Diferenças entre edições de "Uma História do Japão até 1334/Capítulo XX - Após a Invasão Mongol/1. As consequências Econômicas"

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Assim, os ''Bakufu'' não podiam deixar de reconhecer as reivindicações dos corpos religiosos e se sentiam obrigados a dar-lhes preferência. Mas o novo regente ''Hōjō Sadatoki'', que sucedeu a ''Tokimune'' em 1284, encontrou-se em uma posição desconfortável, pois não havia quase nada para distribuir. As fontes de recompensa haviam secado; por uma década ou mais, o país consumia mais do que produzia. Até então, após as guerras civis ou tumultos, tinha sido fácil para os vencedores premiar seus partidários, uma vez que poderiam entregar aos aliados que mereciam as propriedades dos vencidos. Mas depois das invasões mongóis, não havia espólio para distribuir nem riqueza recém-criada com a qual recompensar os vassalos. Em 1284, alguns valiosos ''direitos senhoriais'' foram concedidos a certos santuários, mas tais fontes de benfeitoria eram muito escassas e apenas algumas reivindicações puderam ser satisfeitas.
 
A pressão sobre o ''Bakufu'' era forte e persistente. Como podemos ver pela consulta de uma das mais valiosas fontes de informação sobre os combates durante o primeiro ataque mongol. É um famoso texto em ''emakimono'' (rolo de pintura), conhecido como ''Mōko Shūrai Ekotoba'', que ilustra o relato das experiências de batalha escritas por um samurai chamado ''Takezaki Suenaga''. Seu caso era exemplar, assim como muitos outros. Mas o ''Bakufu'' não tinha mais nada a oferecer para eles além de alguns campos recém-arados e alguns feudos confiscados sem grande valor. Como estes claramente não eram suficientes para satisfazer qualquer demanda importante, o ''Bakufu'' recorreu a ações desesperadas, como dividir uma administração (''jito-shiki''), conceder os mesmos títulos de terra a vários candidatos, ou obrigá-los a fazer um sorteio pelo titulo. O ''Bakufu'' até procurou por falhas nos títulos de alguns proprietários de terras, e confiscou propriedades que tinham dado anteriormente. Em casos extremos, as mansões eram tiradas dos nobres da corte e até da Coroa, geralmente sob o pretexto de problemas com a concessão.
 
Quando tais expedientes foram esgotados, a ''Corte de Kamakura'' foi obrigada a recusar-se a ouvir outras queixas. Peticionários de ''Kyūshū'' - samurais que participaram da defesa ocidental que tinham suportado o peso das batalhas - foram instruídos a se dirigirem aos chefes de segurança de suas respectivas regiões: ''Shōni'', ''Ōtomo'', ''Shimazu'' e ''Shibuya'', que representavam o ''Shōgun'' da mesma forma que os dirigentes do ''Rokuhara''. Este dispositivo apenas transferiu o fardo dos ombros do ''Bakufu''. Os vassalos foram proibidos de recorrer pessoalmente a ''Kamakura'' ou aos tribunais de inquérito de ''Rokuhara''. Isso ocorria em agosto de 1286, mais de cinco anos após a segunda invasão mongol e os casos se arrastavam por vários anos com pouca perspectiva de solução.
 
Diferentemente dessa situação, no final da ''Guerra de Genpei'' em 1185, graças à oportunidade de empreendimento pacífico conferido ao povo em geral pela vitória de ''Minamoto no Yoritomo'', ele e seus sucessores conseguiram estabelecer um governo firme. É bem verdade que grande parte da legislação do ''século XIII'' foi criada para proteger os vassalos contra a pressão de um comércio interno em rápido desenvolvimento e o crescimento de uma classe mercantil cujos interesses estavam em desacordo com os dos samurais que vivem das rendas das propriedades fundiárias.
 
As razões para a expansão total da economia foram numerosas. A crescente demanda dos vassalos mais ricos por bens de todos os tipos estimulou a produção em todo o país no exato momento em que o desenvolvimento do comércio com a ''China'' estava aumentando a produção de bens para exportação, bem como o consumo doméstico. Embora esse comércio exterior tenha sido em parte uma conseqüência natural das relações amistosas entre o ''Japão'' e o ''sul da China'' (que os ''monges zen'' de ambos os países fizeram muito para promover), foi basicamente uma consequência das grandes melhorias na construção naval e navegação durante a ''Dinastia Sung'' no ''século XIII'', antes de ser submetida pelos mongóis. Essas circunstâncias coincidiram ou ajudaram a produzir um rápido aumento das habilidades técnicas e da organização mercantil no Japão. Havia uma demanda chinesa firme por certas ''commodities'' japonesas, enquanto os japoneses importavam grandes quantidades de moedas de cobre da ''China'', em parte para uso industrial, mas principalmente (como vimos) como moeda para facilitar as trocas domésticas. Aconteceu também que, no final do ''século XII'', ricos depósitos de ouro foram descobertos no norte do ''Japão'', e parte dessa riqueza foi aplicada na compra de produtos chineses.
 
Este desenvolvimento, embora beneficiassem certos clãs samurais cujos feudos estavam convenientemente situados em províncias costeiras, eram desfavoráveis à maioria dos vassalos, que viviam com rendimentos fixos baseados na venda de arroz ou outros produtos agrícolas, de modo que a expansão geral do comércio colocou-os em desvantagem. Como seria de esperar, o nível de preços da maioria das ''commodities'' subiu mais do que o preço dos produtos agrícolas. Alguns samurais encontraram uma maneira de ajustar seu padrão de vida às novas condições, o restante ficou em dívida com a nova classe mercantil, mais comumente com financistas e agiotas que exigiam um alto retorno por seus serviços.
 
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