Linguística I/Índice, símbolo e signo: diferenças entre revisões

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Desfez a edição 477374 de Aliner.silva (discussão)
(texto da aula publicado na íntegra.)
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Etiqueta: Desfazer
 
'''Meta'''
 
Tratar das diferenças entre linguagem humana e linguagem animal.
Definir e caracterizar o signo linguístico.
 
'''Objetivos'''
# diferenciar os conceitos de índice, símbolo e signo;
# compreender o conceito de signo linguístico;
# identificar asreconhecer principaisa característicasespecificidade do conceito de signo linguístico.
 
== Índice, símbolo e signo - Introdução ==
Os seres humanos usam palavras (signos linguísticos) para nomear os seres do mundo real. Esses nomes são estipulados por meio de um acordo entre os membros da comunidade de fala. Índice, símbolo e signo possuem a propriedade da substituição, ou seja, são um elemento x que substituem um elemento y, mas cada um de forma diferente.
Essa aula trará sobre a natureza do signo linguístico, que é sua relação com as coisas da realidade, e suas características : a arbitrariedade e a linearidade.
 
Nesta aula veremos o que é o signo linguístico. Para isso, começamos vendo a diferença entre signos naturais e signos artificiais. E veremos também como se dá o acordo que atribui signos aos referentes{{Nota de rodapé|Referente é o objeto ou entidade do mundo extralinguístico (real ou imaginário). https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/referentes/18581}} do mundo real.
[[Ficheiro:No dog peeing.svg|No_dog_peeing|208x208px]]
 
== OAs signopalavras e as coisas ==
 
Definir=== eA caracterizarnoção ode signo linguístico. ===
Segue um breve resumo das ideais contidas no capítulo "Natureza do signo linguístico", que do Curso de Linguística Geral.
Na aula sobre linguagem animal, descobrimos que os animais possuem a capacidade de simbolizar. Simbolizar significa usar símbolos que representam entidades do mundo real. Segundo Benveniste,
{{Quote2|“a faculdade de representar o real por um ‘signo’ e de compreender o ‘signo’ como representante do real, de estabelecer, portanto, uma relação de ‘significação’
entre alguma coisa e alguma outra coisa”.|BENVENISTE, 1966, p. 26, apud Lopes, 1995, p. 41.}}
A dança das abelhas significam distância e direção. As sequências acústicas da fala humana possuem significados: casa - /'kasa/{{Nota de rodapé|grupo=É o quê?|/'kasa/ é a transcrição fonológica da palavra casa. }} - 🏠. A sequencia de sons que possui significado é o '''signo linguístico'''. Existe uma relação simbólica unindo '''conteúdo''' (significado) à '''expressão''' (significante). A relação significativa pode ser estabelecida também por expressões do tipo não verbal, como a que usamos no exemplo acima apara evocar na sua cabeça o elemento do mundo real que queríamos expressar: 🏠. Cada signo se organiza de uma forma: o verbal combina fonemas para criar morfemas e combina morfemas para criar palavras. Os signos não verbal combinam formas, cores, posições, etc.
 
=== Diferença entre índice, símbolo e signo ===
Saussure contesta a concepção de que a língua é "uma lista de termos que correspondem a outras tantas coisas." Essa Concepção:
Segue um breve resumo da teoria dos signos de Fiorin{{Nota de rodapé|FIORIN, 2002, p. 71, 72}}.
 
De acordo com o critério de intenção comunicativa, os signos se dividem em naturais e artificiais.
* pressupõe que as ideias preexistem às palavras,
* ignora a diferença entre caráter vocal e psíquico da palavra e
* simplifica o vínculo que une os nomes às coisas.
 
'''Signos naturais''', também chamados de índices ou sintomas, são fenômenos da natureza que indicam outro fenômeno. Exemplos: céu com nuvens carregadas (indica chuva iminente), cigarra cantando (na sabedoria popular, indica que o dia seguinte será quente), dor no osso que já foi fraturado (indica que haverá mudança no tempo).
Saussure diz que as ideias não precedem a linguagem, afirma a natureza vocal e psíquica do signo e defende a complexidade da relação entre palavras e coisas.
 
