Microeconomia/Conceitos básicos

Neste primeiro capítulo vamos abordar alguns conceitos básicos que devem ficar bem claros. Iremos analisar o conceito de escassez, custo de oportunidade e estudo na margem. Iremos também iniciar a análise microeconômica partindo de um modelo radicalmente simples: o modelo da Fronteira de Possibilidades de Produção.

Conceitos transversais

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Em princípio não deverão existir grandes dúvidas, todos estes conceitos baseiam-se em senso comum e lógica humana, é necessário apenas que tenha em mente que a tomada de decisão em economia ocorre baseada em conceitos tão simples como estes.

Escassez, racionalidade, marginalismo e incentivos

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A escassez é um conceito muito simples que se define "quando o que temos não dá para tudo". Ninguém tem tudo, e todos nós queremos sempre mais alguma coisa. Este é um dos princípios fundamentais da Economia, as nossas necessidades (desejos) são ilimitados e os recursos que temos para satisfazer esses mesmos desejos são limitados e escassos.

A existência de um limite aos nossos recursos leva-nos inevitavelmente ao conceito de ESCOLHA. Ou seja, o optarmos por determinada solução em vez de outra. Este conceito está muito ligado ao de Custo de oportunidade, de que falaremos já a seguir. Existe por isso a necessidade de fazer "Trade-Offs", ou seja de tomar uma decisão baseando-me numa análise custo-benefício.

Exemplo: tenho 10 euros e quero comprar chocolates e maçãs (1 euro cada). Posso comprar 10 chocolates, ou 10 maçãs, ou fazer combinações dos dois produtos. Estou limitado nos meus recursos mas vou agir com racionalidade, escolhendo aquilo que mais valorizo. Para tal respondo à seguinte questão "Quanto valorizo o consumo de mais um maçã?". Este raciocínio é apelidado de pensamento na margem. Ou seja a análise dos benefícios que o consumo de mais uma unidade de um bem me traz.

Agora que vimos que o agente econômico toma a sua decisão de forma racional e baseado na valorização marginal (quanto valorizo o consumo de mais uma unidade), falta apenas termos noção que o ser humano reage a incentivos.

Estes incentivos provocam mudanças nos consumidores e levam-no a alterar a sua decisão. Se tivermos duas lojas ao lado uma da outra, em que ambas as lojas vendem maçãs por 1€, o agente econômico (o consumidor) vai optar por qualquer da loja. Contudo se a loja A baixar os preços para metade, é lógico e racional que o consumidor passe a comprar maçãs nesta loja e não na outra. Todos nós reagimos a incentivos que alteram as nossas escolhas.

Mas como é que decidimos consumir mais uma maçã em vez de um chocolate? Que mecanismo está por trás desta tomada de decisão? Trata-se do conceito de custo de oportunidade que de seguida analisamos.


Custo de Oportunidade

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O conceito de custo de Oportunidade está intrinsecamente ligado ao conceito de escolha. Regressando ao nosso exemplo inicial, quando optamos por consumir uma maçã, perdemos a oportunidade de consumir um chocolate.

O custo de oportunidade analisa precisamente isto e é definido como "o valor da melhor alternativa sacrificada". Ou seja é um custo implícito no qual incorremos SEMPRE que tomamos uma decisão. Ao fazer uma escolha optamos por uma opção em detrimento de outra. o custo de oportunidade é precisamente o valor do produto que não escolhemos.

O conceito é simples e intuitivo contudo em algumas perguntas teóricas é difícil expressar e utilizar o conceito para explicar determinados fatos. Como o conceito é bastante intuitivo seguem-se dois exemplos para sistematizar os conhecimentos.

  » Valorizo a ida ao cinema em 10€ e valorizo uma ida à praia em 5€. Opto por ir ao cinema. 
    O custo de oportunidade implícito a esta decisão é o valor da alternativa que sacrifiquei (ir à praia), ou seja 5€.
  » Tenho duas opções, compro um gelado, ou compro chocolates. Valorizo ambas as opções e 1€. 
    Opto pelo chocolate. O custo de oportunidade é de 1€ (por não ter consumido o gelado).

Destes exemplos é importante reter que o custo de oportunidade reflete a valorização que eu faço das minhas opções e não o custo efetivo dessas opções. Valorizo a ida ao cinema em 10€, ou seja estou disposto a pagar até dez euros. Contudo o preço do cinema não são 10 euros. O Custo de Oportunidade mede valorizações.

É importante compreender também que quando se fala em custos em economia contabiliza-se sempre o custo de oportunidade. Desta forma o custo econômico é diferente do contabilístico. Quando dizemos que uma empresa tem lucro econômico igual a 0, não significa que não tem lucro. Significa apenas que no mercado em que opera, a empresa está a ter a mesma valorização que teria num mercado alternativo. Este conceito pode parecer agora um pouco confuso mas será explicitado quando falarmos de concorrência perfeita.

A reter: "O custo oportunidade é o valor da melhor alternativa sacrificada". E ainda, "O custo econômico é o custo contabilístico acrescido do custo de oportunidade".

Ganhos e Troca

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O Conceito de ganhos e troca estão intimamente ligados e, à semelhança dos restantes conceitos abordados neste capítulo, são bastantes intuitivos.

Imaginemos a seguinte situação hipotética:

  Vou à bomba de gasolina e quero encher o depósito com 10 litros. 
  Não existe preços definido e cabe-me a mim definir o preço com o gasolineiro.

De novo entramos com a questão das valorizações. Ou seja, imaginemos que eu precisava muito da gasolina e estava disposto a pagar 5€ por litro. O gasolineiro contudo estava disposto a receber 1€ por litro.

