A história do Japão da Cambridge/O século da reforma: diferenças entre revisões

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O desacordo entre os dois clãs sobre a questão de se o budismo deveria ou não ser oficialmente patrocinado refletia pressupostos fundamentalmente diferentes sobre a autoridade de um chefe para governar seu clã, ou um rei para governar o estado ''Yamato'': Considerando que os clãs imigrantes consentiam com a fé budista importada na qual poderiam ocupar altos cargos religiosos e que os clãs mais antigos e mais conservadores haviam se acostumado ao culto do ''clã kami'', cujos chefes eram os sumos sacerdotes. Desta forma, a questão budista não era simplesmente uma questão de forum individual, mas sim uma questão política e social que tornava impossível a adoção da nova religião enquanto os clãs conservadores estivessem no controle da corte.
 
Isso durou até ''587'', quase meio século depois, quando o equilíbrio de poder foi alterado, e só então o budismo foi oficialmente reconhecido. O choque militar daquele ano foi entre clãs ligados aos imigrantes, como o ''Clã Soga'' e os clãs de raízes japonesas, como o ''Clã Mononobe''. Enquanto as tropas estavam sendo preparadas para o confronto, ''Soga no Umako'' prometeu propagar a fé budista por toda a terra se ele e seus aliados ganhassem. Consequentemente, não muito depois de sua vitória, embaixadores chegaram de ''Paekche'' trazendo sacerdotes budistas, relíquias budistas, construtores de templos, metalúrgicos, ceramistas e pintores. O trabalho foi logo iniciado com a construção de um grande templo budista, o ''Asuka-dera'', que se tornou o centro de irradiação do ''Iluminismo''. <ref>Susun 1 (588)/3, NKBT 68. 168-169. O ''Asuka-dera'' foi chamado mais tarde de ''Hoko-ji'' (Templo da Propagação da Lei de Buda), mas o nome original será usado aqui.</ref> O ''Nihon Shoki'' prossegue contando sobre as freiras que vieram de ''Paekche'', da busca por madeira para construir templos budistas, da conversão ao budismo de moças aristocráticas e da chegada à ''Corte'' de sacerdotes budistas chineses. <ref>Susun 3 (590)/10, NKBT 68. 168-169.</ref> Mas ''593'' foi verdadeiramente um ano notável na história do budismo japonês. Naquele ano, a ''Imperatriz Suiko'' (recém entronizada) ordenou que seus nobres da corte apoiassem o budismo; O ''Príncipe Shotoku'' (recém-nomeado príncipe herdeiro) se envolveu no desenvolvimento das atividades budistas a tal ponto que passou à ser conhecido como o pai do budismo japonês. Além disso, relíquias budistas (provavelmente importadas) foram enterradas debaixo da pedra fundamental de ''Asuka-dera''. Um registro do ''Nihon Shoki'' do ano de ''594'' afirma que nesta época os líderes dos principais clãs estavam competindo uns com os outros na construção de templos budistas “construído em homenagem a seus lideres e parentes [falecidos]”, <ref>Suiko 2 (594)/2/1, NKBT 68. 174-175.</ref> e um registro de 595 observa que dois sacerdotes budistas (um de ''Paekche'' e um de ''Koguryo'') chegaram a ''Corte'', pregaram sua religião amplamente e se tornaram os pilares do budismo japonês. <ref>Suiko 3 (595)/5/10, NKBT 68. 174-175.</ref> Finalmente, o primeiro grande complexo do templo budista, o ''Asuka-dera'', foi concluído em ''596''.
Isso durou até ''587'', quase meio século depois, quando o equilíbrio de poder foi alterado, e só então o budismo foi oficialmente reconhecido. O choque militar daquele ano foi entre clãs ligados aos imigrantes, como o ''Clã Soga'' e os clãs de raízes japonesas, como o ''Clã Mononobe''.
 
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