Japão Através da História do Governo Japonês/A Reforma Taika: diferenças entre revisões

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(Criou a página com "==IV - A Reforma Taika - 645-708 d.C.== Foi no ano 645 d.C. que um pequeno grupo de simpatizantes das instituições imperiais, sob a liderança de dois verdadeiros estadis...")
 
 
Desde a conquista do sul da ''Coreia'', que a tradição atribui à ''Imperatriz Jingū'', seus reinos não apenas renderam tributos com artigos valiosos, mas também conferiram benefícios ao seu suserano, contribuindo para a civilização material e moral. No entanto, o intervalo que separou os dois países dificultou a comunicação e, embora o ''Japão'' estabelecesse um governo de sucursal na ''Coréia'' em um lugar chamado ''Mimana'' (''Confederação Gaya''), os coreanos, confiando na distância da capital japonesa, freqüentemente agiam de maneira rebelde. Durante um intervalo de 460 anos após a invasão lendária da ''Imperatriz Jingū'', nada menos que trinta casos foram registrados quando os coreanos se negaram a enviar tributo, insultando os enviados japoneses ou mesmo entraram em revolta aberta. Em todas as ocasiões, o ''Japão'' enviou embaixadas para exigir explicações e reparações, ou reafirmava sua supremacia pela força das armas. O ''Reino de Silla'', em 562 lutou contra a ''Confederação Gaya'' e conseguiu expulsar os oficiais japoneses e conquistou suas terras. Este desastre pesou muito na mente do ''Imperador Kimmei'', cuja última ordem proferida em seu leito de morte era que ''Gaya'' deveria ser recuperada. Um grande exército foi enviado contra o ''Reino de Silla'', mas o sucesso na campanha não chegou às armas japonesas. Não só foi impossível enfrentar ''Silla'', como até a defesa de ''Gaya'' provou ser uma tarefa além da força militar da época. A partir daí, a recuperação de ''Gaya'' tornou-se um objetivo sobre o qual a atenção do ''Japão'' estava sempre concentrada. Quando em ''618'' a China caiu sob a poderosa influência da ''Dinastia T'ang'', o povo de ''Silla'', contando com a assistência chinesa, concebeu o projeto de conquistar o reino vizinho de ''Baekje''. Vendo seu reino se encolher a cada dia, ''Baekje'' enviou em ''660'' embaixadores para buscar socorro do ''Japão''. Depois de considerável discussão, o governo japonês resolveu empreender uma expedição contra ''Silla'' em grande escala. Grandes preparativos foram organizados na base. O própria ''Imperatriz Saimei'' dirigiu-se a ''Kyūshū'' e supervisionou o envio de uma frota de cem navios de guerra sob o comando de ''Azumi no Hirafu'' (conhecido como ''Abe no Hirafu''), cujas instruções eram atacar ''Silla'' e resgatar ''Baekje''. Mas ''Baekje'' já estava sitiada. Invadida simultaneamente pelas forças da ''China'' e de ''Silla'', também estava dilacerada por dissensões internas e não podia cooperar de maneira eficaz com a marinha japonesa, que consequentemente se retirou, deixando ''Baekje'' a seu inevitável destino. A queda final de ''Baekje'' ocorreu em ''670'', e alguns anos depois o terceiro reino coreano de '' Goguryeo'' também foi derrotado pela ''China''. ''Silla'' posteriormente enviou algum tributo ocasional ao Japão, mas nunca foi incluído nos domínios japoneses. O ''Imperador Tenchi'', revisando a história das relações de seu país com a ''Coréia'', parece ter chegado à conclusão definitiva de que a política mais sábia estava em abandonar toda a ideia de recuperar ''Gaya'' e dedicar as energias do ''Japão'' unicamente para a organização de medidas de defesa contra ataques estrangeiros. Portanto deveria promover todos os meios possíveis para obter uma eficiência militar. Deve ser lembrado que o Japão não apenas gastou dinheiro e sangue na ''Coréia'', mas também sobreviveu aos dias em que a influência civilizadora do continente passava através da península e como já estavam ligados diretamente China não precisavam deste desvio. Foi durante o reinado do ''Imperador Tenchi'' que a ''China'' enviou um embaixador à corte do ''Japão'', e por sua vez o Japão enviou uma embaixada em troca, de forma que os dois impérios passaram a ter relações mais amigáveis ​​do que antes.
 
