A história do Japão da Cambridge/O século da reforma: diferenças entre revisões

 
Mas livros sobre outros assuntos também estavam chegando, e muitos foram fornecidos em resposta a pedidos específicos feitos por um soberano japonês. A evidência mais convincente sobre um interesse mais amplo e profundo no aprendizado chinês aparece em um registro do ''Nihon Shoki''. Depois de enunciar que os embaixadores de ''Paekche'' vieram pedir ajuda militar, o registro afirma que cinco eruditos dos ''Clássicos Confucianos'' vieram junto com os embaixadores para substituir um erudito confuciano enviado ao Japão em uma data anterior e que nove sacerdotes budistas também vieram para tomar o lugar de outros sete que iriam retornar. Para encerrar, os registros acrescentam que alguns especialistas chegaram a ''Yamato'' de ''Paekche'' em substituição a outros: um adivinho, um especialista em calendário, um médico, dois herboristas e quatro músicos. <ref> ''Kimmei 15/2, NKBT 68 108-109''</ref> Quando relacionamos essa referência com os achados arqueológicos do ''século VI'' e as ações oficiais tomadas durante o período do Iluminismo, vemos que um número cada vez maior de funcionários da Corte estava ciente – muito antes da tomada do poder pelos ''Soga'' – dos benefícios políticos e pessoais a serem obtidos de saber ler e escrever caracteres chineses. Ou seja, esses funcionários estavam aprendendo sobre as idéias chinesas de governança, conforme estabelecidas nos textos confucionistas, adotando símbolos budistas e práticas favorecidas pelos chineses, e estudando adivinhação chinesa, calendários, medicina, ervas e música.
 
Como o budismo estava no centro da significante mistura cultural conhecida como a ''Iluminismo Asuka'', uma atenção especial deve ser dada à maneira como o budismo conciliou os interesses de ''Paekche'' com o destino dos ''Soga''. A conexão é revelada tanto no tempo como no texto da primeira referência conhecida da apresentação de estátuas budistas e escrituras budistas na corte de ''Yamato'' por um rei ''Paekche''. Esta apresentação aparentemente foi feita em ''538'', ano em que o ''Rei Songmyoung'' de ''Paekche'' foi forçado pela pressão de ''Koguryo'' a transferir sua capital de ''Ungjin'' para ''Puyo'', mais ao sul e mais longe da fronteira com ''Koguryo''. De acordo com o ''Jogu Shotoku Ho-o tei setsu'', foi quando o ''Songmyong'' enviou ao ''Imperador Kimmei'' uma estátua budista e vários volumes das escrituras budistas. A versão do ''Nihon Shoki'' sobre o evento (datada de ''552'' em vez de ''538''') afirma que o ''Rei Songmyong'' fez um pedido de ajuda militar que fortaleceria suas defesas contra seus vizinhos agressivos: ''Koguryo'' e ''Silla''. Em um artigo separado para o mesmo ano, o ''Nihon Shoki'' nos conta que os presentes budistas foram acompanhados por um memorial no qual ''Songmyong'' diz: ''Grandes homens do passado (incluindo o Conde de Chou, futuro Imperador Wen, e Confúcio) tinham pleno conhecimento da doutrina; pessoas em nações tão distantes quanto a Índia reverenciavam os ensinamentos budistas; e o próprio Buda previu que sua lei se espalharia para o leste.'' <ref>''Kimmei 13/10, NKBT 68. 100-103''. Tanto o ''Kojiki'' como o ''Nihon shoki'' afirmam que durante o reinado de ''Ojin'' no ''século V'', um erudito chamado ''Wang Jen'' trouxe de ''Paekche'' dez volumes dos ''Analectos Confucionistas'' e um volume dos ''Anais da Dinastia Liang''. Mas esses relatos, destinados a glorificar os ancestrais de ''Kawachi no Omi'' como escribas da corte, provavelmente foram fabricados.</ref> ''Songmyong'' parece ter usado esse argumento, a fim de obter o apoio militar necessário, que o universalismo budista se beneficiou e continuaria a beneficiar os construtores de Estados fortes em toda parte, especialmente em terras tão orientais como ''Yamato''.
 
Ao receber a estátua budista e as escrituras e ouvir o que havia sido dito sobre o maravilhoso poder dos ensinamentos de Buda, diz-se que o ''Imperador Kimmei'' “pulou de alegria”. Quando perguntado a seus principais ministros o que pensavam sobre honrar a estátua, estes ofereceram visões conflitantes. ''Soga no Iname'', chefe de um clã de imigrantes cada vez mais poderoso, recomendou o reconhecimento oficial, reiterando a opinião de que todos os estados do ocidente adoravam ''Buda'' e que não via motivo para que ''Yamato'' fosse uma exceção. ''Nakatomi no Muraji'', chefe de um antigo clã conservador, insistiu que a adoção de um deus estrangeiro enfureceria os ''Kami'' nativos. Dessa forma, o ''Imperador Kimmei'', foi persuadido a não estender sua bênção real à fé estrangeira, mas permitiu que ''Iname'' tivesse a liberdade de honrar a estátua da maneira que desejasse.
 
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