Os '''signos artificiais''' são, como o nome indica, criados pelos humanos '''para fins de comunicação''' e fazem parte das linguagens: palavras, sinais e placas de trânsito. Ele são resultado de um acordo deliberado (a galera sentou e combinou) ou da prática histórica{{Nota de rodapé|Esse acordo não é tácito, dificilmente podemos rastrear sua origem ou encontrar a lógica entre os elementos ligados. É o que Saussure chama de relação arbitrária e imotivada.|grupo=É o quê?|name=convencional}} (não, sei, só sei que foi assim{{Nota de rodapé|1=Chicó, em https://www.youtube.com/watch?v=4DbpoqJvoyM}}).
=== A natureza dupla do signo linguístico ===
[[Ficheiro:Signos diagrama.png|nenhum|miniaturadaimagem|Signos naturais e artificiais]]
 
=== O Símbolo ===
O signo de Saussure é formado pela união de dois termos: o '''conceito''' e a '''imagem acústica'''. O conceito é a ideia que fazemos do objeto. A imagem acústica é a impressão psíquica da cadeia sonora que representa este conceito. Não é o som, mas sim uma imagem acústica formada na mente. No momento da fala, o o falante evoca um conceito que vem ligado a uma imagem acústica, que o cérebro transmite ao aparelho fonador as instruções para a materialização dessa imagem. O som alcança os ouvidos do interlocutor e, em sua mente, a imagem acústica reconhecida evoca o conceito correspondente.
 
==== conceito de símbolo ====
As duas faces do signo linguístico, o significado (conceito) e o significante (a imagem acústica) são inseparáveis. Se o signo é a união entre dois fenômenos psíquicos, ele não pode ser entendido como união entre um nome e uma coisa. O signo não une o nome do nome à coisa, ele representa essa coisa.
{{Quote2|Os símbolos são objetos materiais que representam noções abstratas|LOPES, 1995, p. 44}}
A representação é sempre "deficiente ou inadequada", ou seja, o objeto simbolizante é "menor" do que o referente simbolizado. Além disso, ele é motivado: A cruz representa o Cristianismo, a caveira com os ossos cruzados representa morte, o símbolo de wifi indica que há no ambiente uma frequência de rádio disponível {{Nota de rodapé|Na verdade, há vários tipos de radiofrequência em todos os ambientes, mas o símbolo de wifi indica a presença daquela que tu tá querendo, né? https://www.significados.com.br/wi-fi/|grupo=É o quê?}}.
 
==== Características do signo linguísticosímbolo ====
Polissemia: um símbolo pode ter diversos significados.
=== A arbitrariedade ===
 
Sinonímia: um mesmo referente pode ter vários símbolos.
O signo é a união entre significante e significado. Essa união é convencional e arbitrária, isto é, é um acordo entre '''os falantes''' {{Nota de rodapé|Ainda que não exista nenhuma ligação natural entre um significante e um significado, mas não é possível que um indivíduo promova mudanças nessa relação. A convenção é de domínio da comunidade falante.}} de uma determinada comunidade. Não existe motivação para os nomes. Não existe uma razão para que, por exemplo, o cachorro ser designado por esse signo, o qual, aliás, pertence à língua portuguesa e é diferente em outras línguas.
 
== As palavras e as coisas ==
==== Objeções à arbitrariedade e os contra-argumentos de Saussure ====
Uma das questões mais antigas que mobilizam os linguística é a relação entre as coisas e as palavras que as nomeiam: existe relação entre coisas e palavras? A realidade vem antes da língua ou é por ela construída?
 
Há um texto de Platão{{Nota de rodapé|Platão https://pt.wikipedia.org/wiki/Platão|grupo=Quem é esse?}}|Crátilo: ou Sobre a Correção dos Nomes}}, Crátilo{{Nota de rodapé|Crátilo: ou Sobre a Correção dos Nomes}}, que trata sobre essa questão. O filósofo questiona se a linguagem pode contribuir para o conhecimento da realidade. Os outros dois participantes do diálogo, Crátilo e Hermógenes, divergem. Para Crátilo, cada coisa tem um nome apropriado, que faz parte de sua natureza. Hermógenes defende que uma sociedade estabelece de comum acordo um nome para as coisas, sem que exista algum motivo natural para isso.
Onomatopeias: ok, não há motivo natural pra chamar o cachorro de cachorro, mas há pra representar o latido com "au au au".
 
