para a criação doméstica, é recomendável um reforço diário a base de grãos, especialmente para ovelhas que pariram gêmeos. Na época da seca, suplementar com fenos, silagens ou ração. Adicionar farelo de soja com uréia pecuária ao cocho de sal mineral (fonte de proteína suplementar). Se a criação for para corte, o desmame dos cordeiros deve ocorrer aos 03 meses de idade; para leite, desmamar com 10 dias, trocando por leite de vaca, misturando 01 colher de sopa de óleo de soja por litro de leite. Fornecer 250 ml desta mistura por dia por cordeiro. (Affin e Santos, 1990)
Criação de Tamanho Médio: recomenda-se que a criação seja mista (lã, e cordeiros para o abate), com um rebanho de 100 a 150 cabeças e algumas das raças recomendadas são a Corriedale, Ideal e Romney Marsh. É possível fazer consorciamento com bovinos, alternando bovinos e ovinos, mas deixando pastar somente bovinos adultos para evitar contaminação exagerada dos piquetes com verminoses comuns às duas espécies (Salvador, 2008).
TIPOS DE SISTEMA DE EXPLORAÇÃO
Os sistemas mais utilizados na criação de ovinos são: extensivo, semi-extensivo e intensivo. 
SISTEMA EXTENSIVO
Este sistema de criação é voltado para a produção de carne de forma tradicional ou para a subsistência, e, não sendo necessária a construção de instalações grandiosas, deve-se ter, apenas, áreas com bom sombreamento. Apresenta baixa produtividade e ocupa grandes extensões de terra, com água natural. Neste sistema, o proprietário não mantém controle sobre os animais; por isso, não é recomendável a produção comercial de ovinos. (Almiro Midjes 2012)
Parte inferior do formulário
SISTEMA SEMI-EXTENSIVO
Os animais vão ao pasto e são recolhidos à noite nas instalações, recebendo suplementação volumosa, concentrada e mistura mineral no cocho em determinadas épocas do ano ou em determinadas fases de produção. Neste sistema, o criador tem a possibilidade de melhor controle zootécnico e sanitário do rebanho se utilizar instalações adequadas e fizer o Maneio correto. Para isso, é necessária a construção de abrigos com bebedouros e comedouros, cocho privativo para os cordeiros e cercas na divisão dos piquetes. É um sistema viável para a exploração tecnificada, pela possibilidade de oferta de alimentos e suplementação, sendo que o animal não caminhará grandes distâncias para se alimentar. (Gastal, 1988).
SISTEMA INTENSIVO
Consiste no confinamento total dos animais, com área de solário, sendo ideal para a produção de carne precoce (cordeiro premium). Requer tecnologia e investimentos maiores do que os sistemas anteriores. A base da alimentação são os volumosos, a suplementação concentrada, a mistura mineral e a água fornecida em comedouros e bebedouros. (Almiro Midjes 2012)
PRINCIPAIS RAÇAS DE OVINOS
1.3.1 Raças de ovinos de produção de Carne
DORPER - O Dorper é uma raça da África do Sul criada nos anos de 1930 através do Dorset Horn e do Blackheaded Persian. A raça foi desenvolvida para as regiões extensivas e áridas da África do Sul. Apresenta alta fertilidade, bom comprimento de corpo que é coberto por pêlo curto e lã. A raça tem a cabeça preta (Dorper) ou branca (White Dorper). Além disso, mostra adaptabilidade, resistência, taxas excepcionais de reprodução e crescimento (alcançando 36 quilogramas em três ou quatro meses) e alta habilidade materna.
A raça Dorper foi desenvolvida através do cruzamento da ovelha Blackhead Persian com o Dorset Horn que resultou no nascimento de alguns cordeiros Dorper totalmente brancos. A diferença na cor permite que o criador tenha a sua preferência. Cerca de 85% dos criadores de Dorper, membros da Sociedade de Criadores da Raça Ovina Dorper da África do Sul, criam o Dorper de cabeça preta. A raça Dorper é, numericamente, a segunda raça mais criada na África do Sul e se espalha por muitos outros países. Aptidão: O Dorper é um ovino produtor de carne, entretanto, suas exigências nutricionais não são tão altas. (BOTTECCHIA et al., 1998).
TEXEL - O Texel foi formado na Ilha de Texel na costa dos Países Baixos, no início do século XIX. O Texel mais antigo provavelmente era de uma variedade de ovinos de cauda curta. Animais importados, das raças Lincoln e Leicester Longwool, foram cruzados com o antigo Texel nos anos de 1800. As características da raça foram estabelecidas através de uma série de competições locais na Ilha, as quais selecionavam os melhores exemplares. A ênfase era dada para os ovinos que produzissem cordeiros pesados e com musculatura bem desenvolvida.
Como o principal mercado para estes cordeiros era a Europa, onde o excesso de gordura nos cortes de carne era indesejável pelo consumidor, esforço significativo ocorreu para produzir uma carcaça com pouca deposição de gordura.
 
 
Características:
» Cabeça forte, larga ao nível do crânio, livre de lã e coberta de pelos brancos, curtos e sem brilho; arcadas orbitais salientes e olhos vivos e bem afastados;
» Orelhas grandes, inseridas altas, com a concha interna voltadas para frente e as extremidades levemente projetadas para frente; as mucosas nasais, lábios e bordo das pálpebras devem ter pigmentação escura;
» Pescoço curto, musculoso, arredondado, bem inserido no corpo;
» O corpo tem estrutura maciça, não muito comprido, com paletas carnudas e bem afastadas; dorso, lombo e garupa largas e niveladas;
» Membros fortes, proporcionais ao corpo robusto, casco bem conformados e pretos (CASTIl,O, 1989).
HAMPSHIRE - Os ovinos Hampshire adquiriram seu nome do condado agrícola de Hampshire, no sul da Inglaterra, onde foram desenvolvidos. Os ovinos Hampshire entraram nos Estados Unidos por volta de 1840, entretanto, não há registro indicando a sobrevivência deles à guerra civil. Nova importação de Hampshire da Inglaterra ocorreu entre os anos de 1865 a 1870, mas somente a importação de 1879, foi oficialmente registrada. Os ovinos Hampshire têm habilidade genética para converter eficientemente a forragem em carne. (BOTTECCHIA et al., 1998).
SOUTHDOWN - Esta foi a primeira raça melhorada do tipo de carne e lã curta, e exerceu grande influência sobre o chamado grupo das dunas. Os machos adultos pesam de 80 a 100Kg; as fêmeas, de 60 a 65Kg; os cordeiros, aos três meses de idade, alcançam de 20 a 25Kg. Os carneiros são muito prepotentes e por isso são frequentemente usados em cruzamentos para a obtenção de carneiros de alta qualidade. Por ser precoce, é exigente quanto à alimentação e prefere o regime intensivo de criação. O velo é denso e deixa livre a parte inferior dos membros, que apresenta cor cinzenta.
 
 
 
Características: Cabeça larga, desprovida de chifres; face pequena, com lã cinzenta; fronte coberta de lã apertada; olhos grandes; orelhas curtas; focinho largo, com narinas amplas; boca grande e de cor clara. Pescoço curto, forte e bem ligado às espáduas. Corpo largo, profundo, baixo e compacto; flancos cheios e bem descidos; dorso e lombo largos e bem recobertos; garupa grande e cheia; linha dorso-lombar longa. Membros curtos e bem aprumados; espáduas largas e bem recobertas; coxas largas e carnudas; cascos escuros. (Gastal, 1988).
1.3.2 Raças de ovinos de dupla aptidão
CORRIEDALE - O Corriedale foi desenvolvido na Nova Zelândia e na Austrália, através do cruzamento de carneiros Lincoln ou Leicester com fêmeas Merino. O desenvolvimento da raça ocorreu na Nova Zelândia entre os anos de 1880 e 1910. Cruzamentos similares foram feitos também na Austrália, neste mesmo período. A raça é largamente distribuída nos diferentes países do mundo. Na América do Sul, a raça Corriedale é a mais numerosa e se expande por toda a Ásia, América do Norte e África do Sul. Depois da raça Merino, é a Corriedale que apresenta maior popularidade no mundo. O Corriedale é um ovino de duplo propósito (lã e carne). (BROOM; JOHNSON, 1993).
Santa Inês – É uma raça nativa que surgiu principalmente do cruzamento da raça Bergamácia e da raça nativa Morada Nova, mas teve também a participação de outras raças em sua formação. Sua aptidão é para carne (com pouca gordura) e peles (João Pessoa 1999).
Morada Nova – É uma raça nativa nordestina com origem africana. Tem aptidão para carne e pele (ALZUGARAY & ALZUGARAY, 1986).
Somalis – É raça nativa originária da África. Possui a anca e base da cauda gordas. Tem aptidão para carne e pele (BOTTECCHIA et al., 1998).
Rabo-largo – É uma raça nativa, também com origem na África do Sul, deslanada ou com pouca lã, de tamanho médio, boa para produção de carne e de peles. A base da cauda é larga, com uma grossa camada de gordura, daí o nome da raça. A pelagem é vermelha, branca ou chitada. (BROOM; JOHNSON, 1993).
1.3.3 Raças de ovinos de produção de lã
LEICESTER
O ovino Leicester, com a lã longa e de origem inglesa, teve uma grande importância no melhoramento e desenvolvimento de outras raças de lã comprida. Atualmente há três raças distintas de ovinos Leicester. O Inglês ou o "Dishley", o Blueface ou o "Hexham" e o Border Leicester. O Inglês é o maior das raças de Leicester e tem um velo longo e pesado. O Blueface e o Border Leicester são similares no tamanho e ambos têm as orelhas eretas. O velo do Blueface é mais fino e mais curto do que o do Border Leicester. No Brasil##l, dos Leicester, o mais encontrado é o Border. A raça Border Leicester foi criada em 1767 por George & Matthew Cul,ey de Fenton, Northumberland, Inglaterra (KEl,EY, 1980)
CRIOULA
Acredita-se que a ovelha Crioula teve origem na Churra, trazida para a América do Sul pelos colonizadores ibéricos. Todavia, é difícil caracterizar os diversos tipos de ovinos "crioulos" existentes em diferentes regiões da América, embora apresentem semelhanças em seus traços gerais. E acrescenta: tendo-se e conta que, durante vários séculos, procriaram em plena liberdade, em estado semi-selvagem, expostos a todas as contingências do clima, é fácil compreender que sofreram degenerações e adquiriram rusticidade. A ovelha crioula é extremamente rústica e vai bem em campos pobres. Seu melhoramento por seleção é demorado e difícil, e por cruzamento é perigoso, pois a sua rusticidade pode desaparecer se a raça cruzante for mal escolhido.
Características: Cabeça longa e fina; animais chifrudos; pescoço longo e fino; animais pequenos, corpo estreito e barriga sem lã; membros altos e finos com pouca lã; Velos ralos, mostrando fibras longas e lisas, agrupadas em mechas longas e pontiagudas, de cor branca, preta e marrom. Sobre fundo branco pode apresentar machas coloridas. As pontas das machas podem apresentar mais pelos que fibras de lã. A lã de qualidade inferior, sem uniformidade, com fibras desiguais, variando de 10 a 30 centímetros de comprimento e 20 a 30 micros de diâmetro. O velo dá de 1 a 2 kg por tosquia. Seu valor comercial é baixo, pois é mais empregado como pelego (Feira de Santana, 2001).
DORSET
Séculos atrás, a Espanha desejou conquistar a Inglaterra, e possivelmente nesta época, ovinos Merino foram trazidos do Sudoeste da Inglaterra e cruzados com os Horned Sheep de Wales, que produziram um ovino que atendia as necessidades da época. Começou assim, uma raça de ovinos que se espalhou por Dorset, Somerset, Devon e Wales e foi chamada de Horned Dorset. Nos EUA são chamados de Dorset e os primeiros animais foram transportados da Inglaterra para os EUA em 1860 (KEl,EY, 1980).
MERINO
Este é o representante principal da raça Merino na Austrália, sendo encontrado em grandes rebanhos na Nova Zelândia, Queensland, Victoria e Oeste da Austrália. Possui aptidão para a produção de lã, embora a seleção para melhorar a qualidade da carcaça, possa tornar este Merino, uma raça de dupla aptidão. Sua lã é absorvida quase totalmente pelo comércio de têxtil e é caracterizada pela altíssima qualidade. O velo produzido é pesado, macio, de coloração branca com um diâmetro médio de fibra de 20-22 mícrons. O Merino apresenta uma baixa percentagem de partos gemelares, uma alta resistência à intoxicação pelo cobre e, como toda raça produtora de lã, resiste bem às condições adversas de criação, com pouca disponibilidade de alimentos de qualidade. Regiões de clima seco são os melhores locais para criar ovinos tipo lã.
Características:
A primeira importação de Merinos pela Austrália data de 1789. Eram 29 cabeças provenientes do Cabo, África do Sul. O progresso da criação de carneiros na Austrália foi tão grande que hoje este país possui o primeiro rebanho, da ordem de 185 milhões de cabeças e é o maior produtor mundial de lã, com a produção anual de umas 920.000 toneladas de lã bruta. Estes números significam que a Austrália possui aproximadamente 1/6 do rebanho mundial de ovinos e produz mais ou menos 1/3 de toda a lã, também insuperável pela qualidade. O grosso da produção de lã é do tipo Merino. A Austrália importou Merinos de todas as variedades existentes: Electoral, Negrettis, Rambouil,ets, Vermonts, etc.
O Merino Australiano foi constituído pela mistura dessas variedades, com as seguintes proporções aproximadas de sangue: 25% de Merino Espanhol; 40% de Vermont; 30% de Electoral e Negretti; 5% de Rambouil,et Francês. Procurou-se desde logo suprimir as rugas e conferir maior vigor, melhorar as formas, a produção de lã e as qualidades necessárias a um bom animal de açougue. O tipo actual é um ovino de grande produção, rendimento económico bem adaptado às condições naturais e ao sistema de exploração extensiva, com um velo de muito peso, e com uma lã extraordinariamente uniforme em finura e comprimento, de cor branca e suavidade ao tato. O comprimento da mecha foi sem dúvida o factor determinante do aumento do peso em lã do Merino Australiano (João Pessoa 1999).
1.3.4 RAÇAS DE OVINOS DE PRODUÇÃO DE LEITE
LACAUNE
Originária do Maciço Central Francês, possui notáveis qualidades leiteiras. É uma raça mista, pois além da aptidão leiteira, devido ao seu grande porte e rápido crescimento, também é excelente produtor de carne (ALZUGARAY & ALZUGARAY, 1986).
Seu leite apresenta 7,5% de gordura (média), sendo muito utilizado pra fazer o queijo Roqueford. É considerada uma das melhores raças ovinas para leite, pesando, as fêmeas 60 Kg em média e os machos, 90 Kg, segundo. De acordo com, esses animais apresentam pelagem clara, pouquíssima lã de velo, sem lã nas patas, barriga e cabeça. (CASTIl,O, 1989).
BERGAMÁCIA
Trazida da Itália, esta raça é proveniente (remotamente) de ovinos sudaneses. Sua fama deve-se ao seu leite empregado na fabricação do queijo Gorgonzola. Trata-se de um ovino rústico, muito andador, de grande robustez e pouco exigente na alimentação. As ovelhas sempre têm partos duplos e grande aptidão leiteira, produzindo 250 Kg de leite com 6% de gordura, em um período de lactação de seis meses. Os cordeiros engordam bem atingindo, já no primeiro mês, o peso de 12 Kg e com cerca de dois anos chegam a pesar de 130 a 140 Kg (ALZUGARAY & ALZUGARAY, 1986).
São de grande porte, com altura média de 80 cm. As fêmeas pesam em média 75 Kg e os machos 120 Kg. É uma raça fácil de ser manejada, devido ao seu temperamento dócil. Sua lã, de coloração branca e de espessura média, apresenta baixa qualidade e sua pele muitas vezes é exportada (CASTIl,O, 1989).
1.4 INSTALAÇÕES PARA OVINOS
As instalações representam as partes cobertas e ainda os bebedouros, cochos, saleiros, cercas etc. Devem oferecer conforto, segurança, praticidade, durabilidade e economicidade à exploração de ovinos. O modelo ou tipo de instalação deve ser escolhido de acordo com os seguintes critérios:
• Sistema de criação (extensivo, misto ou intensivo).
• Finalidade da exploração (corte ou leite, cria ou engorda, etc.).
• Região onde se localiza a propriedade (semi-árido, campos sulinos, amazônia, etc.).
• Tamanho da propriedade.
• Disponibilidade de recursos.
1.4.1 Cercas
A cerca tem como finalidades principais a separação de animais, a divisão de pastagens e a delimitação das propriedades. Os tipos de cercas mais usados na ovino-caprinocultura são de:
• Arame farpado (a mais usada, com 7 a 9 fios ou 2 fios e rodapé de madeira).
• Arame liso.
• Varas ou madeiras.
• Telas de arame.
• Cerca viva.
• Pedras.
A cerca de arame farpado é a mais usada, com 7 a 9 ou 10 fios. Ao contrário das demais, apresentam a desvantagem de permitir riscos de acidentes com os animais e de proporcionarem danos à pele devido a ferimentos e arranhões. A altura das cercas varia geralmente de 0,90 a 1,20 m, com estacas a cada 2 metros e moirões a cada 50 metros. (Feira de Santana, 2001).
As cercas de arame liso não causam problemas aos animais, mas são mais vulneráveis a fuga dos animais, especialmente caprinos. Por segurança, são construídas com 9 a 12 fios, mas a distância entre os postes pode ser de 5 ou mais metros. Geralmente usam-se balancins de arame ou de madeira para reforçá-las. Têm o inconveniente de exigirem catracas para reesticamentos periódicos. Podem ser eletrificadas.
As cercas de varas são ainda muito comuns no Nordeste. Podem ser exclusivamente de vara (vertical ou deitada, chamada “faxina”) ou madeira ou de rodapé de madeira (vara ou estacote) com 2 fios de arame farpado ou liso.
As cercas de tela são mais eficientes, porém mais caras e são usadas mais como divisórias ou para pequenas áreas de pasto. São de mais fácil e rápida instalação e conferem uma maior proteção aos animais, especialmente contra predadores. Acidentes, contudo, são comuns, com os animais “enganchando” os chifres na tela, sem saber retirá-los. Também podem ser eletrificadas. As cercas vivas são aquelas feitas de árvores ou arbustos plantadas em linha, espaçadas ou em fileira contínua, reforçadas com alguns fios de arame. É a melhor cerca, pois além de um tempo indefinido de vida útil, fornece forragem e sombra para os animais, sem falar de suas funções como quebra-ventos e como embelezadora da paisagem da propriedade. As espécies mais recomendadas são: sabiá, leucena, gliricídia e bambu. (Feira de Santana, 2001).
 
