Logística/Movimentação de materiais/Princípios de movimentação de materiais


O Material Handling Institute definiu 10 princípios de movimentação de materiais. Os 10 princípios são fundamentais para o projecto, concepção, análise e operação de sistemas de movimentação de materiais (THE TEN, [2010]).

  • Planeamento. Toda as movimentações de materiais devem ser planeados de acordo com a sua necessidade, objectivos de desempenho e especificações funcionais propostas no início do projecto.
    • O sucesso do planeamento de projectos de movimentação de material em grande escala requer uma equipa especializada e integrada que engloba fornecedores, consultores (quando necessário), gestores, engenharia, informática e sistemas de informação, finanças e operações;
    • O planeamento da movimentação de material deve responder aos objectivos estratégicos da organização, bem como às necessidades a cumprir a curto prazo;
    • O planeamento deve ser baseado em métodos e problemas existentes, sujeito às limitações económicas e físicas actuais, e atender aos requisitos e objectivos organizacionais;
    • O planeamento deve promover a engenharia simultânea dos produtos, projecto e layout dos processos e métodos de movimentação de materiais, de modo a tornar o sistema flexível, para que possíveis alterações no mesmo, possam ser compreendidas e resolvidas, ao contrário das práticas de projectos independentes e sequenciais;
  • Normalização dos métodos de movimentações de materiais, equipamentos, controlos e software, sem prejudicar a flexibilidade, modularidade e as taxas de produção necessárias do sistema. Normalizar métodos de movimentação de material e equipamentos, reduz a variedades e a personalização dos processos.
    • O engenheiro deve seleccionar os métodos e equipamentos que possam executar diversas tarefas, sob várias condições de funcionamento, e antecipar futuras alterações no sistema. Ou seja, os métodos e equipamentos devem ser normalizados e, ao mesmo tempo, garantir a flexibilidade e modularidade do sistema;
    • Deve ser aplicada aos diferentes métodos de movimentação de materiais, tais como aos diversos tamanhos de embalagens e contentores, bem como a procedimentos operacionais e equipamentos;
    • A normalização, flexibilidade e modularidade devem-se complementar, proporcionando, assim, compatibilidade.
  • Trabalho. A movimentação de materiais é igual ao produto da taxa de fluxo de movimentação de materiais (volume, peso ou quantidade por unidade de tempo) pela distância percorrida. A movimentação de materiais deve ser minimizada, sem prejudicar a produtividade ou o nível de serviço exigido pela operação.
    • Simplificação de processos através da redução, combinação ou eliminação de movimentações desnecessárias;
    • Deve-se considerar a armazenagem e a recolha de material, como movimentos distintos e componentes da distância percorrida;
    • O trabalho da movimentação de materiais pode ser simplificado e reduzido através de layouts e métodos eficientes;
    • Sempre que possível, a força gravitacional deve ser utilizada para mover materiais ou para ajudar na sua movimentação, tendo em atenção a segurança e potenciais danos no produto;
    • A menor distância entre dois pontos é em linha recta.
  • Ergonomia. É importante reconhecer as capacidades e limitações humanas, tanto físicas como psicológicas, de modo a conceber métodos de movimentação de material e equipamentos seguros e eficazes.
    • Os equipamentos devem ser seleccionados de forma a eliminar movimentações manuais repetidas e extenuantes e que efectivamente possam interagir com os operadores;
    • Nos sistemas de movimentação de materiais, modificações ergonómicas no layout e projecto do local de trabalho é importante prestar atenção às características físicas humanas;
    • Os equipamentos especialmente concebidos para a movimentação de materiais são geralmente mais caros do que equipamentos genéricos. Contudo, é possível prevenir o risco de lesão e fadiga do trabalhador, assim como possíveis erros e ineficiências operacionais associadas, minimizando custos e prejuízos a longo prazo (Taylor, 2009, p. 7-5).
  • Unidade de carga. A unidade de carga deve ser dimensionada e configurada de forma a satisfazer os objectivos de fluxo de materiais e armazenagem em cada fase da cadeia de abastecimento.
    • Facilidade na recolha e movimentação de vários itens individuais como uma unidade de carga, do que a movimentação de vários itens, um de cada vez;
    • O tamanho e a composição da carga podem ser alterados durante as diversas fases de fabricação, armazenagem e distribuição;
    • É usual existirem unidades de carga de grandes dimensões de matérias-primas e produtos, antes e depois da fabricação, respectivamente;
    • Durante a fabricação, unidades de carga de pequenas dimensões, por vezes constituídas por um item, diminuem os stocks em curso de fabrico e os tempos dos ciclos de produção;
    • Unidades de carga de pequenas dimensões são utilizadas na produção, a fim de atingirem objectivos operacionais, tais como flexibilidade, fluxo contínuo de materiais e a entrega just-in-time;
    • Unidades de carga compostas pelo agrupamento de diferentes itens são comuns nos processos just-in-time e em estratégias de oferta personalizada, desde que a selectividade dos itens não fique comprometida.
