Astronomia/Astronomia na Pré-história

Desde o início, o homem sempre olhou para o céu em busca de possíveis correlações entre as suas histórias e os fenômenos cósmicos. Essas primeiras observações eram frutos da imaginação e da criatividade humana, o que deu origem as constelações. Elas também originaram à organização dos ciclos na agricultura, a contagem do tempo e os pontos referências para orientar-se na terra e no mar. Eles relacionavam os objetos no céu (e seus movimentos) a fenômenos como a chuva, a seca, as estações do ano e as marés. O homem também utilizou as primeiras observações astronômicas para fins religiosos: em algumas culturas, as estrelas, bem como a luz natural em um céu escuro, foi logo identificada como a divindade responsável pela proteção dos acontecimentos humanos. Acredita-se geralmente que os primeiros astrônomos profissionais foram os sacerdotes. A compreensão que eles tinham do céu era vista como algo divino, daí a antiga ligação da astronomia com o que hoje conhecemos como astrologia.

O Newgrange, monumento pré-histórico localizado na Irlanda, foi construído em torno de 3.200 aC, durante o período Neolítico. O monumento está alinhado com o sol nascente do solstício de inverno.

O primeiro conhecimento astronômico do homem pré-histórico consistiu essencialmente na previsão dos movimentos de objetos celestiais visíveis, como estrelas e planetas. Um exemplo de ferramenta na astronomia antiga são os primeiros monumentos astronômicos megalíticos, como o famoso complexo de Stonehenge, os montes de Newgrange, os Menir e os vários outros edifícios projetados com a função de observar o espaço sideral. Muitos destes monumentos mostram a relação do homem pré-histórico com o céu, bem como as excelentes capacidades de precisão das observações. Em Stonehenge, por exemplo, cada pedra pesa em média 26 toneladas. A avenida principal que parte do centro da monumento aponta para o local no horizonte em que o Sol nasce no dia mais longo do verão (solstício). Nessa estrutura, algumas pedras estão alinhadas com o nascer e o pôr do Sol no início do verão e do inverno.

Parece que foi no paleolítico que o homem considerou o céu como o lugar onde as histórias dos deuses tomam forma. Há vestígios de um culto atribuído ao asterismo da Ursa Maior por povos que viviam além das margens do Estreito de Bering, no momento do último período glacial entre os Estados Unidos e a Ásia. Estudos recentes afirmam que no período Paleolítico (cerca de 16.000 anos atrás) foi desenvolvido um sistema de 25 constelações, dividida em três grupos que representam metaforicamente o Céu, a Terra e o submundo.

No período neolítico, a fim melhorar a memorização das estrelas, foram atribuídas aos asterismos nomes semelhantes, nem sempre antropomórfico, aludindo a aspectos e elementos da vida agrícola e pastoral. A constelação do zodíaco, que se encontram perto da linha percorrida pelo sol durante o ano (eclíptica), foi uma das primeiras a ser codificada no céu, principalmente por razões práticas. Dada a importância da economia baseada numa agricultura-pastoral, se fez necessário conhecer as diferentes épocas do ano a fim de melhorar a semeadura, as plantações, a criação de animais e todas as outras práticas relacionadas ao homem primitivo.

StonehengeEditar

 
Stonehenge.
 
Planta baixa de Stonehenge.

Stonehenge (do inglês arcaico "stone" = pedra, e "hencg" = eixo) é um alinhamento megalítico da Idade do Bronze, localizado na planície de Salisbury, próximo a Amesbury, no condado de Wiltshire, no Sul da Inglaterra. Constituí-se no mais visitado e conhecido círculo de pedras britânico e até hoje é incerta a origem da sua construção, bem como da sua função, mas acredita-se que era usado para estudos astronômicos, mágicos ou religiosos.

CaracterísticasEditar

O Stonehenge é uma estrutura formada por círculos concêntricos de pedras que chegam a ter cinco metros de altura e a pesar quase cinquenta toneladas, onde se identificam três distintos períodos construtivos:

  • O chamado Período I (3.100 a.C.), quando o monumento não passava de uma simples vala circular com 97,54 metros de diâmetro, dispondo de uma única entrada. Internamente erguia-se um banco de pedras e um santuário de madeira. Cinquenta e seis furos externos ao seu perímetro continham restos humanos cremados. O círculo estava alinhado com o pôr do Sol do último dia do Inverno, e com as fases da Lua.
  • Durante o chamado Período II (2.150 a.C.) deu-se a realocação do santuário de madeira, a construção de dois círculos de pedras azuis (coloridas com um matiz azulado), o alargamento da entrada, a construção de uma avenida de entrada marcada por valas paralelas alinhadas com o Sol nascente do primeiro dia do Verão, e a construção do círculo externo, com 35 pedras que pesavam toneladas. As altas pedras azuis, que pesam quatro toneladas, foram transportadas das montanhas de Gales a cerca de 24 quilômetros ao Norte.
  • No chamado Período III (2.075 a.C.), as pedras azuis foram derrubadas e as pedras de grandes dimensões (megálitos) - ainda no local - foram erguidas. Estas pedras, medindo em média 5,49 metros de altura e pesando cerca de 25 toneladas cada, foram transportadas do Norte por 19 quilômetros. Entre 1.500 a.C. e 1.100 a.C., aproximadamente sessenta das pedras azuis foram restauradas e erguidas em um círculo interno, com outras dezenove, colocadas em forma ferradura, também dentro do círculo.