 
As cercas de pedras são, naturalmente, as mais duráveis e resistentes. Sua altura, comumente baixa, não impede a passagem de alguns cabritos mais espertos, pelo que, em muitas delas, as pedras são usadas mais como rodapés, com uns 2 ou 3 fios de arame acima delas. São mais comuns em algumas regiões do Nordeste, onde o material é abundante. Cercado maternidade As fêmeas em final de gestação e recém-paridas deverão ocupar o cercado maternidade, que deve ser próximo ao aprisco ou à casa do produtor (para dar assistência por ocasião do parto, caso necessária), onde receberão cuidados especiais, necessários a um melhor desenvolvimento do feto e das crias, bem como à saúde das matrizes. (Sousa 2003)
O cercado maternidade não deve ser muito grande e deve ser cultivado com um pasto de boa qualidade e dotado de áreas de sombreamento, além de bebedouro, cocho e saleiro. Aprisco ou capril O aprisco é um tipo de abrigo mais recomendado para sistemas semi-intensivos e intensivos, especialmente em explorações leiteiras. Podem ser de piso elevado e ripado, de piso de cimento ou de “chão batido”. O aprisco de piso ripado tem a vantagem de facilitar a limpeza diária e o Maneio das fezes para local apropriado. (Feira de Santana, 2001).
Em sua construção, devem ser considerados os seguintes pontos:
• Ele deve ser montado sobre uma base de madeira ou de alvenaria e construído em local adequado, como as áreas mais elevadas do terreno.
• Deve-se tomar cuidados para que os animais fiquem protegidos das chuvas e das correntes de ventos e, ao mesmo tempo, permitir uma boa ventilação no ambiente, podendo ter paredes laterais em ripas, varas, bambu ou alvenaria.
• A área estimada por animal deve ser de 1,0 m2 por animal adulto e de 0,5 m2 por cria desmamada. O piso deve estar a uma altura de 60 a 70 cm do chão. A distância entre as ripas deve ser de 1,0 cm para as crias e 1,5 cm para adultos.
• A orientação do telhado deve seguir o sentido norte-sul, sempre que possível, para permitir a entrada da luz do sol na instalação e, assim, manter o local mais seco (veja figura ao lado). (Feira de Santana, 2001).
O aprisco com piso de cimento deve ter a mesma orientação que o de piso ripado com relação à localização e ao sentido norte- sul da cobertura, porém o piso deve ter uma declividade em torno de 5%. Como precisa ser lavado diariamente, exige que a propriedade não tenha problemas com disponibilidade de água. (Morais 1999)
O aprisco de chão batido é mais recomendado para a criação de ovinos e caprinos para o pequeno criador , onde o sistema é mais extensivo. Deve ser limpo pelo menos semanalmente para retirada das fezes. A cobertura pode ser de telhas comuns ou de palha (coqueiro, carnaúba etc.), material que pode usado, também, nos apriscos de piso ripado e de piso de cimento. Os apriscos, de qualquer tipo, devem ter divisórias para separação de cabritos em aleitamento (cabriteiro) e canzil. (Feira de Santana, 2001).
• O canzil é uma instalação fixa ou móvel, de madeira ou metal, que permite a passagem da cabeça do animal para acesso ao comedouro ou bebedouro, de maneira individual, ou seja, uma abertura para cada animal, minimizando brigas entre animais, deixando-os contidos enquanto comem ou bebem. Os apriscos também precisam ter, anexa ou não, uma área descoberta, também dotada de subdivisões, onde os animais tenham um espaço livre maior, para receberem sol (solário) e se movimentarem, evitando superlotações. A recomendação geral é que essa área tenha um tamanho correpondente a 5 vezes o tamanho do aprisco. (Vieira 2001)
 
1.5 ALIMENTAÇÃO
Alimentação
No período de chuvas, os animais devem se alimentar nas pastagens nativas porque é nessa época que a vegetação apresenta a maior produção de forragem, bem diversificada e com alto valor alimentício – a forragem natural, por ser dada pela natureza, é o alimento mais barato que existe para os ovinos e caprinos. É preciso tomar os seguintes cuidados para preservar os pastos nativos:
• Os ovinos e caprinos não devem ser colocados para pastar na caatinga, ou em outro pasto nativo, logo após as primeiras chuvas, mesmo que a vegetação já esteja toda verde – tem que dar tempo a ela se recuperar, crescer mais um pouco e oferecer maior quantidade de folhagem para os animais.
• Até que isso aconteça, a alimentação deve continuar a ser feita com os tipos de alimentos que vinham sendo dados no final da seca (capins cultivados, feno, silagem, palma etc.)
• Havendo condições, o produtor deve dividir a área de caatinga em, pelo menos, três cercados, deixando cada um deles, alternadamente a cada ano, reservado para ser usado pelos animais na época seca isso ajuda a preservar a biodiversidade da vegetação nativa.
• Deve, sempre, ser colocada para pastar no pasto nativo uma quantidade de animais que não prejudique a vegetação nativa – esse número deve ser reduzido nos anos de chuvas mais fracas.
• Em alguns tipos de caatinga é possível aumentar a capacidade da caatinga alimentar os ovinos e caprinos. (Maia Martes 2004)
Conservando forragens Guardar comida para alimentar os animais na seca, conservando a forragem produzida durante o período das chuvas através da fenação e da ensilagem, é uma das melhores garantias de sucesso para a exploração de ovinos e caprinos. A fenação é o processo de secagem da planta forrageira verde, com o fim de diminuir a quantidade de água que ela contém – na secagem, a planta perde só água, mantendo praticamente, o seu valor como alimento. A secagem é feita ao sol, espalhando-se a forragem, triturada ou não, por um ou dois dias. As plantas mais recomendadas para fazer feno são:
 
1. Capins de talo fino (búfel, urochloa, tifton, aruana, coast-cross, azevém, monbaça etc.).
2. Leguminosas (leucena, guandu, gliricídia, cunhã, alfafa, cornichão etc.).
3. Outras espécies (maniçoba, mandioca, mata-pasto, faveleira, lã-de-seda etc.). (Nogueira 2000)
PARA TROCAR
O bom feno se conhece pelas seguintes qualidades:
1. Cor verde ou cáqui.
2. Rico em folhas e talos finos e macios.
3. Sem ervas daninhas ou materiais estranhos.
4. Aroma agradável.
5. Bem aceito pelos animais (Feira de Santana, 2001).
Os ovinos têm a habilidade de consumir uma grande variedade de alimentos, dentre eles, ocupam lugar de destaque os pastos, fenos, silagens entre outros. Na alimentação de ovinos, utiliza-se, preferencialmente, alimentos de baixo custo e  de origem vegetal, já os grãos e os suplementos diversos só são utilizados de maneira especial e de forma limitada (Nobel, 1997).
 
