A história do Japão da Cambridge/O século da reforma: diferenças entre revisões

 
Ao receber a estátua budista e as escrituras e ouvir o que havia sido dito sobre o maravilhoso poder dos ensinamentos de Buda, diz-se que o ''Imperador Kimmei'' “pulou de alegria”. Quando perguntado a seus principais ministros o que pensavam sobre honrar a estátua, estes ofereceram visões conflitantes. ''Soga no Iname'', chefe de um clã de imigrantes cada vez mais poderoso, recomendou o reconhecimento oficial, reiterando a opinião de que todos os estados do ocidente adoravam ''Buda'' e que não via motivo para que ''Yamato'' fosse uma exceção. ''Nakatomi no Muraji'', chefe de um antigo clã conservador, insistiu que a adoção de um deus estrangeiro enfureceria os ''Kami'' nativos. Dessa forma, o ''Imperador Kimmei'', foi persuadido a não estender sua bênção real à fé estrangeira, mas permitiu que ''Iname'' tivesse a liberdade de honrar a estátua da maneira que desejasse.
 
O desacordo entre os dois clãs sobre a questão de se o budismo deveria ou não ser oficialmente patrocinado refletia pressupostos fundamentalmente diferentes sobre a autoridade de um chefe para governar seu clã, ou um rei para governar o estado ''Yamato'': Considerando que os clãs imigrantes consentiam com a fé budista importada na qual poderiam ocupar altos cargos religiosos e que os clãs mais antigos e mais conservadores haviam se acostumado ao culto do ''clã kami'', cujos chefes eram os sumos sacerdotes. Desta forma, a questão budista não era simplesmente uma questão de forum individual, mas sim uma questão política e social que tornava impossível a adoção da nova religião enquanto os clãs conservadores estivessem no controle da corte.
 
Isso durou até ''587'', quase meio século depois, quando o equilíbrio de poder foi alterado, e só então o budismo foi oficialmente reconhecido. O choque militar daquele ano foi entre clãs ligados aos imigrantes, como o ''Clã Soga'' e os clãs de raízes japonesas, como o ''Clã Mononobe''.
 
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