Estima-se que essas três fases da construção requereram mais de trinta milhões de horas de trabalho. Recolhendo os dados a respeito do movimento de corpos celestiais, as observações de Stonehenge foram usadas para indicar os dias apropriados no ciclo ritual anual. Nesta consideração, é importante mencionar que a estrutura não foi usada somente para determinar o ciclo agrícola, uma vez que nesta região o Solstício de Verão ocorre bem após o começo da estação de crescimento; e o Solstício de inverno bem depois que a colheita é terminada. Desta forma, as teorias atuais a respeito da finalidade de Stonehenge sugerem seu uso simultâneo para observações astronômicas e a funções religiosas, sendo improvável que estivesse sendo utilizado após 1.100 a.C.

A respeito da sua forma e funções arquitetônicas, os estudiosos sugeriram que Stonehenge - especialmente os seus círculos mais antigos - pretendia ser a réplica de um santuário de pedra, sendo que os de madeira eram mais comuns em épocas Neolíticas. No dia 21 de Junho, o Sol nasce em perfeita exatidão sob a pedra principal. Segundo dados mais recentes, obtidos por arqueólogos chefiados por Mike Parker Pearson, Stonehenge está relacionada com a existência do povoado Durrington. Este povoado formado por algumas dezenas de casas construídas entre 2.600 a.C. e 2.500 a.C., situado em Durrington Walls, perto de Salisbury, é considerada a maior aldeia neolítica do Reino Unido. Segundo os arqueólogos foi aí encontrada uma espécie de réplica de Stonehenge, em madeira.

OrigemEditar

 
Sol sobre o Stonehenge, durante o solstício de inverno.

Denominado pelos Saxões de "hanging stones" (pedras suspensas) e referido em escritos medievais como "dança dos gigantes", existem diversas lendas e mitos acerca da sua construção, creditada a diversos povos da Antiguidade. Uma das opiniões mais populares foi a de John Aubrey. No século XVIII, antes do desenvolvimento dos métodos de datação arqueológica e da pesquisa histórica, foi quem primeiro associou este monumento e outras estruturas megalíticas na Europa, aos antigos Druidas. Esta ideia, e uma série de falsas noções relacionadas, difundiram-se na cultura popular do século XVII, mantendo-se até aos dias atuais. Na realidade, os Druidas só apareceram na Grã-Bretanha após 300 a.C., mais de 1.500 anos após os últimos círculos de pedra terem sido erguidos. Algumas evidências, entretanto, sugerem que os Druidas encontraram os círculos de pedra e os utilizaram com fins religiosos.

Outros autores sugeriram que os monumentos megalíticos foram erguidos pelos Romanos, embora esta ideia seja ainda mais improvável, uma vez que os Romanos só ocuparam as Ilhas Britânicas após 43, quase dois mil anos após a construção do monumento. Somente com o desenvolvimento do método de datação a partir do Carbono-14 estabeleceram-se datas aproximadas para os círculos de pedra. Durante décadas não foram formuladas explicações plausíveis para a função dos círculos, além das suposições de que se destinavam a rituais e sacrifícios.

Nas décadas de 1950 e de 1960, o professor Alexander Thom, coordenador da Universidade de Oxford e o astrônomo Gerald Hawkins abriram caminho para um novo campo de pesquisas, a Arqueoastronomia, dedicado ao estudo do conhecimento astronômico de civilizações antigas. Ambos conduziram exames acurados nestes e em outros círculos de pedra e em numerosos outros tipos de estruturas megalíticas, associando-os a alinhamentos astronômicos significativos às épocas em que foram erguidos. Estas evidências sugeriram que eles foram usados como observatórios astronômicos. Além disso, os arqueoastrônomos revelaram as habilidades matemáticas extraordinárias e a sofisticação da engenharia que os primitivos europeus desenvolveram, antes mesmo das culturas egípcia e mesopotâmica. Dois mil anos antes da formulação do teorema de Pitágoras, constatou-se que os construtores de Stonehenge incorporavam conhecimentos matemáticos como o conceito e o valor do π (Pi) em seus círculos de pedra. A explicação científica para a construção está no ponto em que o monumento tenha sido concebido para que um observador em seu interior possa determinar, com exatidão, a ocorrência de datas significativas como solstícios e equinócios, eventos celestes que anunciam as mudanças de estação. Para isto basta se posicionar adequadamente entre os mais de 70 blocos de arenito que o compunham e observar-se na direção certa. Esta descoberta se deu em 1960, demonstrando, através da arqueologia, que os povos neolíticos, 3.000 anos antes de Cristo, já tinham este conhecimento. A importância estaria vinculada diretamente à agricultura dos povos da época. Segundo o historiador Johnni Langer, a vida dos povos agrícolas está ligada ao ciclo das estações, e o homem pré-histórico precisava demarcar o tempo para saber quais eram as melhores épocas para colheita e semeadura, e a observação do céu nasceu daí.