Ao passo que os ovinos produzem mais, eles também recebem uma melhor alimentação. Daí parte a necessidade de cultivar forrageiras de alto valor nutritivo, para que forneçam melhores condições nutritivas aos animais (OLIVEIRA 2006)
É de conhecimento dos pecuaristas que nenhum outro animal doméstico é superior à ovelha na necessidade e na habilidade que esta possui para utilizar eficientemente as pastagens. Nesse sentido, uma boa pastagem mista constitui a melhor ração balanceada que se possa oferecer ao gado ovino, pois este tem a capacidade de consumir diferentes classes de pastagens, tanto as chamadas naturais e artificiais quanto as cultivadas. Além disso, existem ainda as chamadas permanentes, anuais, temporais, de emergência, suplementares (capineira) entre outros (SANTOS 2004).
As pastagens são excelentes para os ovinos, devido à vasta gama de capins existentes em uma mesma superfície. Ao passo que os ovinos produzem mais, eles também recebem uma melhor alimentação. Daí parte a necessidade de cultivar forrageiras de alto valor nutritivo, para que forneçam melhores condições nutritivas aos animais (GUIMARÃES 2004)
Quanto aos alimentos volumosos, os fenos constituem alimentos de grande valor para a alimentação dos ovinos, especialmente quando são de leguminosas (alfafa e trevos) e, se de boa qualidade, podem compor perfeitamente 100% da ração dos ovinos. Já as palhas, principalmente as de cerais, são alimentos ditos emergenciais, podendo ser utilizados apenas como parte da ração, já que são de baixo valor nutritivo e de pouca palatabilidade. A palha de aveia figura como a de maior valor, seguida pela palha de cevada e depois a de trigo (LOPES 2006)
 
Está reperida::::
Na falta de forrageiras verdes, a silagem bem preparada é um alimento suculento e muito atractivo, de grande utilidade para o pecuarista. A silagem de milho é uma forragem satisfatória para a alimentação dos ovinos. As silagens de pastos, quando de boa qualidade e provindas de leguminosas, possuem um alto valor nutritivo e uma utilização semelhante à silagem de milho. (LIMA 2003).
As forragens de corte possuem características semelhantes às dos pastos, no entanto, são um pouco inferiores, pois, quando os ovinos pastejam, rejeitam as partes menos atrativas das plantas de menor valor nutritivo. Já os pastos de boa qualidade, em crescimento ativo, é o alimento preferido pelos ovinos. Como não-concentrados, são ricos  em energia. Além disso,  a consorciação de leguminosas e gramíneas melhora os valores nutritivos e proteicos das pastagens. Mas é bom lembrar que, no período da seca, o valor do pasto decresce, à medida que as plantas vão amadurecendo, e, portanto, tornam-se insuficientes os teores de energia, proteína, fósforo e caroteno (OTTO DE SÁ 2013).
As raízes e os tubérculos, tais como a mandioca, a batata doce, a beterraba, a cenoura e os nabos, possuem teores razoáveis de fósforo, mas são pobres em proteínas e cálcio. Essas raízes devem ser fornecidas ao gado ovino em quantidades que oscilem entre 7 e 9 Kg diários por animal, com o cuidado de suplementá-las no que diz respeito ao cálcio, ao fósforo e à vitamina (Cruz das Almas-BA. 1995).
São usados ainda, na alimentação dos animais, os cereais e os seus subprodutos, porque são de fácil produção em muitas regiões. Eles são palatáveis e ricos em energia, embora sejam pobres em proteínas e minerais. São eles: aveia, milho, cevada, trigo, centeio, sorgo, farelo de trigo, arroz e subprodutos agro-industriais (ALZUGARAY & ALZUGARAY, 1986).
Por fim, encontram-se os suplementos proteicos que, como o próprio nome indica, caracterizam-se por seu elevado conteúdo de proteína, em comparação com os alimentos comuns. São eles: farelo de linhaça, farelo de girassol, farelo de colza, farelo de soja, farelo de amendoim, farelo de coco e farinha de peixe (João Pessoa 1999).
PASTAGENS – a pastagem ideal é a rasteira, abundante e de boa qualidade. Em boas pastagens, com Maneio rotativo, podem ser mantidos 10 animais por hectare; em pastos mais pobres, de uso contínuo, a capacidade é de 3 cabeças por hectare. Consomem também as plantas infestantes do pasto, inclusive as que não são consumidas pelos bovinos. Na época de escassez de pasto, é necessário complementar a alimentação com forrageiras de inverno, como a aveia e o centeio, alimentos concentrados e mistura mineral. Para a formação de piquetes, utilizar gramíneas rasteiras, de hábito prostrado e decumbente, se possível, consorciadas com leguminosas. As gramíneas mais utilizadas são o capim Transvala, capim Pangola, capim Setária, capim Coast-Cross (Cynodon dactylon), grama Seda, grama Missioneira, grama Batatais e capim Braquiária humidícola (Brachiaria humidicola). (João Pessoa 1999.)
Cada uma dessas categorias possui diferentes necessidades e deve receber um Maneio alimentar diferente. Alimentação das crias mamando O primeiro leite produzido pelas ovelhas e cabras após o parto é o colostro. O cordeiro ou cabrito recém-nascido deve mamar imediatamente o colostro porque ele funciona como fonte de nutrientes e de defesa contra diarréias e pneumonia. Se o recém-nascido não tiver condições de mamar sozinho, deverá ser ajudado. Passada a fase de colostro, logo nos primeiros dias de vida, as crias deverão ter acesso à alimentação volumosa, à vontade para estimular o desenvolvimento do rúmen e fazer com que ele deixe logo de mamar e cresça rapidamente (Sousa 2003).
O ideal seria colocá-los em um piquete de capim junto ao aprisco, com água de boa qualidade. O uso de uma ração concentrada em cocho privativo, a partir de 10 ou 15 dias de vida, acelera ainda mais esse processo, permitindo apartar definitivamente as crias já aos 60 dias de vida (dependendo também da raça e da qualidade do pasto). No caso de exploração leiteira, deve-se proceder o aleitamento artificial, já a partir do primeiro dia de vida, substituindo o leite da cabra por outro tipo de leite. O leite de vaca tem sido o mais usado (Feira de Santana, 2001).
Alimentação de ovelhas e cabras Ovelhas e cabras na época de monta devem estar em boas condições físicas (nem magras nem gordas demais) para poder emprenharem com facilidade. As pastagens devem, de preferência, estar verdes. Quando a estação de monta coincidir com época de pastagem muito seca, deve-se, a partir de 30 dias antes do início dos cruzamentos (coberturas), fornecer uma ração, que pode ser à base de feno, silagem, palma ou outros, à vontade. Se as condições dos animais estiverem fracas, fornecer também um pouco de concentrado (150 a 200 g cabeça/dia) (Maia Martes 2004)
Ovelhas e cabras nos primeiros 100 dias da gestação devem receber uma suplementação diária (500 g/cab./dia) de um bom feno ou de uma boa silagem (2 kg/ cab./dia). Nos últimos 50 dias da gestação, a ovelha ou a cabra passa a exigir mais e melhor alimentação, já que, nesse período, o feto cresce mais ligeiro e completa o seu desenvolvimento. Desse modo, a depender das condições da pastagem, deve-se oferecer também uma suplementação de milho (300 g/cab./dia) acompanhada de um pouco mais de volumoso (forragem verde picada, feno, silagem, palma etc.) (João Pessoa 1999).
 
 
 
 
Após o parto, as ovelhas e cabras exigem uma alimentação reforçada para se manterem em condições de produzirem leite para alimentar suficientemente suas crias. Se os pastos estiverem fracos, também, podem ser utilizados feno, palma-forrageira ou outro volumoso disponível e, se for o caso, dar concentrados. As quantidades a dar e as combinações entre diferentes tipos de alimentos a fazer devem ser definidas com base na capacidade de produção dos animais. (BROOM; JOHNSON, 1993).
 
Assim, animais que produzem mais deverão receber proporcionalmente mais concentrados. De modo geral, recomenda- se suplementar as matrizes que estão amamentando com milho (300 g/cab./dia) e mais algum volumoso de qualidade à vontade (feno, silagem, palma, capim verde etc.). Se forem cabras de leite, a exigência por mais comida de melhor qualidade pode aumentar muito, dependendo do quanto pode produzir (o concentrado pode variar de 500 a 800 g/cab./dia). (João Pessoa 1999).
As forragens de corte possuem características semelhantes às dos pastos, no entanto, são um pouco inferiores, pois, quando os ovinos pastejam, rejeitam as partes menos atrativas das plantas de menor valor nutritivo. Já os pastos de boa qualidade, em crescimento ativo, é o alimento preferido pelos ovinos. Como não-concentrados, são ricos  em energia. Além disso,  a consorciação de leguminosas e gramíneas melhora os valores nutritivos e proteicos das pastagens. Mas é bom lembrar que, no período da seca, o valor do pasto decresce, à medida que as plantas vão amadurecendo, e, portanto, tornam-se insuficientes os teores de energia, proteína, fósforo e caroteno (KEl,EY, 1980)
As raízes e os tubérculos, tais como a mandioca, a batata doce, a beterraba, a cenoura e os nabos, possuem teores razoáveis de fósforo, mas são pobres em proteínas e cálcio. Essas raízes devem ser fornecidas ao gado ovino em quantidades que oscilem entre 7 e 9 Kg diários por animal, com o cuidado de suplementá-las no que diz respeito ao cálcio, ao fósforo e à vitamina (2001 SANTOS)
 
 
São usados ainda, na alimentação dos animais, os cereais e os seus subprodutos, porque são de fácil produção em muitas regiões. Eles são palatáveis e ricos em energia, embora sejam pobres em proteínas e minerais. São eles: aveia, milho, cevada, trigo, centeio, sorgo, farelo de trigo, arroz e subprodutos agro-industriais (João Pessoa 1999.)
Por fim, encontram-se os suplementos proteicos que, como o próprio nome indica, caracterizam-se por seu elevado conteúdo de proteína, em comparação com os alimentos comuns. São eles: farelo de linhaça, farelo de girassol, farelo de colza, farelo de soja, farelo de amendoim, farelo de coco e farinha de peixe (NUNES 1997)
Alimentação dos reprodutores Carneiros e bodes devem manter-se sempre em boas condições de carne, sem, contudo, apresentarem-se gordos. Isso é necessário tanto para a monta controlada (estação de monta) quanto para o sistema tradicional de criação, em que os reprodutores acompanham as matrizes durante todo o ano. Nos períodos secos, em que a quantidade e a qualidade dos pastos naturais e cultivados caem, uma suplementação volumosa deve ser fornecida, com base nas forragens e outros produtos já mencionados (feno, silagem, palma-forrageira etc.) (Maia Martes 2004).
Quando a monta é controlada e o período coincide com uma época de escassez de forragem, deve-se fornecer, além da suplementação volumosa, uma ração concentrada composta de milho, farelo de soja e minerais (300 a 500 g/dia). Formando reservas de forragens para o período seco. A melhor estratégia para não ter problemas na época da seca é fazer reservas de forragem. Isso pode ser feito de três maneiras:
• reservando áreas de pastos.
• reservando áreas de capineiras, legumineiras e de outras forrageiras.
• conservando forragens (fenação, ensilagem).
• aproveitando restos de culturas e outros materiais que existem na propriedade. O importante é que, ao fazer isso, o produtor não apenas beneficia o rebanho, mas também alivia a pressão dos animais em cima da caatinga nesse período, dando condições para que ela se recupere rapidamente com a volta das chuvas e, assim, seja preservada (Feira de Santana, 2001).
Mineralizando os ovinos O sal mineral é um alimento fundamental para o desenvolvimento e a produção dos ovinos e caprinos. Deve estar sempre à disposição de todos os animais do rebanho, em cochos comuns ou saleiros (feitos de pneus, de madeira), sempre que possível cobertos, para evitar as chuvas. O sal mineral pode ser também fornecido na forma de blocos para lamber, disponíveis no comércio (KEl,EY, 1980)
• Deve haver sempre um ponto de sal no cercado onde os animais estiverem pastando.
• Os pontos com sal devem ser localizados estrategicamente, de preferência no lado oposto do cercado ao que estiver o ponto de água, de modo que os animais sejam obrigados a percorrer toda a área do pasto – isso permite que o pasto seja comido por igual e que o solo sofra menos com o pisoteio.
• O sal comum é o único tipo de sal que deve ser fornecido em qualquer época do ano aos ovinos e caprinos – é por causa do sódio que tem nele e que os pastos não têm.
• Embora ainda não tenha sido comprovado cientificamente, sobretudo no Nordeste, uma redução na produção dos animais devido especificamente à falta de outros tipos de minerais, é recomendável que alguns minerais sejam misturados ao sal comum (fósforo, cálcio, cobre, etc.), principalmente na época chuvosa.
• A mineralização pode ser feita de uma maneira mais simples e econômica, fornecendo aos animais uma mistura de sal comum com produtos comerciais à base de fósforo que contenham, também, os outros minerais.
• Os blocos para lamber encontrados no comércio já contêm sal comum misturado a esses outros minerais – alguns já vêm com uréia, o que os torna mais recomendáveis para uso nos períodos secos quando as forragens estão mais pobres – na forma de blocos não existe o perigo de intoxicação pela uréia.
• O consumo médio de sal mineral por ovinos e caprinos adultos está na faixa de 10 a 15 gramas diárias, podendo ser bem menor, ou quase nulo, nas áreas onde os animais bebem água salobra de poços ou onde existam terrenos com “lambedouros” naturais de sal (BROOM; JOHNSON, 1993).
 
