Japão Através da História do Governo Japonês/A Era Mítica

I. A Era MíticaEditar

O período anterior ao reinado do Imperador Jimmu é conhecido como a Idade das Divindades. A partir dessa época, lendas estranhas e incríveis foram transmitidas, algumas das quais passaremos a narrar.

A tradição diz que em tempos remotos o Deus do Céu ordenou às divindades Izanagi e Izanami para formar um país além das ilhotas que estavam flutuando no espaço. Eles desceram imediatamente para a ilha de Onokoro, e lá, tornando-se marido e mulher, criaram as Oito Grandes Ilhas do Japão. Posteriormente foram criadas divindades para governar o mar, as montanhas, os ventos, o fogo, as ervas e as árvores. Posteriormente, o par divino deu à luz a deusa Amaterasu-Ōmikami e os deuses Tsukiyomi e Susanoö. Esses seres divinos recém-nascidos, provando-se muito superiores a outras divindades, receberam graças de Izanagi. Este nomeou Amaterasu para governar Takamanohara, ou a Região Celestial; nomeou Tsukiyomi para governar Yonoosukuni, ou a Terra da Noite; e nomeou Susanoö para governar a Unabara, ou os Mares. Mas esta última divindade se mostrou infiel aos mandamentos de seu pai, e Izanagi com raiva expulsou-o de seu reino. Susanoö então ascendeu à Região Celestial para comunicar a sua irmã a notícia de sua desgraça. O comportamento feroz e enfurecido da divindade destronada levou sua irmã a imaginar que Susanoö fora a seu reino com intenções agressivas, e Amaterasu hesitou em recebê-lo. Mas Susanoö declarou veementemente a integridade de seu propósito e conseguiu tranquilizar parcialmente a deusa. No entanto, seu comportamento foi tão desordenado que Amaterasu ficou com medo e se isolou em uma caverna, como resultado o reino de Amaterasu ficou imerso na escuridão total ofuscou e começaram a surgir problemas de vários tipos. As outras divindades então se reuniram em um conclave e tomaram medidas para tranquilizar a deusa, de modo que ela finalmente emergiu de seu retiro e a luz mais uma vez iluminou a Região Celestial e Nakatsukuni. [1] As divindades então condenaram Susanoö a ser mandado ao exílio. Saindo do Reino Celeste, Susanoö seguiu para a Província de Izumo, e ali destruiu um dragão de oito cabeças, obtendo de seu corpo uma preciosa espada chamada Kusanagi (matador de dragão), que depois a deu de presente para sua irmã Amaterasu. Posteriormente, Susanoö se casou com a filha de uma divindade terrena e se estabeleceu em Suga na Província de Izumo. Mais tarde um de seus filhos, Ōkuninushi, foi deixado para governar esta erra, enquanto ele próprio ia em direção à Coréia. Ōkuninushi tinha muitos irmãos, todos engajados em uma luta pelo poder soberano. A vitória permanecia com Ōkuninushi, mas seu reino continuava sofrendo constantes ataques. Sukunahikona, um dos filhos de Amaterasu, veio a Izumo pelo mar e ajudou a restaurar a paz. Daí em diante, Ōkuninushi e seus filhos administraram o reino com tranquilidade.

Enquanto isso, na Região Celestial, Amaterasu, nomeou seu filho Amanooshihohomimi para governar Midzuho-no-kuni em Toyo-ashihara, que acredita-se seja o próprio Japão e ordenou que ele descesse e assumisse autoridade na terra. Entretanto, como o reino proposto estava muito desordenado, Amaterasu, por ordem do Deus do Céu, realizou um conselho de divindades, pelo qual um mandato para restaurar a paz foi dado a Amano. Ele não conseguiu cumprir sua missão, e outra divindade foi enviada posteriormente para cumprir essa mesma missão. Mas esta outra divindade também foi derrotado por Ōkuninushi e não retornou ao céu. Mais uma vez, um conselho de divindades foi convocado na Região Celestial e este enviou a terra Nanakime para fazer um reconhecimento. No entanto Nanakime foi morto por Ame-no-Wakahiko. Finalmente, Takemikazuchi, foi incumbido do dever, rumou a Izumo e informou Ōkuninushi da ordem dada pelo Deus do Céu, que o filho de Amaterasu deveria assumir a soberania do país então governado por Ōkuninushi. A ordem foi finalmente obedecida. Ōkuninushi cedeu seu reino ao filho da deusa e com seus filhos deixou a região. Takemikazuchi levou as notícias para Amaterasu, que de acordo com os comandos do Deus do Céu, convocou seu filho, Amanooshihomimi, e informou-lhe que, tendo a paz sido restaurada na terra, ele deveria governá-la. Amanooshihomimi, no entanto, pediu para que seu filho, Ninigi, pudesse ser enviado em seu lugar, e a deusa consentiu. Ninigi foi nomeado para governar o Japão e manter sua prosperidade enquanto o céu e a terra durassem. Amaterasu deu a Ninigi a espada Kusanagi (草薙剣) , a jóia Yasakani no Magatama (八尺瓊曲玉), e o espelho Yata no Kagami (八咫鏡) dizendo: "Esse espelho é o meu espírito; considere-o como a mim mesmo". Daí em diante, a Jóia, o Espelho e a Espada, são venerados como as três preciosas relíquias da deusa, e foram transmitidos como insígnias do imperador por todas as gerações.

A divindade terrestre, Sarudahiko, ao receber as notícias da aproximação de Ninigi e de sua comitiva divina, saiu para cumprimentá-lo. Sob sua orientação, Ninigi passou pela Montanha Takachiho na Província de Hyūga, na ilha de Kyūshū, e construiu sua residência no Promontório de Kasasa (atual porto de Kaseda na Província de Satsuma). Ninigi tomou como esposa a filha de uma divindade terrestre, e com ela teve dois filhos, Hosuseri e Hikohohodemi. Os irmãos lutaram pelo reino, e como resultado o mais jovem subjugou o mais velho com a ajuda da divindade do mar, com cuja filha ele havia se casado. O filho do vitorioso, Ugayafukiaezu, também se casou com uma filha da divindade marinha e teve quatro filhos, Itsuse, Inahi, Mikenu e Iwarehiko, dos quais o quarto e mais jovem depois se tornou o Imperador Jimmu. Inahi foi para o domínio de sua mãe sobre as ondas, e Mikenu para o distante Tokoyo, ou a Região da Noite Eterna. [2]

Notas

  1. Nakatsukuni , o pais do meio, o mundo entre Takamanohara (Céu) e Yomi (Inferno)
  2. A genealogia abreviada das "Deidades".
    Izanagi (marido) Izanami (mulher)
    Amaterasu Tsukiyomi Susanoö
    Amano-oshihomimi Amano-hohi Ōkuni-nushi
    Hikoho-no-ninigi
    Hikohohodemi Hosuseri
    Ugayafukiaezu
    Itsuse Inahi Mikenu Imperador Jimmu.