O mais famoso monumento da pré-história pode ter sido um centro de cura, para onde iam peregrinos há mais de 4.500 anos. A afirmação é de um grupo de arqueólogos que trabalha nas primeiras escavações em mais de 40 anos no monumento. O grupo acredita ter encontrado indícios que podem, finalmente, explicar os mistérios da construção de blocos de pedra. A equipe descobriu um encaixe que, no passado, abrigou as chamadas pedras azuis, rochas vulcânicas de tom azulado, a maioria já desaparecida, que formava a primeira estrutura construída no monumento. Eles acreditam que as pedras azuis podem confirmar a tese de que Stonehenge era um local onde as pessoas iam em busca de cura.

Em 2013, um grupo de estudos da Universidade College London levantou uma nova teoria de que Stonehenge pode ter surgido como um cemitério para famílias de elite por volta do ano 3.000 A.C. Estudos de restos humanos encontrados no local, indicam que antes do monumento ser o que hoje se conhece, havia ali um grande círculo de pedras construído como um cemitério.


Cromeleque dos AlmendresEditar

 
Vista panorâmica

O Cromeleque dos Almendres localiza-se no distrito de Évora, em Portugal. Constitui-se num círculo de pedras pré-histórico (cromeleque) com 92 monólitos de pedra, de diversos tamanhos e formas, desde pequenos blocos até monólitos de pedra maiores com cerca de 3 metros de altura. Era um local de cerimônias religiosas e provavelmente um observatório astronômico primitivo. O início de sua construção aconteceu por volta de 5.000 a.C., sofrendo várias modificação ao longo dos milênios subsequentes. É o monumento megalítico do seu tipo mais importante da península Ibérica e um dos mais importantes da Europa, não apenas pelas suas dimensões, como também pelo seu estado de conservação.

O Cromeleque dos Almendres localiza-se próximo ao topo de uma encosta suave, voltada a leste, num monte de 413 metros de altura, a cerca de 12 km a oeste da moderna cidade de Évora. O conjunto foi descoberto em 1964 pelo investigador Henrique Leonor Pina, durante os trabalhos de mapeamento para a Carta Geológica de Portugal. Naquela altura foi realizada a limpeza da vegetação que ocupava o sítio e foram descobertos algumas peças de cerâmica e um machado de pedra polida. Nas últimas décadas foram realizadas várias campanhas arqueológicas no local, organizadas por Mário Varela Gomes. Grande parte dos monólitos, que se encontravam caídos, foram recolocados em suas posições originais durante os trabalhos. O cromeleque se encontra numa propriedade privada, mas a zona do monumento foi cedida à Câmara Municipal de Évora para uso público.

CaracterísticasEditar

 
Menir 64, com relevos de círculos.

Cromeleque é o conjunto de diversos menires dispostos em um ou vários círculos, em elipses, em retângulos, em semicírculo ou ainda estruturas mais complexas como o Cromeleque dos Almendres. Menir, também denominado perafita, é um monumento pré-histórico de pedra, cravado verticalmente no solo, às vezes de tamanho bem elevado.

O Cromeleque dos Almendres trata-se de um cromeleque erguido na encosta voltada a nascente de uma colina. Os monólitos são predominantemente de tamanho pequeno, de forma ovóide, sub-paralelepipédica e sub-cilíndrica, mas alguns chegam a ter 2,5 a 3 metros de altura e possuem forma fálica ou estelar. São compostos por diferentes tipos de quartzodioritos, o que revela uma origem variada para os monólitos. Dois afloramentos de quartzodioritos e granodioritos localizados a 250 m e 1 km do cromeleque podem ter sido usados para esculpi-los.

Os menires de grande tamanho foram colocados sobre alvéolos (cavidades) previamente preparados que chegam até o substrato rochoso sob o solo. Uma coroa de pedras era colocada ao redor da base destes menires, depois coberta de terra e pedras menores, o que ajudava na sustentação. Os menires menores tinham alvéolos também menores, e os de menor dimensão eram sustentados apenas por uma coroa de pedras. Atualmente existe uma planta da disposição cada um destes monólitos, todos numerados, possibilitando a identificação das características individuais de cada um.