As melhores forrageiras para fins de produção são:
 
• Para corte: capim elefante, cana-de-açúcar, palma-forrageira, leucena, gliricídia, guandu, cunhã.
• Para colheita ou apanha: melancia-forrageira (frutos), algarobeira (vagens). (João Pessoa 1999).
Níveis
Alimentação por categoria animal os ovinos e os caprinos, como qualquer outra espécie animal, apresentam melhor desempenho quando alimentados de acordo com o objetivo para o qual são explorados (carne ou leite), idade, sexo, peso, fase da vida reprodutiva e época do ano. Assim, para uma alimentação adequada, o produtor, dentro das suas possibilidades, deverá tratar o rebanho por categorias de animais:
• crias mamando.
• marrãos e marrãs apartados (recria).
• matrizes (secas, prenhes e paridas).
• animais em engorda (a pasto ou confinamento).
• reprodutores. (BOTTECCHIA et al., 1998).
 
Quanto aos alimentos volumosos, os fenos constituem alimentos de grande valor para a alimentação dos ovinos, especialmente quando são de leguminosas (alfafa e trevos) e, se de boa qualidade, podem compor perfeitamente 100% da ração dos ovinos. Já as palhas, principalmente as de cerais, são alimentos ditos emergenciais, podendo ser utilizados apenas como parte da ração, já que são de baixo valor nutritivo e de pouca palatabilidade. A palha de aveia figura como a de maior valor, seguida pela palha de cevada e depois a de trigo (BERNARDINO 2000)
 
 
 
Ja tem uma dessaa::::
Na falta de forrageiras verdes, a silagem bem preparada é um alimento suculento e muito atrativo, de grande utilidade para o pecuarista. A silagem de milho é uma forragem satisfatória para a alimentação dos ovinos. As silagens de pastos, quando de boa qualidade e provindas de leguminosas, possuem um alto valor nutritivo e uma utilização semelhante à silagem de milho (ROCHA 2005) A planta forrageiras para ovinos e caprinos
Na produção ovina e caprina em pastagens, a tomada de decisão na escolha da planta forrageira adequada às condições de clima e solo locais, além do Maneio que lhe será imposto, deve ser criteriosa, pois a área implantada deve ter uma longa vida útil. (SILVA 2007)
 
 
Os pesquisadores da área de forragicultura vêm trabalhando incessantemente na seleção de genótipos tolerantes as adversidades ambientais e com características agronômicas favoráveis para a produção animal. Não existe “o melhor capim”. Cada planta forrageira apresenta certas qualidade e limitações, as quais devem ser comparadas para seleção no ecossistema desejado, considerando os factores abióticos e bióticos(ALMEIDA, 2000)
As gramíneas forrageiras tropicais mais frequentemente utilizadas na formação de pastagens para ovinos são espécies e cultivares de Brachiaria spp., Cynodon spp., Paspalum spp., Pennisetum spp., Chloris gayana, Cenchrus ciliaris, Digitaria decumbens e Panicum maximum (SILVA SOBRINHO, 2001).
Apesar do potencial de produção da maioria das gramíneas forrageiras tropicais, a taxa de lotação média é restrita em decorrência do grave problema de degradação das pastagens, situação que ocorre em 60-80% das áreas destinadas à produção de ruminantes, atingindo ao correspondente a 5 ovelhas/há (João Pessoa 1999).
2.1 Gramíneas forrageiras
Os capins dessa espécie possuem diversos hábitos de crescimento e características. É um gênero importante que alicerçou o crescimento da pecuária bovina nacional. Hoje, ocupam cerca de 75% dos 100 milhões de hectares de pastagens cultivadas, principalmente as espécies B. decumbens cv. Basilisk (capim-braquiária) e B. brizantha cv. Marandu (capim-marandu). As outras espécies, de representatividade menor, são: B. humidicola (quicuio-da-Amazônia ou humidícola), B. mutica (capim-angola ou capim-fino), B. ruziziensis e B. dictioneura (FERNANDES, 1989).
Pastagens podem albergar um fungo (Pithomyces chartarum), cosmopolita, considerado saprófito em vegetais, que se desenvolve em temperaturas na faixa de 18 a 27 ºC e umidade relativa alta (96%). Produz uma micotoxina hepatotóxica (esporodesmina) diretamente ligada a esporulação do fungo, capaz de provocar processos cutâneos do tipo fotossensibilizante, associado à síndrome do eczema facial. Há comprometimento do aparelho ocular e da pele, principalmente nas regiões mais expostas à incidência dos raios solares, com lesões localizadas freqüentemente na região periorbital, conjuntiva ocular e palpebral, podendo levar a cegueira irreversível, alterações na região lateral da cabeça, acompanhadas de lacrimejamento e, às vezes, edemas que podem atingir, inclusive, as orelhas. Esses sintomas estão ligados às disfunções e lesões hepáticas, com redução da capacidade do fígado de transporte e excreção de filoeritrina, substância fotodinâmica formada pela degradação da clorofila no trato gastrintestinal e que passa para circulação periférica, acumulando-se na pele. Devido a irradiação solar, ocorre uma reação de calor, que se manifesta por: eritema (pele com cor avermelhada) seguido de edema (inchaço), prurido (coceira), exsudação (liberação de líquidos) e necrose (morte da pele) com mumificação da pele (VIANA e BORGES, 2002).
çSIQUEIRA (1988) relatou o problema de fotossensibilização em ovinos pastejando mais afetadas são as ovelhas paridas e animais jovens mantidos exclusivamente em pastagem de Brachiaria . Para contornar parcialmente o problema de fotossensibilização dos animais em áreas de B. decumbens, NEIVA e utilizaram o pastejo noturno e maior rebaixamento das plantas, criando condições desfavoráveis ao desenvolvimento da doença(SANTOS 1999).
 
-,,,,Além dos problemas de fotossensibilização, capins do gênero Brachiaria não têm sido recomendados para ovinos devido ao baixo valor nutritivo. Pequenos ruminantes têm maiores requerimentos para manutenção por unidade de peso metabólico do que as espécies de peso corporal mais alto, necessitando de alta qualidade da forragem para alcançar bom desempenho (LEITE e VASCONCELOS, 2000). Entretanto, os problemas de fotossensibilidade podem ocorrer em outros capins, como relatado para capim-coastcross por VIANA e BORGES (2002).
 
Panicum maximum
 
O capim mais conhecido dessa espécie é o capim colonião, introduzido no período colonial. Hoje, existem vários ecótipos e cultivares. Apresentam boa dispersão no Brasil,#, hábito de crescimento ereto, perfilhando em forma de touceira. Atualmente, os cultivares Tanzânia e aruana vêm se destacando na criação de ovinos e caprinos (João Pessoa 1999).
Deve-se ressaltar que a ingestão de forragem por pequenos ruminantes é favorecida pela por estrutura com folhas mais curtas e estreitas, em grande densidade.Grande densidade de perfilhos, folhas mais finas e tenras, melhor distribuição anual de forragem e médio porte são algumas características que fazem do capim-aruana uma planta forrageira muito promissora para ovino-caprinocultura(SANTOS 1999).
O capim-aruana foi introduzido com muito sucesso na Bahia, com Maneio simples, persistente, alta produção e boa qualidade de forragem, sendo base no sistema de pastejo rotacionado de alguns empreendimentos.Outras variedades e cultivares dessa espécie, como gatton panic, green panic, vencedor e massai também podem ser utilizados, pois apresentam porte médio e boa produção e qualidade de forragem, se bem manejados. A propagação é feita por sementes, facilitando sua adoção. (FERNANDES, 1989).
 
Pelo hábito de pastejo de ovinos e caprinos mantidos em áreas exclusivas de gramíneas, não se recomenda a escolha de plantas de porte muito alto, como alguns.As gramíneas forrageiras do gênero Cynodon spp. apresentam o hábito de crescimento prostrado e quando bem implantados e manejados, apresentam boa cobertura do solo e agressividade, devido aos vigorosos estolões (CÂNDIDO 2003)
As espécies de Cynodon spp. são bastante utilizadas na criação ovina e caprina, por apresentarem boas características nutricionais e produtivas, apesar do custo de implantação ser relativamente alto, pois são plantados por estolões (mudas vegetativas). Nesse grupo se encontram os capins Tifton-85, coast-cross, estrela-africana, Tifton-68, florico, florona e florakirk, entre outros. Também possuem boas características para conservação de forragem para época seca do ano como feno, silagem pré-secada, silagem ou mesmo pasto reservado (JANK e COSTA, 1990)
 
 
 
ISSO FALA DO Brasil,No sertão nordestino, a introdução de gramíneas perenes (principalmente o capim-buffel) trás vantagens óbvias, não só pela manutenção de maior quantidade e qualidade de forragem no período seco, como também pelo rápido rebrote da pastagem no início das águas. Essa planta forrageira possui uma grande variabilidade genética, devido as suas variedades serem advindas de linhagens e hibridações utilizando-se materiais com diferentes características agronômicas, sendo portanto mais ou menos preferidas pelos ruminantes (João Pessoa 1999).
 
Andropogon gayanus Cultivares: Planaltina e Baeti Planta de crescimento ereto e porte alto. Folhas de coloração verde escura, macias e bastante pilosas. As folhas possuem um estreitamento característico na base da lâmina. A inflorescência é composta de rácemos. Possui ótima tolerância a solos ácidos e de baixa fertilidade. Tolera bem a seca e possui alta resistência à cigarrinha-das-pastagens. Propagado por sementes, que, por apresentarem aristas e cerdas envolventes, dificultam a operação de semeadura mecânica. Utilizado em pastagens, principalmente nas regiões de cerrados. O Maneio do capim-andropógon com ovinos deve seguir um rigoroso ajuste da oferta de forragem e período de pastejo, evitando o crescimento exagerado e queda acentuada do valor nutritivo, gerando grandes quantidades de material morto( Jose Silva 2009)
 
2.2 Leguminosas forrageiras
As leguminosas forrageiras (de porte herbáceo e arbustivo submetidas à podas) podem ser utilizadas consorciadas com gramíneas ou como banco de proteína, representando interessantes fontes de alimentos dos pontos de vista: nutricional, pois possuem alto teor de proteína e digestibilidade; e estratégico, para reserva de alimento verde na época seca do ano, devido ao sistema radicular mais profundo. Outras vantagens do uso de leguminosas é a fixação de nitrogênio para a gramínea em sistemas consorciados e reciclagem de nutrientes(Frederico De Almeida 2005)
As bactérias dos gêneros Rhizobium e Bradrhizobium, em simbiose com as raízes das leguminosas, fixam quantidades de até 500 kg de nitrogênio no solo. No entanto, essas quantidades são bem inferiores nas regiões tropicais. O uso de leguminosas em consórcio com gramíneas, recomendado para criações menos intensivas, pode substituir, até certo ponto, adubações nitrogenadas, melhorar a qualidade da dieta e quantidade de forragem disponível. Deve-se atentar para que a proporção da leguminosa esteja em torno de 25-30% da MS total disponível na pastagem. A aceitatabilidade relativa de espécies prostradas, ou porte arbustivo, poderão ser vantajosos na manutenção desse percentual e da persistência (João Pessoa 1999).
 
A adição de leguminosas nas áreas de pastagem exclusivas de gramíneas, especialmente no tropical úmido e sub-úmido, freqüentemente aumentam a produtividade. São indicadas as seguintes leguminosas: estilosantes (Stylosanthes guianensis), calopogônio (Calopogonium mucunoides), soja perene (Neonotonia wightii), leucena (Leucaena leucocephala), guandu (Cajanus cajan) e amendoim forrageiro (Arachis pintoi), dentre outras, devendo ser escolhidas de acordo adaptação às condições de solo, clima e adequar-se à gramínea em consórcio. Algumas das leguminosas citadas são anuais, dependendo diretamente de ressementeio natural, e mesmo as perenes necessitam de recrutamento de novas plantas, devendo-se escolher espécies precoces que floresçam entre março e maio, época do ano que permitem a vedação, devendo-se evitar as de florescimento tardio, entre junho e julho, pois é uma época de necessidade de utilização desses pastos (Maria Da Silva 2007)
A adubação nitrogenada permite produções de massa verde maiores do que aquelas advindas da fixação de nitrogênio pelas leguminosas, entretanto deve-se analisar cada situação para as recomendações. Entende-se como banco de proteína como uma área mantida exclusivamente com leguminosas, nas quais os animais não têm acesso, ou o tem programadamente. É uma alternativa interessante, pois pode-se estabelecer um Maneio adequado da planta (SILVA 2007)
leucena Planta arbustiva ou arbórea, perene. Folhas compostas e flores brancas, agrupadas em inflorescência globular. Os frutos são vagens finas e achatadas, com sementes de coloração marrom escura. Exige solos com pH mais elevado, sem alumínio. Propagação por sementes. Tolera bem a seca, produzindo forragem nas épocas secas do ano. Utilizada como banco de proteína ou mesmo consorciada na pastagem. O consumo de leucena na dieta deve ocorrer em até 30 %, devido ao aminoácido mimosina, que é tóxico aos animais. Para evitar intoxicação, na prática, utiliza-se duas horas de pastejo diário( Fernando Fransisco 2010)
 