Se a extensão dos domínios japoneses sofreu redução no oeste, recebeu entretanto um incremento no norte pela sujeição de algumas tribos que até agora conseguiram viver fora do domínio da ''Corte de Yamato''. Deve ser lembrado que a revolta dessas tribos, conhecidas genericamente como ''Emishi'', ou ''Ebisu'', fora suprimida pelo ''Príncipe Yamato Takeru'', mas mais ao norte, na ilha de ''Ezo'', a atual ''Hokkaido'', a influência imperial tinha apenas um reconhecimento parcial. Lá, os ''Emishi'' não só estavam inquietos, mas também geralmente tinham a simpatia e apoio de seus parentes através das águas, assim como em tempos antigos, os ''Kumaso'', os autóctones de ''Kyūshū'', habitualmente defendiam a causa da ''Coréia'' em qualquer conflito contra o ''Japão''. O governo sempre se viu obrigado a empreender uma campanha dupla em tempos de dificuldade com a ilha ao norte ou com a península a oeste. Devido a essas dificuldades, foram construídos fortes, cerca de 650, nos distritos de ''Nutari'' e ''Iwafune'' na ''Província de Echigo'', e guarnecidos por guardas daquela província e da ''Província de Shinano'', com o propósito de manter os aborígenes de ''Ezo'' no controle. A condição instável destes distritos periféricos pode ser inferida a partir de uma sanção contemporânea como foi a ''Reformae Taika''. Nela existia um interdito geral que foi então emitido proibindo a posse não autorizada de armas e armaduras por pessoas comuns, os moradores nas regiões remotas do leste habitadas pelos ''Emishi'' foram isentas desta proibição.
 
Durante os anos 658-660, no reinado da ''Imperatriz Saimei'', ''Abe Hirafu'' (também conhecido como ''Abe no Omi'') um importante governador das ''províncias de Koshi'' (''Echigo'' e ''Uzen''), conduziu campanhas bem sucedidas contra os autóctones de ''Ezo'', quebrando seu poder e destruindo seus navios de guerra até que finalmente invadiu a Manchúria, à frente de uma força composta por ''Emishi'' subjugados, e cortou a fonte da qual os insurgentes normalmente haviam obtido socorro. O resultado desta campanha foi que os ''Emishi'', em sua maior parte, se renderam ao domínio ''Yamato'' e ''Gunryō'' (chefes administrativos) foram enviados para ''Shiribeshi'' em ''Hokkaido''. Insurreições freqüentes, no entanto, continuavam a acontecer, até que finalmente foi necessário construir os castelos de ''Taga'' e ''Akita'', onde tropas foram mantidas para preservar a ordem.
 
Algumas expedições em larga escala também foram organizadas contra eles sob o comando de ''Shoguns'', indicados diretamente pelo ''Imperador'', é a abreviação de ''Seii Taishōgun'' (lit. "Grande General Apaziguador dos Bárbaros"), nomeação que até 1192 fora temporária e utilizada para se referir ao general que comandava o exército enviado a combater os ''Emishi''.
 
Somente em 796, durante o reinado do ''Imperador Kammu'', os autóctones foram efetivamente submetidos. A campanha contra eles na época foi dirigida por um renomado comandante, ''Sakanoue no Tamuramaro'', que, à frente de um grande exército, penetrou nos limites dos distritos rebeldes, matando todos os que se recusavam a se render. As façanhas desse general ficaram atrás apenas para as de seu antecessor ''Abe Hirafu''. Não apenas o domínio da corte imperial se estendeu ao leste e ao norte, mas também no sul em várias ilhas - ''Tokuara'', ''Tane'', ''Yaku'', ''Amami'', ''Toku'' e outras que situavam-se ao longo das costas das províncias de ''Satsuma'' e ''Ōsumi'' foram adicionadas aos domínios japoneses.
 