Menires decoradosEditar

Dez dos monólitos do cromeleque apresentam decoração em forma de relevos ou gravuras, dos quais quatro possuem apenas "covinhas" (série de pequenos buracos escavados na pedra). Os outros são:

  • Menir 64, com relevos de círculos e raquetas.
  • Menir 48: apresenta uma pequena figura antropomórfica associada a um báculo.
  • Menir 57: numa face propositalmente aplainada mostra uma série de treze relevos em forma de báculos. Essas figuras ocorrem também em outros menires e são, provavelmente, representações de objetos de prestígio social construídos em xisto e materiais perecíveis. De fato, báculos de xisto são encontrados em monumentos megalíticos alentejanos.
  • Menir 56: numa face aplainada apresenta uma representação estilizada de uma grande face humana, com nariz, olhos e boca. Pode ser considerado uma estátua-menir.
  • Menir 76: também possui uma figura antropomórfica, como o menir 56. A decoração de ambos se assemelha ao de menires do Cromeleque da Portela de Mogos.
  • Menir 64: localizado próximo ao centro do recinto maior, apresenta relevos em forma de raquetas e círculos.
  • Menir 58: possui três representações de discos solares, associados a linhas onduladas que representam raios.

OrigemEditar

 
Fases da evolução do Cromeleque dos Almendres ao longo do Neolítico.

A região de Évora é densamente coberta por sítios arqueológicos que vão desde o início do Neolítico (7.000 a 8.000 anos atrás) até a Idade do Ferro, abrangendo menires, antas, necrópoles e povoações pré-históricas. O cromeleque dos Almendres pertence, assim, ao universo megalítico e está relacionado com outros círculos de pedras das proximidades, como o Cromeleque da Portela de Mogos, em Montemor-o-Novo.

Segundo os trabalhos arqueológicos realizados no local, acredita-se que o conjunto foi formado em três etapas:

  • No final do Neolítico Antigo (fim do sexto milênio a.C.) foi erigido um conjunto de monólitos de pequeno tamanho, agrupados em três círculos concêntricos. O maior destes círculos media 18,80 m e o menor, 11,40 m. Atualmente há vinte e dois menires de pé neste recinto, dois tombados e restos de estruturas de sustentação de cinco outros.
  • No Neolítico Médio (quinto milênio a.C.) foi erigido a oeste dos círculos anteriores um novo recinto com a forma de duas elipses concêntricas, irregulares, adossadas ao recinto mais antigo. A elipse mais externa mede 43,60 m em seu eixo maior e 36 m no eixo menor. Durante os trabalhos arqueológicos foram encontrados ali vinte e nove menires em pé e dezassete tombados, além de estruturas de sustentação de onze menires já desaparecidos.
  • No Neolítico Final (terceiro milênio a.C.) os dois recintos foram modificados, especialmente o menor, que foi transformado numa espécie de átrio do recinto maior. Com a remodelação, o recinto menor possivelmente passou a orientar a entrada no recinto elíptico, com uma função nas solenidades sócio-religiosas que se realizavam ali. Além disso, é possível que nesse período tenham sido acrescentados aos dois recintos alguns monólitos com gravuras e que alguns menires tenham sido parcialmente aplainados, transformando-os em estrelas.

Na Idade do Cobre (aproximadamente 2.500 a 1.800 a.C.), o conjunto deixou de ser utilizado, provavelmente pela influência das sociedades de metalurgistas que substituíram a cultura megalítica atlântica.

NewgrangeEditar

 
Entrada da tumba Newgrange.

Newgrange é uma tumba do Conjunto Arqueológico do Vale do Boyne, no Condado de Meath, na Irlanda, um dos mais famosos sítios pré-históricos do mundo e o mais famoso da Irlanda. Newgrange foi construído de modo que, ao nascer do sol do dia mais curto do ano (solstício de inverno), um fino raio de sol ilumina por pouco tempo o piso da câmara no final de um longo corredor.

Foi construída por volta de 3.200 a.C., durante o período Neolítico, o que o faz mais antigo do que Stonehenge e as pirâmides do Egito. Newgrange parece ter sido usada principalmente como uma tumba. Foram encontrados restos humanos cremados de cinco indivíduos. O sol parece ter sido um importante elemento nas crenças religiosas do Neolítico

De acordo com a Mitologia irlandesa, Newgrange era um dos Sídhes (montes) onde Tuatha Dé Danann vivia. Foi construído pelo deus Dagda. De acordo com a lenda, o herói Cú Chulainn nasceu lá. Contudo, a maioria dos ciclos místicos associados com Newgrange datam da era Céltica da mitologia e da História da Irlanda.