 
1.6 HIGIENE DAS INSTALAÇÕES
Práticas de higiene e profilaxia na propriedade são necessárias para manter a saúde dos animais, prevenindo e controlando doenças, tornando os rebanhos mais sadios e mais produtivos. As principais recomendações a seguir são: Higiene das instalações:
• Limpe os chiqueiros e apriscos por meio de varredura.
• Lave os bebedouros diariamente.
• Limpe os comedouros diariamente, não deixando alimentos velhos e estragados.
• Desinfete as instalações com creolina ou vassoura-de-fogo, mensalmente (RIBEIRO 1997)
1.7 PROFILAXIA
Profilaxia Médica
vacinação As vacinas são utilizadas para evitar o aparecimento de certas doenças nos rebanhos existentes na região. Para estabelecer um calendário de vacinações, consulte um veterinário ou a empresa de extensão rural da região, pois apenas eles poderão indicar corretamente as vacinas que devem ser usadas nos rebanhos ovino e caprino de cada região (BOTTECCHIA et al., 1998).
As seguintes vacinas, a princípio, podem ser realizadas:
• Vacina anti-rábica (contra raiva): a vacinação é anual, a partir de quatro meses de idade, e apenas em rebanhos com história da doença ou de regiões onde o aparecimento da mesma é freqüente.
• Vacinas contra carbúnculo sintomático, enterotoxemia e botulismo: apenas em regiões e/ou em situações de risco.
• Vacinas contra outras enfermidades que acometem ovinos e caprinos: mal-do-caroço (linfadenite caseosa), boqueira (ectima contagioso), cegueira (ceratoconjuntivite infecciosa), podeidão do casco (pododermatite) e leptospirose (Maia Martes 2004)
Controle de parasitas externos Os principais parasitos externos (ectoparasitos) que atacam os ovinos e os caprinos são os piolhos (pediculoses) e os ácaros, insetos causadores de sarnas. O controle envolve as seguintes medidas:
• Separe imediatamente os animais com piolhos e sarnas dos demais.
• Banhe os animais com produtos carrapaticidas, utilizando um pulverizador costal ou caixas de amianto com capacidade para 500 litros.
• Repita o banho 7 a 10 dias depois.
• Banhe os animais recém adquiridos antes de incorporá-los ao rebanho.
• Procure banhar os animais no final da tarde.
• Forneça água e alimentos antes do banho (KEl,EY, 1980)
Profilaxia sanitária
Quarentena e isolamento Quarentena é o tempo necessário para observar se aparecem doenças em animais aparentemente sadios recém-adquiridos de outras propriedades antes de misturá-los com o restante do rebanho. O produtor mantém os animais em um local isolado (quarentenário) e procura observar sinais de doenças por um intervalo de 30 a 60 dias (SILVA 2007).
PRinCiPAiS DoEnçAS DoS ovinoS E CAPRinoS mal-do-caroço (Linfadenite Caseosa) É uma das principais doenças que ocorrem nos rebanhos de caprinos e ovinos do Nordeste. É causada por bactéria (micróbio) que provoca abscessos (caroços), os quais se localizam nos linfonodos (ínguas ou landras) superficiais e internos, bem como nos pulmões, fígado, baço etc. A transmissão se dá através de:
• Ferimentos na pele.
• Pele intacta, em contato direto com o pus dos abscessos.
• Ingestão de água e alimentos contaminados com o pus dos abscessos.
• Uso de ferramentas cortantes sujas (contaminadas).
 
Os principais sintomas são:
• Abscessos, localizados abaixo da mandíbula (queixo) e orelha, próximos à escápula (pá) e ao pernil (vazio), úbere e testículo. O produtor pode reduzir os prejuízos e controlar a doença utilizando as seguintes práticas
: • Limpeza e desinfecção das instalações e utensílios.
• Isolar os animais com abscessos.
• Evitar que os abscessos “estourem” (se rompam espontaneamente) e o pus contamine os outros animais.
• Abrir (“sajar”) o abscesso, quando ele “amadurecer” (pêlos da área começarem a cair). O corte do abcesso deve, preferencialmente, ser feito por pessoa credenciada (médico-veterinário, auxiliar de veterinária), fora dos apriscos e currais e todo material retirado do abcesso e utilizado na operação deve ser queimado e enterrado. O animal deve continuar isolado dos demais até a completa cicatrização do corte. (SILVA 2007).
A doença pode ser prevenida com a adoção das seguintes medidas:
• Limpeza e desinfecção das instalações.
• Evitar superlotação de animais nos apriscos, currais e pastos.
• Evitar comprar animais com abscessos.
• Fazer quarentena com os animais recém-adquiridos.
• Inspecionar periodicamente os animais do rebanho, procurando identificar o surgimento de caroços e descartando os animais com os sintomas.
• Tratar o umbigo dos recém-nascidos e ferimentos.
• Utilizar experimentalmente (com orientação veterinária) a vacina contra o mal- do-caroço disponível no mercado. Podridão-do-casco / mal-do-casco (Pododermatite) É uma inflamação e o apodrecimento da parte inferior dos cascos de ovinos e caprinos causados por bactérias (micróbios). É uma doença altamente contagiosa que ocorre com maior frequencia no período chuvoso, devido às instalações sem higiene e úmidas, pastos alagados e crescimento exagerado dos cascos (João Pessoa 1999).
Os sintomas principais são:
• Aumento de temperatura no espaço entre as unhas (casco).
• Vermelhidão e inchação, podendo ser observado pus e odor fétido.
• Manqueira.
Geralmente o tratamento consiste em:
• Colocar o animal em local seco e limpo.
• Limpar e lavar o casco, retirando todos os tecidos necrosados.
• Fazer curativos diários com pomada antibiótica ou solução de sulfato de zinco ou de cobre a 5 - 10%.
A transmissão se dá através do contacto directo entre animais doentes e sadios ou devido a condições que causam estresse no animal, tais como transporte, mudança brusca de temperatura, excesso de ventilação, instalações húmidas e sem higiene, e superlotação. Os sintomas mais comuns são:
• Diminuição do apetite.
• Pêlos arrepiados.
• Febre alta.
• Dificuldade respiratória (cansaço).
• Tosse.
• Corrimento nasal (catarro).
O tratamento geralmente é feito com o uso de antibióticos associados a soluções balsâmicas (que aliviam os sintomas da tosse, cansaço e catarro), sob orientação veterinária. Medidas de prevenção da doença incluem:
• Limpar periodicamente as instalações eliminando a sujeira e a umidade excessiva.
• Evitar superlotação de animais na instalação e na pastagem.
• Proteger os animais de fortes correntes de vento, do frio e da chuva.
• Evitar a entrada de animais doentes no rebanho e isolar os doentes.
• Oferecer alimentação adequada, especialmente aos animais jovens (João Pessoa 1999).
A contaminação ocorre geralmente pela falta de higiene na ordenha. Os agentes causadores da doença atingem a glândula mamária através do canal da teta, de ferimentos, do contato direto do úbere com o chão sujo, das mãos sujas do ordenhador etc. Os sintomas da mastite são:
• Úbere inchado, vermelho, quente, endurecido e dolorido.
• Leite grosso, com grumos, coloração amarela ou avermelhada.
• Ferimentos e rachaduras no úbere.
• Febre e tristeza.
• Falta de apetite.
• Dificuldade em andar.
• Entupimento do canal do teto.
• Em alguns casos, ausência de leite.
O tratamento da mastite consiste em:
• Estabelecer linha de ordenha (deixar as cabras doentes para serem ordenhadas no final).
• Utilização de antibióticos, antiinflamatórios e produtos biológicos, de acordo com orientação do médico-veterinário.
Principais cuidados preventivos:
• Proceder o teste CMT em toda cabra leiteira adquirida, procurando observar também as condições de sanidade do seu rebanho de origem.
• Realizar a secagem adequada das fêmeas ao final do período de lactação de cada uma delas.
• Utilizar periodicamente o teste CMT nas cabras do rebanho.
• Adotar os procedimentos para a ordenha higiênica do leite.
Enterotoxemias As enterotoxemias são doenças frequentemente fatais, que ocorrem principalmente em sistemas intensivos ou semi-intensivos da criação de ovinos e caprinos, resultantes da absorção de toxinas (venenos) produzidas pelo clostrídio nos intestinos dos animais.
A principal causa é a sobrecarga com ração concentrada e indigestão, provocando a multiplicação desses clostrídios no intestino. Sintomas principais: diarréia com sangue, dificuldade de se movimentar, depressão e morte rápida (geralmente os animais são encontrados já mortos no pasto). Principais medidas preventivas:
• Vacinação de fêmeas no último mês de gestação e de animais jovens no primeiro mês de vida.
• Controle rígido da quantidade de ração ingerida.
• Tratamento adequado do umbigo dos recém-nascidos.
• Fornecimento de colostro aos recém-nascidos.
O saleiro é o dispositivo empregado para fornecimento do sal mineral aos ovinos e caprinos. Devem ser de fácil acesso aos animais, protegidos do sol e da umidade, e colocados em pontos distantes e opostos às aguadas.
Pode ser feito com pneus usados, madeira, metal, plásticos e diversos outros materiais, existindo uma infinidade de modelos, com alturas, profundidades, larguras e comprimentos diversos.
 
 
Reprodução
Primeiro acasalamento Os bodes e carneiros só devem ser colocados para acasalar (cruzar) com as cabras e ovelhas, respectivamente, depois que atingirem a maturidade sexual, ou seja, depois que aparece o primeiro cio fértil na fêmea e que ocorre a produção e liberação dos primeiros espermatozóides nos machos. Isso só ocorre quando os machos e as fêmeas atingem determinado peso e seus órgãos reprodutores (útero, ovários, vagina, testículos, pênis etc.) completam o seu desenvolvimento. Em geral, os machos estão prontos para cobrirem as fêmeas aos 10-12 meses de idade e as fêmeas estão prontas para serem cobertas aos 9-10 meses. Essa idade pode ser maior ou menor, dependendo da raça e do tipo de alimentação e Maneio que receberam. Uma regra fácil de seguir para saber se uma ovelha ou cabra já está pronta para reprodução é observar seu peso e só colocá-la para acasalar quando ela atingir um mínimo de 70% do peso de uma fêmea adulta da mesma raça. Exemplo: o peso vivo médio de uma cabra Anglonubiana adulta é 40 kg, então uma marrã da mesma raça estará pronta para ser coberta pelo reprodutor quando atingir pelo menos 28 kg de peso vivo.
A utilização de fêmeas muito jovens para reprodução pode prejudicar o seu crescimento, o desenvolvimento da cria e aumentará o risco de ocorrer problemas de parto.
Nas estações de monta realizadas em períodos secos, recomenda-se dar diariamente uma ração suplementar às matrizes e reprodutores a partir de 30 dias antes do início das estações e durante os períodos de monta. a ração vai garantir um maior número de matrizes prenhes ao afinal da estação de monta (Maria 1999).
 
 
 