Uma curiosidade sobre os cabeludos ''Ainus'' do norte do ''Japão'' é que eles tratam seus ursos com extrema devoção. Eles pegam o urso quando muito jovem e o alimentam com o leite humano, uma ama-de-leite é indicada para ele. Então o urso é colocado em uma gaiola onde fica até ter idade suficiente para ser sacrificado. No dia do sacrifício toda a aldeia é armada com arcos e flechas, a gaiola é aberta e cada um se esforça para acertar a seta fatal. O chefe pede ao urso que os perdoem pela violência que lhe foi feita, solicita bençãos da carcaça agora deificada e apresenta as oferendas. Eles então decapitam e esfolam o urso, e começam uma orgia que dura vários dias.
 
Vamos ver agora quais incidentes importantes ocorreram durante esse período em torno da pessoa do Imperador. No terceiro ano do reinado do ''Imperador Tenji'', ''670'', o célebre estadista da ''Reforma Taika'', ''Nakatomi no Kamatari'' morreu. Ele havia sido elevado à posição de ''Naidaijin'' (Ministro do Interior) e recebera o nome familiar de ''Fujiwara'', como reconhecimento por seus serviços bem prestados. ''Kamatari'' foi um homem de lealdade e integridade absolutas. Seu zelo no serviço do Imperador era inabalável, e mostrou grande habilidade em organizar leis e regulamentos úteis, de modo que, após sua morte, as pessoas falavam dele como um modelo de fidelidade. Dois anos mais tarde, o próprio Imperador, formalmente o líder das reformas desde ''645'', morreu, deixando para trás uma reputação de bom governo, que teve uma lembrança tão grata que, mais de um século depois, o ''Imperador Kammu'' promulgou uma lei dispensando o governo de fazer a observância das cerimônias religiosas nos aniversários das mortes de soberanos falecidos em períodos remotos, o sentimento público fez com que o ''Imperador Tenji'' não fosse dispensado dessa honra. No entanto, ''Tenji'' mal tinha sido colocado para descansar quando uma perturbação grave ocorreu com referência ao seu sucessor. De acordo com a regra da primogenitura seguida no Japão, o cetro foi legado ao príncipe de sangue mais velho com uma regularidade quase invariável durante as treze gerações de ''Jimmu'' a ''Seimu''; e durante as trinta e duas gerações, de ''Jimmu'' a ''Sujun'', nenhuma mulher deteve o cetro, pois, embora a ''Imperatriz Jingū'' fosse regente por sessenta e nove anos, ela nunca foi investida com o título de soberano.
 
A ascensão da ''Imperatriz Suiko'' ocorreu devido a circunstâncias excepcionais, e não se tornou uma quebra reconhecida das regras antigas. Subsequentemente, no entanto, ocorreram vários casos em que o cetro acabou caindo nas mãos de um tio ou sobrinho de um imperador falecido, e nessas ocasiões este evento era acompanhado por alguma inquietude. Mas nenhum distúrbio relacionado com tal causa atingiu algo parecido com as dimensões do problema que se seguiu à morte do ''Imperador Tenji''.
 
A seguir, uma breve tabela genealógica dos soberanos desse período de sucessões disputadas:
 
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36. Imperador Kōtoku. (645 - 654 d.C.)<br>
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37. Imperatriz Saimei. (655 - 661 d.C.)<br>
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38. Imperador Tenji. (661 - 672 d.C.)<br>
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39. Imperador Kobun. (672 d.C.)<br>
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40. Imperador Tenmu. (672 - 686 d.C.)<br>
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41. Imperatriz Jitō. (686 - 697 d.C.)<br>
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42. Imperador Mommu. (697 - 707 d.C.)<br>
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43. Imperatriz Gemmei. (707 - 715 d.C.)<br>
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44. Imperatriz Gensho. (715 - 724 d.C.)<br>
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45. Imperador Shōmu. (724 - 749 d.C.)<br>
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46. Imperatriz Koken. (749 - 758 d.C.)<br>
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47. Imperador Junnin (758 - 764 d.C.)<br>
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