A história do Japão da Cambridge/O século da reforma: diferenças entre revisões

m
Antes de traçar o processo pelo qual as bases institucionais foram estabelecidas para tal desenvolvimento cultural, vamos examinar brevemente o uso cada vez mais amplo do sistema chinês de escrita no ''Japão''. Durante séculos, os japoneses viram caracteres chineses esculpidos em espelhos, selos e espadas importados. Supõe-se que no ''século V'' os japoneses mantinham vários tipos de registros escritos em chinês, embora apenas as inscrições em espelhos e espadas, e o memorial que o ''Imperador Yūryaku'' dirigiu à ''Corte Sung'' em ''478'', tenham sido preservados. Mas o que chegou até nós apóia a suposição de que as primeiras crônicas do ''Japão'', particularmente o ''Nihon shoki'' e o ''Kojiki'', foram baseadas em fontes do ''século V'' e ''VI'', que não existem mais, bem como em informações obtidas das crônicas de ''Paekche''.
 
Embora o conhecimento da escrita deva ter sido usado naqueles anos de pré-ilumismo principalmente para manter contas, verificar compromissos de Estado e certificar linhas de descendência genealógica, alguns itens do ''século VI'' no ''Nihon shoki'' apontam para um interesse crescente em outros tipos de materiais escritos. Por exemplo, um registro do ano ''513'' afirma que o rei de ''Paekche'' (''Muryong'') enviou, como tributo, um estudioso dos ''Cinco Clássicos Confucionistas''. <ref> A autenticidade deste registro é reforçada por um comentário entre parênteses de que o nome da pessoa japonesa que participa da missão foi escrito de maneira diferente da que estava em um registro dos anais de ''Paekche'', ver ''Keitai 7/6, ''Nihon Koten Bungaku Taikei'' (NKBT) 68 28-29''.</ref> E três anos mais tarde ''Paekche'' enviou outro estudioso confuciano para substituir aquele que havia chegado em ''513''. <ref> ''Keitai 10/9, NKBT 68 33-35''</ref> Como observamos no Capítulo anterior, os contatos de ''Paekche'' com a ''China'' foram em grande parte com as ''Cortes do Sul'', uma conclusão documentada em um registro do ''Liang shu'' (a história dinástica dos ''Liang'') relata o envio de um estudioso de ritos confucianos (''li'') para ''Paekche'' em ''541''. A partir de tais evidências errôneas, supõe-se que as idéias confucianas estavam chegando ao ''Japão'' várias décadas antes de ''Soga no Umako'' tomar o poder em ''587'', através de ''Paekche'' vindas da ''Corte de Liang''. <ref> Inoue Mitsusada, “Teiki kara mita Katsuragi no uji,” in Inoue Mitsusada, ''Nihon kodai kokka no kenkyu'' (Tokio: Iwanami shoten, 1965). </ref>
 
Mas livros sobre outros assuntos também estavam chegando, e muitos foram fornecidos em resposta a pedidos específicos feitos por um soberano japonês. A evidência mais convincente sobre um interesse mais amplo e profundo no aprendizado chinês aparece em um registro do ''Nihon Shoki''. Depois de enunciar que os embaixadores de ''Paekche'' vieram pedir ajuda militar, o registro afirma que cinco eruditos dos ''Clássicos Confucianos'' vieram junto com os embaixadores para substituir um erudito confuciano enviado ao Japão em uma data anterior e que nove sacerdotes budistas também vieram para tomar o lugar de outros sete que iriam retornar. Para encerrar, os registros acrescentam que alguns especialistas chegaram a ''Yamato'' de ''Paekche'' em substituição a outros: um adivinho, um especialista em calendário, um médico, dois herboristas e quatro músicos. <ref> ''Kimmei 15/2, NKBT 68 108-109''</ref> Quando relacionamos essa referência com os achados arqueológicos do ''século VI'' e as ações oficiais tomadas durante o período do Iluminismo, vemos que um número cada vez maior de funcionários da Corte estava ciente – muito antes da tomada do poder pelos ''Soga'' – dos benefícios políticos e pessoais a serem obtidos de saber ler e escrever caracteres chineses. Ou seja, esses funcionários estavam aprendendo sobre as idéias chinesas de governança, conforme estabelecidas nos textos confucionistas, adotando símbolos budistas e práticas favorecidas pelos chineses, e estudando adivinhação chinesa, calendários, medicina, ervas e música.
 
{{referências|Notas}}
99

edições