 
Gestação: diagnóstico e cuidados antes do parto Gestação A gestação é o período que vai desde quando a ovelha ou cabra emprenha até o momento em que a cria nasce ou a matriz aborta. Esse período, em ovinos e caprinos, tem duração média de 152 dias, podendo demorar mais ou menos, de acordo com a época do ano, a quantidade de crias que está na barriga da mãe ou se a fêmea está gorda, bem alimentada, ou emagrecendo demais (FERNANDES, 1989).
CUiDADoS Com AS CRiAS: CoLoSTRo E CURA Do UmbiGo Colostro Logo após o parto, o produtor deve observar se a mãe limpou a cria e iniciou a amamentação da cria. Caso contrário, o produtor deve ajudar nessas duas tarefas, limpando e ajudando a cria a mamar no peito da mãe. O primeiro leite da cabra ou da ovelha é chamado de colostro e é geralmente utilizado pelas crias por um período de dois a sete dias. Mamar o colostro é muito importante para a saúde dos cordeiros e cabritos garantindo- lhe proteção segura contra várias doenças. O colostro é rico em minerais, vitaminas, proteínas e em outras substâncias que limpam os intestinos (efeito laxativo) e protegem contra intoxicações. Essas qualidades do colostro tendem a desaparecer entre 6 e 12 horas, é importante fazer com que a cria mame o colostro logo nas primeiras horas depois do nascimento (João Pessoa 1999).
Diagnóstico de prenhez Os principais sinais observados nas fêmeas que estão prenhes são:
• Não entram mais em cio, enquanto durar a gestação.
• Se desinteressam pelo macho.
• Aumentam os volumes da barriga e do úbere.
• Ficam mais calmas, engordam com facilidade e ficam com o pêlo bonito.
A realização o mais cedo possível do diagnóstico de prenhez é importante (principalmente para quem usa estação de monta) para identificar as fêmeas com problemas reprodutivos, que não emprenharam durante o período de monta. Esses animais deverão ser separados dos lotes das fêmeas prenhes e depois descartados. Com isso, o produtor economiza nas despesas com alimentação, mão-de,obra, e outros itens com animais que não estão produzindo na propriedade.
Para confirmar a prenhez das ovelhas e cabras mais cedo e com maior exatidão, existem hoje diversos métodos modernos destacando-se, como os de mais fácil aplicação no campo:
• Ultra-sonografia – exame só realizado por médico-veterinário com um equipamento especial capaz de ouvir os batimentos do coração do feto a partir de 28 dias após ela ter cruzado com o reprodutor.
• Palpação abdominal externa – exame realizado por técnicos, palpando a parte inferior do flanco direito (“pé- da-barriga”) da fêmea. Só consegue diagnosticar prenhez 80 dias depois da cobertura da fêmea pelo reprodutor.
Cuidados durante a gestação Durante a prenhez, as cabras e as ovelhas precisam receber atenção especial para que o parto ocorra normalmente e as crias nasçam fortes e com saúde. Os principais cuidados que devem ser tomados no Maneio da fêmea gestante são:
• Manter as cabras e ovelhas em boas condições de saúde e bem alimentadas (sem excessos).
• Manter as fêmeas prenhes em lote separado das demais, evitando contatos com animais de temperamento agressivo ou estranhos ao rebanho.
• Ter o máximo de cuidado quando for manejá-las em currais, bretes, balanças, porteiras, evitando traumatismos.
• Evitar mudanças bruscas de alimentação.
• Evitar longas caminhadas e seu transporte em caminhões e picapes.
• Colocar as cabras e ovelhas que estejam perto de parir em piquete maternidade ou em cercado perto da casa do produtor ou do tratador, com sombra à disposição,
• Pouco antes do parto, aparar os pêlos da cauda e manter limpa a região da vulva, com água e sabão (FERNANDES, 1989).
Parto Em geral, nas ovelhas e nas cabras, o parto ocorre de forma normal, sendo pouco freqüente a ocorrência de partos anormais. Bem próximo ao parto, as cabras e as ovelhas podem apresentar os seguintes sinais:
• Volume do úbere aumentado e tetas dilatadas.
• Garupa descarnada e caída.
• Inquietação (deitando e levantando), respiração ofegante, berros freqüentes.
• Presença de corrimento na vulva.
• Contrações (ao iniciar o parto). Em condições normais, o parto tem duração média de trinta minutos. Logo que ocorre o
O cio na ovelha e na cabra Cio, também chamado estro, é o período em que a fêmea, já preparada para emprenhar, aceita o macho para cruzar (diz-se que está “viçando”). A duração média do cio na cabra é de 36 a 48 horas e na ovelha varia de 24 a 36 horas. Se o macho não conseguir emprenhar a fêmea durante essas horas, só poderá tentar novamente quando o cio se manifestar outra vez. O ciclo estral é o período entre o aparecimento de dois cios na ovelha ou na cabra. A cabra entra no cio, em média, a cada 21 dias. A ovelha, entra em média, a cada 17 dias. Os principais sinais observados quando a cabra está no cio são: • A vulva apresenta-se inchada e avermelhada, com a presença de secreção parecida com clara de ovo (muco). • Procura o macho com muito interesse. • Monta e se deixa montar por outras fêmeas ou pelo macho. • Fica agitada, muito inquieta e berra com muita freqüência. • Abana a cauda repetidamente. • Diminui o apetite. A ovelha apresenta os mesmos sinais de cio, porém bem mais discretos, a vulva apresenta-as inchada e avermelhada, com presença de muco e procura o macho( Marta da Silva 2000).
CUiDADoS Com AS CRiAS: CoLoSTRo E CURA Do UmbiGo Colostro Logo após o parto, o produtor deve observar se a mãe limpou a cria e iniciou a amamentação da cria. Caso contrário, o produtor deve ajudar nessas duas tarefas, limpando e ajudando a cria a mamar no peito da mãe. O primeiro leite da cabra ou da ovelha é chamado de colostro e é geralmente utilizado pelas crias por um período de dois a sete dias. Mamar o colostro é muito importante para a saúde dos cordeiros e cabritos garantindo- lhe proteção segura contra várias doenças. O colostro é rico em minerais, vitaminas, proteínas e em outras substâncias que limpam os intestinos (efeito laxativo) e protegem contra intoxicações. Essas qualidades do colostro tendem a desaparecer entre 6 e 12 horas, é importante fazer com que a cria mame o colostro logo nas primeiras horas depois do nascimento (FERNANDES, 1989).
Métodos de reprodução: monta livre, monta controlada e inseminação artificial Os animais podem ser acasalados através do sistema de monta natural a campo, monta natural controlada ou, indiretamente, através da inseminação artificial. Cada sistema apresenta vantagens e desvantagens, devendo ser analisados em função das condições de cada criatório.
MUITAS FÊMEAS PODEM APRESENTAR CIOS NOTURNOS E ALGUMAS PODEM APRESENTAR UMA FORMA DE CIO NãO APARENTE (“CIOS SILENCIOSOS”), MAIS DIFíCIL DE SER NOTADA PELO PRODUTOR OU TRATADOR. ASSIM, ELES PRECISAM ESTAR SEMPRE BEM ATENTOS AO COMPORTAMENTO DESSES ANIMAIS.
Amonta natural livre no sistema de monta natural livre, a campo, o macho permanece continuamente (todo o tempo) junto com as fêmeas e cruza com elas, sem controle, em qualquer época do ano. Dessa maneira, pode haver crias nascendo durante todos os meses do ano. Nesse sistema, o número de machos a ser utilizado é de 1 para cada 2.5-30 fêmeas. A maioria dos criadores de ovinos e caprinos ainda usa o sistema de monta contínua, no qual os reprodutores ficam o ano todo junto com o restante do rebanho. Esse sistema apresenta os seguintes problemas:
• Permite a cobertura de fêmeas ainda muito jovens, prejudicando seu futuro desenvolvimento.
• Dificulta o uso de outras práticas de Maneio do rebanho, como monta controlada (dificulta a identificação de fêmeas que repetem o cio), alimentação diferenciada, tratamento sanitário etc. monta natural controlada No sistema de monta natural controlada, os reprodutores permanecem separados das fêmeas, em pastos cercados ou em baias, e apenas na época planejada para cruzar é que os dois são colocados juntos, por um período de 24 horas, para cruzar. Dessa maneira, as crias só nascem naquelas épocas planejadas para as parições (FERNANDES, 1989).
 
 
 
As fêmeas só são levadas para cruzar se estiverem no cio. Se o cio começar a ocorrer pela manhã, o reprodutor deve ser colocado com a fêmea à tarde; se o cio ocorrer à tarde, o reprodutor deve ser colocado com a fêmea no outro dia pela manhã. Para identificar aquelas ovelhas ou cabras que estão no cio, são colocados animais rufiões para ficarem juntos com as fêmeas no pasto (João Pessoa 1999).
Rufião é um macho, ovino ou caprino, que sofreu uma cirurgia para impedir a saída do esperma ou para desviar o pénis, impossibilitando-o de introduzi-lo na vagina da fêmea. assim, ele fica impedido de emprenhar a fêmea, mas não de montar nela, pois não perde sua atracção sexual por elas.
Eles montam naquelas que estão no cio, identificando aquelas que devem ser levadas para ficarem com os reprodutores. Para facilitar ainda mais a identificação, coloca-se uma pasta colorida no peito do rufião para deixar marcadas as fêmeas montadas por ele. Esse sistema tem a vantagem de reduzir o número de machos necessários em relação à monta livre. Basta um reprodutor para cada 4.0-50 fêmeas.
Inseminação Artificial A inseminação artificial é um método artificial de reprodução em que as fêmeas emprenham sem terem sido cruzadas com o macho. O médico veterinário introduz na vagina da fêmea no cio uma vareta contendo o sêmen (líquido que contém os espermas) retirado anteriormente do macho, geralmente de um reprodutor de alto padrão genético. O sêmen retirado dos machos é congelado e armazenado, em botijões especiais, onde podem durar vários anos. O esperma introduzido chega ao útero, onde se encontra e penetra no óvulo formado nos ovários da fêmea, fazendo com que esta fique prenhe (João Pessoa 1999).
São várias as vantagens da inseminação artificial, podendo ser citadas:
• Dispensa o produtor de comprar e manter machos reprodutores no criatório, comprando só o sêmen e o guardando em botijões na propriedade.
• Permite utilizar machos de grande valor genético mas incapazes de montar as fêmeas naturalmente.
• Possibilita ao ovino-caprinocultor comum, devido ao acessível preço do sêmen, utilizar em sua criação, reprodutores de alto valor econômico criados em outras regiões, ou até em outros países.
• Reduz a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis;
A inseminação artificial só dá bons resultados nas propriedades em que:
• Não haja problemas de oferta de alimentos de boa qualidade para os animais em qualquer época do ano.
• Exista uma infra-estrutura mínima de instalações (pastos subdivididos, currais, bretes etc.).
• Haja um bom sistema de controle sanitário do rebanho.
• Conte com pessoal capacitado para o processo. Estação de monta Estação de monta é o período (ou períodos) do ano em que o produtor coloca os reprodutores para cruzarem com as matrizes ovinas ou caprinas. Nos meses restantes do ano, os machos devem ficar separados das fêmeas para se evitar que fiquem prenhes (karla 2000).
As principais vantagens da estação de monta são:
• Permite concentrar os nascimentos em épocas de boa pastagem, o que é necessário para que as mães dêem leite suficiente para um bom desenvolvimento das suas crias.
• Facilita o Maneio sanitário, concentrando tratos sanitários, vermifugações e vacinações em um mesmo período.
• Facilita a identificação de fêmeas inférteis ou de baixa fertilidade para serem descartadas.
• Produz lotes mais uniformes de animais (da mesma idade e peso) e em épocas de preços de mercados mais favoráveis. Em propriedades que exploram sistemas mais extensivos (muito mais comida no pasto que no cocho) e nunca adoptaram estação de monta, aconselha-se utilizarem uma estação de monta por ano, com duração de 60 a 90 dias. Nesse sistema, cada matriz pare uma única vez por ano.
 
Outra alternativa, mais recomendada para propriedades com sistemas mais intensivos (muito mais comida no cocho do que no pasto) ou semi-intensivos (comida no cocho e no pasto), é programar para as matrizes parirem três vezes a cada 2 anos. Nesse sistema, a duração recomendada de cada estação é de 42 a 51 dias para as ovelhas e 49 a 63 dias para as cabras. Maneio reprodutivo
- Maturidade sexual: a atividade das glândulas sexuais e suas manifestações, ovulação e espermatogênese não duram toda a vida do indivíduo. Durante o primeiro período elas permanecem latentes e só entram em funcionamento na época da maturidade sexual. Esta é em geral tanto mais retardada quanto mais longa é a vida do animal e nas raças elevaria na razão direta da precocidade ou da facilidade de nutrição. O aproveitamento prematuro da função sexual é inconveniente tanto no macho como na fêmea. Em ambos os casos há prejuízo no desenvolvimento normal dos indivíduos, especialmente da fêmea, que, se reproduzir muito jovem, terá que fornecer o material, necessário ao feto em formação e ao seu próprio desenvolvimento. Os Ovinos geralmente atingem a maturidade sexual dos 8 a 10 meses, e estão em idade de reprodução aos 18 meses (Roberto Almeida 2002).
- Instinto genésico: é a tendência natural que todos os animais possuem, ao chegarem à maturidade sexual a fim de perpetuarem a espécie. (nas fêmeas corresponde ao período do cio; o macho é despertado pela presença da fêmea no cio).
- Maturação: Ovogênese; maturação do óvulo, Espermatogênese; maturação do espermatozóide.
- Fecundidade - Macho: a fertilidade varia quanto à quantidade e qualidade dos espermatozóides contidos no líquido seminal. Pode variar de acordo com os casos patológicos, repouso prolongado ou saltos muito repetidos e em intervalos curtos. As temperaturas elevadas prejudicam muito o sêmen do carneiro, podendo causar a infertilidade;�- Fêmeas: o número de óvulos que atingem a maturidade durante o cio da ovelha depende do hormônio secretado pela hipófise anterior. As variações desse hormônio na circulação sanguínea é que determinará as diferenças de fertilidade entre fêmea de uma mesma raça e entre raças distintas (João Pessoa 1999).
Condições essenciais para a reprodução
Há necessidade que as ovelhas estejam fisiologicamente preparadas; que manifestem o cio. A idade indicada para o acasalamento dos ovinos é no mínimo 18 meses (SILVA 2007).
Método: é feita nos currais, onde o carneiro realiza a monta nas ovelhas que apresentam cio. Quando se possui um grande número de ovelhas, usa-se identificar previamente o "rufião" (macho vasectomizado) com buçal marcador (Alvaro 2006).
Época de reprodução: período de janeiro á abril com nascimentos concentrados entre agosto e Setembro (Anita 2010).  
. ��Idade dos reprodutores: deve ser observadas, a fim de evitar o emprego de animais pouco vigorosos, especialmente as ovelhas que devem ser eliminadas da reprodução depois de seis anos (Anita 2010).  ��Percentagem de carneiros: varia de acordo com o tamanho do rebanho e extensão da área, idade dos animais e sistema de criação adotado. Na prática aconselha-se de 3 a 4% de machos (Anita 2010).
Fecundação: é o ato fisiológico, em virtude da reprodução, do qual entram em contato e se fundem numa única célula o espermatozóide e o óvulo, através da cobertura ou padreação (Ricardo 2012).
Desenvolvimento embrionário: a implantação do ovo na parede do útero ocorre nos ovinos durante o 15º ao 20º dia da fecundação. A placenta apresenta "cotilédones" nos pontos de contato efetivo com a mucosa do útero. Período embrionário: 15º dia ou 20º dia até 34º dia. Período fetal: 34º dia até 142º dia ou 148º dia (Ricardo 2012).
Inicio da idade reprodutiva: as fêmeas apresentam cio á partir do 6º mês, mas deverão ser iniciadas à reprodução com 18 meses ou 40 - 50 kg nas raças pesadas e 38 kg nas raças leves, raças deslanadas entre 9 e 10 meses e machos de 12 meses (até 15 fêmeas) e 18 meses (até 50 fêmeas). O cio na ovelha dura de 24 a 48 horas, intervalo de 15 a 20 dias. A ovulação se verifica no terço final do cio (Odeth 2003)
��Escolha de reprodutores: A sua escolha é de fundamental importância para o criador. As fêmeas empregadas na reprodução devem ser fortes, de boa constituição, saúde perfeita, pois o tamanho e a saúde dos cordeiros dependem dessas qualidades. Da escolha do reprodutor depende o melhoramento do rebanho, a conservação da raça em sua pureza, a finura de suas lãs, o ganho de peso (corte), como também a preservação ou aumento de todas as qualidades desejáveis (João Pessoa 1999).
Características masculinas: boca dos animais (agnata/prognata)- idade: boca cheia de dentes +ou - 8 anos; 2 dentes centrais =ou- 2 anos (obs.: Os dentes de leite são pequenos), órgãos reprodutores (testículos presentes, descidos e livres na bolsa escrotal), não deve ter mais que 2 tetos, presença de chifres nas raças mochas (é sinal de degeneração e falta de pureza racial), exame do velo; deve cobrir totalmente o animal, observa-se bem tanto o comprimento, como a forma das mechas; a densidade, finura, ondulação e uniformidade das lãs, devem ser isentas de pêlos, cabruns ou fibras meduladas, aprumos perfeitos, largura do peito, grande afastamento dos membros posteriores, garupa larga, tórax profundo. Linha dorso lombar recta, costado comprimento acentuado, etc. (SILVA 2007).
Estação de Monta
Inicio na reprodução aos 18 meses de idade (não ultrapassar mais de 20 ovelhas); quando o seu crescimento estiver terminado, próximo ao 28º e 30º mês; poder-se-á aumentar o número de ovelhas que não deverá ultrapassar de 60. O mais recomendável é 1 x 30. A época escolhida é ditada pelo momento mais favorável que se apresenta para o nascimento dos cordeiros; entre final de janeiro e meados de abril (nascimentos concentrados entre agosto e setembro (primavera), isto propiciará melhor cobertura do velo, ao entrar no inverno, evitando grande morte de cordeiros, evita-se presença de moscas que provocam bicheiras nos cordeiros, melhor qualidade das pastagens, facilita o Maneio (vermifugação, descola, marcação).
 