Figura 1 - O monorail aéreo é um tipo de equipamento de movimentação de materiais suspenso ao longo da instalação.
  • Utilização do espaço. Deve ser feita de forma a tornar o sistema de movimentação de materiais mais eficaz e eficiente. Na movimentação de materiais, o conceito de espaço é tridimensional, normalmente considerado como espaço cúbico.
    • Devem-se eliminar todos os espaços desordenados e desorganizados, como por exemplo: corredores obstruídos;
    • Nas áreas de armazenamento, o objectivo é maximizar e balancear a densidade de armazenamento, de modo a obter acessibilidade e facilidade de seleccionar e carregar determinados itens;
    • A utilização do transporte aéreo de carga, no interior do espaço cúbico da instalação, deve ser considerada como uma opção de melhorar e optimizar o sistema de movimentação de materiais (ver Figura 1);
  • Sistema. As actividades de movimentação e armazenagem devem ser totalmente integradas de forma a criar um sistema operacional coordenado, que envolva a recepção, inspecção, armazenagem, produção, montagem, embalagem, selecção, expedição, transporte e movimentação de devoluções.
    • A integração de sistemas deve envolver toda a cadeia de abastecimento, incluindo a logística inversa. As principais entidades da cadeia de abastecimento são: fornecedores, fabricantes, distribuidores e clientes;
    • Os níveis de stock devem ser reduzidos em todas fases da produção e distribuição, considerando as variabilidades do processo e os serviços prestados ao cliente;
    • Os fluxos de informação e de materiais devem ser integrados e processados em simultâneo. O fluxo de informação geralmente segue o fluxo de material;
    • Os métodos devem facilitar a identificação de materiais e de produtos, determinar a sua localização, estado de processamento e movimentação, dentro das instalações e na cadeia de abastecimento;
    • As necessidades dos clientes em relação à quantidade, qualidade, pedidos e cumprimento dos prazos devem ser atendidas com rigor.
  • Automatização. As operações de movimentação de materiais devem ser mecanizadas ou automatizadas, sempre que possível, de modo a aumentar a eficiência, capacidade de resposta, uniformidade e previsibilidade do sistema, e reduzir custos operacionais, eliminando o trabalho manual repetitivo e potencialmente inseguro.
    • Simplificação dos processos e métodos pré-existentes, antes de instalar sistemas mecanizados ou automatizados;
    • Utilização de sistemas de informação de forma a integrar, controlar e gerir todos os fluxos de informação e de materiais;
    • Os problemas de interface são críticos para garantir o sucesso da automatização;
    • Os itens a ser movimentados devem possuir formas e características padronizadas que permitam a movimentação mecanizada ou automatizada.
  • Meio-ambiente. O impacto no meio-ambiente e o consumo de energia devem ser considerados como aspectos relevantes no projecto e selecção de equipamentos e de sistemas de movimentação de materiais, de modo a preservar os recursos naturais existentes na Terra e minimizar os possíveis efeitos negativos no meio ambiente.
    • Contentores, paletes e outros equipamentos usados para proteger unidades de carga devem ser concebidos visando a reutilização e a biodegradabilidade após a sua utilização, sempre que possível;
    • O projecto de sistemas deve ser dimensionado de modo a acomodar equipamentos e subprodutos de movimentação de materiais e produtos;
    • Materiais e produtos perigosos têm necessidades especiais no que diz respeito à protecção contra o derramamento, combustibilidade e outros riscos;
  • Custo do ciclo de vida. A análise económica deverá considerar o ciclo de vida de todos os sistemas resultantes da movimentação de materiais, incluindo todas as despesas e gastos desde o momento em que o primeiro valor é gasto para projectar ou adquirir um novo método ou equipamento de movimentação, até a eliminação ou substituição total do métodos ou equipamento.
    • Os custos do ciclo de vida do sistema incluem o investimento de capital, instalação, configuração e preparação de métodos e equipamentos, treino, teste e recepção do sistema, operação (mão-de-obra, serviços, entre outros), manutenção e reparação, revenda e disposição final;
    • O plano de manutenção irá prolongar a vida útil do equipamento. Os custos associados à manutenção e substituição de equipamentos também devem ser incluídos na análise económica;
    • Deve de existir um plano substituição de equipamentos obsoletos, a longo prazo;
    • Além dos custos operacionais mensuráveis, existem outros factores de natureza estratégica e competitiva que devem ser quantificados, se possíveis.