O '''naturalismo''' (hipótese de Crátilo) entende que existe uma relação natural entre o signo e a coisa significada. O '''convencionalismo''' (posição de Hermógenes) entende que não há nenhuma motivação entre as palavras que designam as coisas e estas coisas. As palavras são escolhidas arbitrariamente dentro de uma sociedade{{Nota de rodapé|Esse acordo não é tácito, dificilmente podemos rastrear sua origem ou encontrar a lógica entre os elementos ligados. É o que Saussure chama de relação arbitrária e imotivada.|grupo=É o quê?|name=convencional}}.
Exclamações: seriam de origem natural: quando o ser vivente bate o dedinho no sofá ele grita "aí!"
 
Saussure traz os seguintes contra-argumentos:
 
Ferdinand de Saussure disse que:
Da onomatopeias: eis um bom exemplo de imagem acústica: nós "escutamos" "au", mas o albanês escuta "ham", o cachorro alemão "diz" "wuff"; o dinamarquês, "vov"; o espanhol, "guau"...
 
{{Quote2|O signo linguístico une não uma coisa e uma palavra, mas um conceito e uma imagem acústica”|SAUSSURE, s/d, p. 90}}
Das exclamações: primeiro que você não dá uma topada e diz "ai", você solta um monte de palavrão. Ah, não solta? Então vale para os palavrões, o "ai" é o "ui" o mesmo que vale para as onomatopeias: cada língua tem sua maneira própria de representar essas vocalizações.
 
Isso significa que '''o signo é convencional e não motivado'''. A teoria Saussureana é '''convencionalista'''.
==== Arbitrário, ''pero no mucho'' ====
 
Aqui Saussure faz uma ressalva: tá, alguns signos são, sim, motivados. Mas isso não representa uma contradição. Não há motivo para o "feijão" se chamar "feijão", mas há motivo para a "feijoada" se chamar "feijoada". Os mecanismos de formação de palavras, internos às línguas, admitem essa motivação relativa.
 
=== A linearidade do significante ===
 
Essa é tranquila. Não podemos pronunciar duas ou mais palavras ao mesmo tempo, ou mais de um fonema. Os significantes aparecem um depois do outro, em linha.
 
A título de comparação: na linguagem visual, os signos aparecem juntos, como na imagem abaixo:
 
[[Ficheiro:Quebrando as regras.jpg|Uma sinalização sendo desrespeitada|centro|commoldura]]A linearidade é do significante e não do significado. Os significantes devem obedecer a uma ordem de colocação. Os significantes acústicos se alinham no tempo: um depois do outro.
 
== Conclusão ==
Os signos artificiais não são parte do processo de comunicação, pois envolvem elementos naturais. Já os símbolos artificiais pressupõem um emissor e um receptor. Entre os símbolos artificiais, os símbolos apresentam relação parcialmente motivada entre significante e significado, enquanto os signos linguísticos apresentam relação arbitrária e imotivada. {{notas}}
 
{{referências |título=Quem é esse?|grupo=Quem é esse?}}
Vimos que as coisas não preexistem à língua, não existe um motivo natural que una o nome à coisa, o signo é a união entre significante e significado, que é essa união é arbitrária e imotivada, ainda que mecanismos internos da língua utilizem de motivação parcial ou relativa. O significante, no signo linguístico, se apresenta em linha, um de cada vez, e um atrás (ou após) o outro.
{{referências |título=É o quê? |grupo=É o quê?}}
 
{{notas}}
 
{{referências}}SAUSSURE, F.. ''Curso de Linguística Geral''. São Paulo: Cultrix, 1975
 
== Ligações externas ==
[[w:Símbolo|Símbolo]]
 
[[w:Símbolo|Signo]]
[https://www.youtube.com/watch?v=pG4Hxz48FHw&feature=youtu.be O circuito da Fala] Vídeo. Duração:01:18m
 
[https://www.youtube.com/watch?v=GHLmdj-L3HA Sobre o princípio da arbitrariedade do signo em Saussure] Vídeo. Duração 5:21m
 
[[wikipedia:Conventionalism|Convencionalismo (em inglês)]]
[https://www.youtube.com/watch?v=BuAzPC5fer0 O Princípio da Linearidade do Signo em Saussure] Vídeo. Duração 8:21m
{{AutoCat}}