 
Para se obter "sincronização de cio", recomenda-se colocar os carneiros no piquete ao lado das ovelhas 15 dias antes da Estação de Monta. Utiliza-se o sistema de Monta Natural ou Monta Controlada. Em monta controlada utiliza-se o "rufião" equipado com buçal marcador(pó xadrez). Separar as fêmeas para cobertura em piquete especial com um macho para 30 fêmeas. As ovelhas falhadas na estação de monta poderão ser submetidas artificialmente a um regime de luz e sombra 8/16 (com um macho, em galpão arejado mas totalmente vedado para luz, no (mês de julho), esperando-se que entrem no cio cerca de 20 dias depois; as ovelhas falhadas deverão ser descartadas. Para rebanhos acima de 500 cabeças pode ser empregada a Inseminação Artificial (SILVA 2007).
Pode-se fazer uso da técnica da sincronização de cios, aplicando-se hormônios para induzir cios, iluminação artificial, meios que facilitariam em muito a inseminação artificial, economizando mão-de-obra.
Cio silencioso: a fêmea não manifesta que está no cio externamente (comportamento), mas o rufião detecta pelo olfacto (Manuel 1998).
Dados reprodutivos:
- Gestação: 05 meses (143 a 156 dias); partos múltiplos: de 3 a 4 �-Lactação: 03 meses �-Descanso: 03 meses �- Cobertura: 01 mês (Roberto 2011)
Flushing Reprodutivo
Para aumentar o número de ovulações, é importante restringir a estação de monta ano máximo 03 meses, mantendo as ovelhas bem alimentadas. O flushing consistirá em melhorar a alimentação das fêmeas fornecendo 200 a 250g de ração/an./dia, e melhores pastagens um mês antes do início da estação de monta.
Cascarreio: as ovelhas deverão estar em pastos de alta qualidade, tranqüilo, não submete-las a partir do 4º mês de gestação a banhos sarnicidas ou vermifugação, aparar a lã dos quartos traseiros em redor das tetas e da vulva (reservando a lã para venda). Após o Cascarreio, separar as fêmeas em piquete maternidade (SILVA 2007).
Sinais da proximidade do parto: flancos deprimidos, ventre caído, mamas com presença de colostro, vulva intumescida, muco, depressão entre as pontas das nádegas e base da cauda devido ao relaxamento dos ligamentos da região. A placenta, após o parto, deverá ser liberada até 2 horas (Eduardo 2010)
Cuidados com o recém-nascido
As ovelhas parem frequentemente dois cordeiros, sendo necessário observá-las pois é comum haver perdas por hipotermia dos cordeiros ou rejeição das crias (João Pessoa 1999).
Cuidados: �- Limpar e secar os cordeiros logo após o parto;�- Cortar o cordão umbilical e desinfetá-lo com solução de iodo;�- Ajudá-lo para mamar o colostro logo após o nascimento;�- Em caso de abandono ou portos múltiplos providenciar o fornecimento do colostro por mamadeiras, ou verificar a adoção por outra fêmea. O fornecimento deverá ser de 500 ml em 03 mamadas.
O início da actividade sexual, tanto em machos como em fêmeas, é de grande importância na exploração animal, principalmente, quanto ao retorno económico da actividade que se inicia, sobretudo, quando os animais entram na fase produtiva ( Beatriz 2001)
A identificação da puberdade é importante para a adequação do Maneio. A definição do momento exato de separação dos lotes de animais entre machos e fêmeas pode otimizar o uso dos futuros reprodutores e matrizes e permitir o melhoramento genético mais eficiente e rápido dos rebanhos (João Pessoa 1999).
 
 
 
 
 
A precocidade sexual está ligada ao desempenho reprodutivo, que por sua vez, reflete na eficiência e lucratividade da pecuária. As características reprodutivas têm um impacto económico cerca de dez vezes maior do que as características associadas ao crescimento. Fêmeas que parem mais cedo têm maior vida reprodutiva que as tardias, por produzir mais crias. Rebanhos com elevado percentual de precocidade sexual e fertilidade possuem maior disponibilidade de animais, permitindo maior intensidade de selecção, e consequentemente, progressos genéticos mais elevados e maior lucratividade. Assim, entre as vantagens na antecipação da idade à puberdade estão: o menor tempo para obter retorno do investimento, aumento da vida reprodutiva e aumento do número de produtos. Com isso, pode-se reafirmar que o desempenho reprodutivo pode ser considerado como a característica econômica mais importante num rebanho. (SILVA 2007).
A puberdade é definida pela capacidade do animal se reproduzir, como resultado do desenvolvimento neuroendócrino que regula a gametogênese. Entretanto, faz-se necessária diferenciar dois conceitos básicos: puberdade e maturidade sexual.
A entrada na puberdade das fêmeas é caracterizada pela primeira ovulação, acompanhada pelo desenvolvimento de um corpo lúteo capaz de se manter durante um ciclo estral completo. Esta deve ocorrer entre 6 e 8 meses de idade para as cabritas e, 7 a 10 meses para as cordeiras, dependendo de fatores corporais, genéticos e ambientais.
Já a maturidade sexual pode ser definida quando o animal atinge a fertilidade funcional, fisiológica e comportamental, ou seja, a idade em que o animal atinge todo o seu potencial reprodutivo (SILVA 2007)��Pode ser visto a campo, que novilhas acasaladas no terceiro estro apresentam taxas de concepção maiores que aquelas do primeiro estro, pois normalmente no início da puberdade o estro não é acompanhado de ovulação, indicando a não confirmação da maturidade sexual. Também é comum observar que, novilhas que emprenham precocemente apresentam comprometimento do seu crescimento corporal final. Isto pode ser explicado pelo fato que os processos reprodutivos, como a gestação, exigem muitos gastos de energia e nutrientes, já que precisa garantir a manutenção e o crescimento de um novo indivíduo, além de preparar a glândula mamária para produzir leite, garantindo a sobrevivência da(s) cria(s). Assim, pode haver detrimento dos gastos de nutrientes do crescimento para a reprodução, caso o suprimento nutricional não seja suficiente para garantir o desenvolvimento das duas funções fisiológicas (Janeth Alvaro 2005)��
 
No caso dos machos, a puberdade ocorre, em média, 6 a 7 meses de idade para caprinos e ovinos e, é marcada pela apresentação dos primeiros instintos reprodutivos (monta em machos e em fêmeas, interesse sexual, disputas por dominância e início da caracterização fenotípica masculina), muito antes de apresentarem início da produção espermática. Já, a maturidade sexual será atingida no momento em que o sêmen apresentar parâmetros desejáveis para um reprodutor (concentração, vigor, motilidade espermática, volume de ejaculado e redução das patologias espermáticas a níveis aceitáveis) (João Pessoa 1999).
Portanto, para o reconhecimento da maturidade sexual nos machos é importante o acompanhamento periódico e sequencial da evolução das características do sêmen do indivíduo, até a estabilização do quadro espermático, considerando, principalmente, os aspectos qualitativos do e jaculado (FERNANDES, 1989).
A idade à puberdade, para ambos os sexos, depende de fatores corporais, genéticos e ambientais. Entre eles, pode-se citar a influência da raça, interação social (presença de macho ou de fêmeas já púberes no lote), taxa de crescimento do indivíduo e, principalmente, do nível nutricional. No caso dos pequenos ruminantes, que apresentam estacionalidade reprodutiva, a época do nascimento irá influenciar diretamente sobre a idade em que atingirão à puberdade, que acontecerá na subsequente estação de ciclicidade ( Elder de Castro 2002)
A idade à puberdade, indicadora da precocidade sexual dos animais, é uma importante característica reprodutiva a ser considerada nos programas de melhoramento. Segundo Macneil (1984) a herdabilidade da idade à puberdade é relativamente alta (0,61) permitindo seleção através deste fenótipo. No entanto, do ponto de vista prático, no sistema de criação extensivo, há dificuldade em se caracterizar a primeira ovulação e a produção adequada de espermatozóides, para que possa ser utilizada como ferramenta para o melhoramento. Desse modo, os critérios de seleção para se reduzirem a idade à puberdade não são facilmente caracterizados (Macnei.1984)��
Independente do sexo, a determinação da idade à puberdade envolve cuidadosa e laboriosa coleta de informações, sendo que nos machos, envolve coletas sequenciais de sêmen em todos os candidatos à seleção. Já, a antecipação da idade reprodutiva das fêmeas pode ser obtida ao selecionar as novilhas para a menor idade ao primeiro parto, uma vez que a identificação da idade à puberdade apresenta dificuldades práticas para a aplicação em criações extensivas. Um fator limitante na utilização da idade ao primeiro parto como critério de seleção para precocidade sexual é o tempo demandado para a expressão desta característica (FERNANDES, 1989).��A possibilidade da identificação de variáveis fisiológicas em novilhas pré-púberes relacionadas à fertilidade precoce permitirá antecipar o processo de seleção com potencial para precocidade, diminuindo o intervalo entre a observação do evento e seleção. Entretanto, múltiplos eventos e uma sequencia de modificações fisiológicas marcada por uma interação de genes estão relacionados à puberdade. E como há limitação de informações em muitas variáveis reprodutivas, as abordagens de melhoramento empregadas atualmente levam em consideração apenas características zootécnicas desejáveis e possíveis de serem observadas em animais à campo (João Pessoa 1999). Período correto de reprodução dos ovinos
A escolha da época para a realização da estação de reprodução deve ser baseada em uma série de variáveis respeitando-se as condições climáticas da região, a capacidade de reprodução do macho e da fêmea, a disponibilidade de alimento durante os períodos de nascimento das crias e de lactação, entre outros. Nesse sentido, três requisitos devem ser observados para determinação da melhor época de acasalamento:
a) deve corresponder ao período de maior atividade sexual das ovelhas e de melhor produção de sêmen pelos carneiros no caso de raças sazonais;
b) permitir o nascimento dos cordeiros em uma época favorável para a lactação da ovelha e para a sobrevivência da cria;
c) considerar o melhor momento para a comercialização dos produtos (FERNANDES, 1989).
Outro ponto que deve ser observado quando se objetiva uma maior eficiência reprodutiva, é manter as matrizes ganhando peso (status anabólico) durante todo o período de acasalamento. As ovelhas que ganham peso antes e durante o período de acasalamento apresentam maior fertilidade, resultando em menor número de ovelhas vazias, bem como maior taxa de partos gemelares.
No caso de fêmeas sazonais, a época do ano destinada à estação reprodutiva, quando se objetiva um parto ao ano, deverá ter início 90 a 100 dias antes do início do inverno. Dessa forma, o período de maior fertilidade dos animais é aproveitado, podendo inclusive minimizar os custos com a nutrição da matriz no pré e pós-parto. Entretanto, nesse caso, deverá existir a preocupação com a alimentação dos cordeiros após o desmame (Bárbara) .
Quando a raça trabalhada não apresentar estacionalidade reprodutiva, devem-se levar em conta os aspectos econômicos e realizar a estação de monta visando o abate dos cordeiros nos meses do ano em que a demanda é maior. Este recurso também pode ser utilizado em raças sazonais, porém será necessária a utilização de ferramentas (tratamentos hormonais, programas de luz, “flushing”, entre outros) para que as matrizes entrem em cio na época esperada( silva 2001).
Observando os fatores citados anteriormente (disponibilidade de alimentos, época de abate, facilidade de Maneio), pode-se trabalhar com uma ou mais estações reprodutivas por ano dependendo do nível de intensificação da propriedade. Em sistemas pouco intensificados geralmente é utilizada apenas uma estação de monta por ano, na qual o lote de matrizes fica com o reprodutor por um período pré-estabelecido, que em geral é de dois a três meses. Utilizando apenas esse recurso já é possível concentrar os períodos de nascimento, de desmama e de abate. É importante ressaltar que essa concentração de nascimentos pode não ser interessante dependendo do objetivo da criação. Em alguns casos particulares, a manutenção do reprodutor com as matrizes ininterruptamente durante todo o ano pode ser a alternativa mais viável (Jose da silva).
História da raça: ovino pantaneiro.
Em sistemas de baixa a média intensificação, podem ser definidas duas estações reprodutivas por ano, sendo necessário dividir as matrizes em dois lotes, obtendo dois períodos de nascimento e dois de abate a cada ano. Existe ainda a opção, para sistema mais tecnificados, de realizar três estações por ano. Nesse caso, serão formados dois lotes que entrarão em monta alternadamente (a cada oito meses), obtendo-se por ano três períodos de nascimento, desmama e abate. Ao utilizar este sistema é possível atingir três partos em dois anos e planejar as coberturas de forma a obter cordeiros para abate nas três épocas do ano em que ocorre maior demanda. O número de matrizes em cada lote deve ser definido de acordo com a disponibilidade de recursos e também com a demanda regional dos produtos (SILVA 2007).
Nesta etapa vale lembrar que um dos pontos de estrangulamento da cadeia produtora de ovinos é a falta de constância no abastecimento de produtos ao mercado consumidor. Este fato deve ser levado em conta no momento de definir a estação reprodutiva. No local onde a propriedade se encontra, é melhor ofertar poucos cordeiros para o abate durante todo o ano ou fornecer uma maior quantidade de animais em determinados períodos (João Pessoa 1999).
Em um sistema de três parições por ano, pode-se realizar até doze estações reprodutivas anuais. No entanto, este tipo de Maneio só pode ser adotado em propriedades altamente tecnificadas, com grande número de animais e piquetes e/ou baias para dividir o rebanho em vários lotes de Maneio, além de organização, mão de obra qualificada e acompanhamento técnico minucioso e frequente das atividades na fazenda. Nesta situação é ainda mais difícil utilizar raças sazonais devido ao alto custo do tratamento hormonal para indução de cio. Com esse Maneio é possível distribuir de uma maneira mais uniforme a produção de cordeiros para abate ao longo de todo o ano .
Independente do sistema escolhido para realizar os acasalamentos, a adoção de Maneio sanitário enutricional adequados antes e durante as épocas de cobertura é obrigatória. Cuidados especiais devem ser tomados no terço final da gestação e após o parto quando ocorre a maior exigência nutricional das fêmeas para a engorda do cordeiro e lactação (Abraão 2009).
 
 
 
 
 
 
1.7.1 Maneio SANITÁRIO
Entende-se por Maneio sanitário um conjunto de medidas cuja finalidade é proporcionar aos animais óptimas condições de saúde. Através dos procedimentos que compõem o Maneio sanitário, busca-se evitar, eliminar ou reduzir ao máximo a incidência de doenças no rebanho, para que se obtenha um maior proveito do melhoramento genético (CARVALHO 2013).
O Maneio sanitário, segundo os mesmos autores, é fundamental para os resultados económicos quando tratamento se qualquer actividade relacionada com animais. Pois, toda a actividade depende do estado de higidez de cada um dos animais que compõem o rebanho. Ainda por CARVALHO, deve ser estabelecido um calendário ou cronograma de práticas sanitárias, de acordo com a idade dos animais e suas necessidades. Procurando sempre adequar às regiões ou mesmo, às propriedades, segundo a possibilidade de ocorrência de doenças (FERNANDES, 1989).
Conhecendo os sinais de doença e saúde O ovino ou o caprino sadio se conhece facilmente porque apresenta:
• vivacidade (ativo).
• apetite normal (come com prazer alimentos que são oferecidos).
• pêlos lisos e brilhantes.
• temperatura do corpo que varia de 38,5ºc a 39,5ºc.
• fezes em forma de bolotas brilhantes e urina de coloração própria.
• ruminação presente (remoendo).
• desenvolvimento corporal compatível com a idade e a raça.
Já quando está adoentado é reconhecido porque apresenta um ou mais dos seguintes sinais e sintomas:
• tristeza, abatimento, olhos brancos (anêmicos).
• isolamento do rebanho (fica retraído).
• diminuição do apetite ou apetite depravada (comer areia, plástico, papel).
• queda de pêlos, pêlos sem brilho e arrepiados.
• temperatura do corpo acima de 40ºc.
• fezes pastosas ou com diarréia (mole, com mau cheiro, com sangue, escuras).
• urina de coloração escura, vermelha e com cheiro diferente.
• atraso no crescimento (animal raquítico).
• diminuição na produção de leite e de carne.
DEPENDENDO DA DOENÇA DIAGNOSTICADA, O ANIMAL EM ISOLAMENTO Só DEVERÁ VOLTAR PARA O REBANHO QUANDO ESTIVER TOTALMENTE CURADO.
Descarte por questão sanitária É uma prática utilizada para retirar do rebanho animais com doenças ou defeitos crônicos e animais portadores de zoonoses (doenças que se transmitem ao homem), através do abate ou sacrifício. Devem ser sacrificados, por exemplo, animais que apresentem:
• Brucelose.
• Raiva.
• Tuberculose.
• Matrizes com mastite crônica (úbere “duro”).
Devem ser abatidos, por exemplo, animais que apresentem:
• Artrite-encefalite caprina a vírus (CAE).
• Machos caprinos mochos (sem chifre) de nascimento.
• Doença crônica nos cascos.
• Animais que apresentaram linfadenite caseosa (mal-do-caroço) mais de duas vezes.
Algumas medidas gerais de Maneio sanitário são citadas a seguir:
- Evitar superlotação, pois o excesso de animais proporciona privação de alimento, brigas, facilita a transmissão de doenças, etc;
- Evitar o uso de produtos tóxicos nas habitações dos animais. O combate aos insectos, roedores, etc., deve ser feito com produtos seguros e nas dosagens corretas;
- Corte e desinfecção do umbigo dos recém-nascidos com tintura de iodo;
- Fornecimento do colostro aos recém-nascidos, nas primeiras 6 horas após o parto;
- Verificar se a mãe expulsou a placenta;
- Verificar sempre o estado de saúde dos animais (qualidade da pele, o olhar, o estado geral, as fezes, corrimentos, diarréia, ferimentos, fraturas, comportamento, etc.);
- Mantenha as instalações, equipamentos, recipientes para comida e água sempre limpos e desinfectados;
- Combater os insetos (moscas) e roedores;
- Quarentena para novos animais que serão introduzidos na propriedade (CARVALHO 2013)
. Em geral, segue-se o seguinte esquema profilático:
- A vacina contra clostridioses é aplicada um mês antes do parto nas ovelhas e, nos cordeiros, é dada 15 dias antes do desmame e 15 dias após;
- O controle da verminose é feito mensalmente através de exame de OPG;
- Um mês após a tosquia, em animais lanados, é utilizado um banho de imersão preventivo contra ectoparasitas;
- Faz-se o casqueamento e pedilúvio preventivo dos animais em setembro e janeiro;
- Em maio e novembro aplica-se a vacina conta Febre Aftosa;
- Uma vez por ano vacina-se contra raiva, em regiões endêmicas, como Botucatu, atualmente (CARVALHO 1987).
1.8 Maneio HIGIÊNICO-SANITÁRIO
Para que a criação de ovinos tenha sucesso, alguns cuidados essenciais não podem ser esquecidos. O criador deve correr diariamente a criação para verificar nascimentos, óbitos e doenças. Deve também observar os cascos periodicamente, cortá-los e tratá-los se necessário. Ferimentos devem ser desinfectados e tratados com medicamento repelente de insectos para evitar o aparecimento de miíases, problema comum em ovinos (SILVA 2007).
As principais causas de mortalidade entre os cordeiros são a hipotermia, logo após o nascimento, e as verminoses, principalmente a haemonchose, e entre os adultos, a chamada podridão do casco (foot-rot). Todas podem ser evitadas com Maneio higénico-sanitário correto. Efectuar Maneio dirigido a prevenção contra verminoses (rodízio de pasto e Maneio por categoria), febre aftosa e carbúnculo (vacinações), além dos cuidados básicos de higiene sempre que forem realizadas intervenções, como castração, descola, e até mesmo a tosquia, desolhe e cascarreio. Higienizar instalações, pastos e piquetes (OTTO DE SÁ 2013).
Vacinar as ovelhas prenhes contra enterotoxemia e tétano no 3º mês de gestação, e os filhotes contra aftosa no 3º mês de vida (revacinando a cada 04 meses ou de acordo com o calendário de vacinação contra aftosa estabelecido pela Secretaria da Agricultura do Estado). Fazer exame de fezes e vermifugação do rebanho periodicamente. Não descuidar da alimentação, procurando fornecer pasto de boa qualidade, suplementando, se necessário, com feno ou outras fontes de volumosos. Fornecer ração e sais minerais. Examinar a fonte de água (natural ou artificial) e manter bebedouros limpos. Descartar animais fracos ou doentes crónicos, pois comem mais do que produzem. Evitar a presença de gatos, pois podem transmitir doenças aos ovinos (OTTO DE SÁ 2013).
CONTROLE SANITÁRIO DE CAPRINOS E OVINOS 2
4. CONTROLE SANITÁRIO É uma ação de fundamental importância para a sustentação da atividade, pois, animais doentes têm queda na produção de carne e leite, assim como diminuição da fertilidade. É necessário entender que as medidas preventivas devem ser implantadas para um melhor ganho na produtividade. Principais medidas preventivas em função deste controle:
1. Introdução de novos animais ao rebanho Na aquisição de animais devemos exigir atestados de vacinas e certificados de ausência de algumas doenças. Nunca devemos misturar estes ao rebanho sem uma prévia observação (quarentena) em local separado. Desta maneira estará evitando a introdução de novas doenças (João Pessoa 1999).
2. Desinfecção do Umbigo Após o nascimento, o umbigo do cabrito deve ser cortado a uma altura de dois dedos (3cm) e imerso em solução de iodo a 10%. Este procedimento evitará que o umbigo sirva de porta de entrada para doenças oportunistas.
3. Ingestão do Colostro Nas primeiras horas de vida, o cabrito deve ingerir o colostro. Este procedimento o tornará mais resistente às doenças. Caso este procedimento não seja possível, o Tratador poderá seguir os seguintes caminhos: utilizar colostro retirado de outras cabras ou usar colostro artificial.
4. Isolamento de Doentes Animais suspeitos de doenças e em tratamento devem ser isolados e medicados. Só devem retornar ao rebanho quando sua saúde estiver recuperada.
5. Higiene das instalações .Os caprinos e os ovinos são animais sensíveis ao frio e à umidade. Portanto, estes devem ser alojados em locais secos e limpos. O acúmulo de fezes em apriscos favorece a contaminação dos animais. Estas devem ser retiradas com freqüência e colocadas em esterqueiras para um aproveitamento posterior na readubação das pastagens. Deve-se evitar o acúmulo de restos de alimentos em comedouros, os bebedouros devem ter sempre água de boa qualidade e esta deve ser substituída com freqüência evitando desta forma o surgimento de possíveis doenças.
6. Controle Parasitário Entre as enfermidades que acometem caprinos e ovinos, as parasitoses ocupam lugar de destaque. Devemos, pois, procurar alternativas que favoreçam a quebra do ciclo parasitário. Com relação aos pastos podemos realizar rotações de pastagens e não permitir aglomeração de animais em fontes d’água (FERNANDES, 1989)
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