Temos por isso a seguinte situação:

  Preço mínimo por litro: 1€
  Preço máximo por litro: 5€

Qualquer valor entre 1€ e 5€ irá satisfazer ambos os agentes e motivar a transação. Se contudo o vendedor valorizar o bem num valor superior ao que o consumidor está no máximo disposto a pagar (por exemplo 7€), então não irão existir transações.

A definição do preço da transação vai depender da habilidade de negociação de ambos os agentes. Imaginemos que, após alguma negociação ficou acordado o pagamento de 2€ por litro. Então chegamos à seguinte situação: temos um equilíbrio, as unidades são transacionadas e tanto o consumidor como o vendedor ficam com um excedente. A diferença entre o preço máximo (5) e o preço pago (2) dá-nos o excedente do consumidor - a valorização que o consumidor obteve desta transação (além do que pagou). E a diferença entre o preço pago e o preço mínimo dá-nos o excedente do profutor - a valorização que o produtor obteve com esta transação.

Desta forma, quando existe uma transação existe sempre um valor criado (diferença entre o máximo disposto a pagar e o mínimo disposto a receber). Este valor é repartido pelos dois agentes de forma diferente dependendo do preço.

Este conceito será também sistematizado quando abordarmos o equilíbrio de mercado.

Eficiência econômica e redistribuição

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"Quando existem transações voluntárias que não se realizam não existe eficiência, pois existe perda de valor".

O conceito de eficiência é também muito simples e por vezes colide com noções éticas e morais de redistribuição. Por essa razão quando falarmos de eficiência não nos vamos preocupar com a questão da redistribuição. O objetivo da economia é atingir a eficiência econômica, algo explicado pelo modelo de concorrência perfeita. Contudo, o fato de estarmos em eficiência não implica que estejamos numa sociedade justa e equitativa. A questão da redistribuição não é passivo de análise neste livro. Os governantes quando fazem e desenham políticas econômicas têm que ter em conta os impactos sociais que ocorrem. Desta forma tomam por vezes medidas que são negativas em termos de eficiência econômica mas positivas em termos de redistribuição. Ao longo desta cadeira vamos nos deparar com inúmeros exemplos desta situação, como os impostos.

Voltando ao exemplo da gasolina, foi gerado valor resultante da diferença entre o valor máximo que o consumidor estava disposto a pagar e o valor mínimo que o produtor estava disposto a receber. Ou seja, todas as transações vão realizar-se. Assim este mercado está em eficiência econômica.

Contudo consideremos a seguinte situação irrealista: as pessoas estão impedidas por lei de comprar gasolina. Nesta situação existe ineficiência econômica. uma vez que os agentes econômicos estavam dispostos a fazer transações mas estão impedidos de o fazer.

A situação pode parecer, e é, irrealista. Porém podemos analisar outras situações similares. O estado coloca impostos sobre as pessoas e sobre o rendimento. Imaginemos que o Estado decide colocar um imposto no mercado da gasolina. Se a taxa de imposto escolhida for superior à margem de negociação existente (valor máximo-valor mínimo), então não se irá realizar nenhuma transação. Originando assim mais uma ineficiência.

Sabemos que os impostos são necessários e, como iremos provar mais à frente, quase todos os impostos geram ineficiência. A questão será escolher os mercados sobre os quais os impostos devem incidir e a respectiva taxa. Sobre isto falaremos mais à frente no capítulo referente à Tributação.

A reter deste último conceito transversal: "Eficiência econômica não implica redistribuição e justiça social" e "A ineficiência surge quando transações voluntárias não se realizam. Tal deve-se normalmente a questões legais, práticas ou tributárias".

Custo Afundado

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O conceito de Custo Afundado (sunk cost em inglês), resume-se a um custo que é FIXO e IRREVERSÍVEL. Estes custos, como nunca os poderemos recuperar, não devem ser tidos em conta no momento de uma decisão econômica. O exemplo secuinte ilustra este conceito.

"Um município decidiu aprovar a construção de uma escola. Os benefícios desta escola foram estimados em 100 e os seus custos em 90. Durante a construção os custos derraparam. Neste momento os custos acumulados são de 150. Um vereador da oposição propoem parar a obra por considerar que o projeto terá inevitavelmente prejuízo. Os custos estimados para terminar a obra são de 20."

Numa perspectiva de análise econômica este argumento está errado. o custo acumulado de 150 são custos afundados. Não os podemos recuperar nunca. Por isso a questão é verificar se os custos de terminar a obra são menores que os benefícios que dela advém. Como os benefícios são 150 e os custos adicionais 20 então deve-se concluir a obra, pois o valor já pago é um custo afundado.

São estes os conceitos básicos e princípios que regulam a microeconomia. Agora vamos iniciar a análise de modelos econômicos que nos irão permitir tirar conclusões mais complexas e interessantes.

Fronteira de possibilidades de produção

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Analisamos agora um primeiro modelo de análise econômica. Apesar de ser extremamente simples permite tirar conclusões fáceis e intuitivas que irão permitir uma melhor aprendizagem dos conceitos transmitidos por modelos mais complexos, cujo estudo iniciaremos depois. É necessário compreender bem a teoria bem como a prática desta matéria.

Uma visão radicalmente simplificada

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A ciência econômica procura analisar a realidade do nosso mundo e a forma como funciona a economia. Contudo numa época em que as variáveis que influenciam o nosso dia-a-dia são tantas torna-se urgente simplificar. Os economistas utilizam por isso a chamada modelização, que consiste na simplificação dos sistemas econômicos a modelos simples, claros, práticos que permitam tirar conclusões.

Em microeconomia daremos especial importância ao modelo de procura-oferta, concorrência perfeita e monopólio. "Brincando" com estes modelos e introduzindo algumas variante tiraremos importantes conclusões.

Porém, antes de abordarmos estes modelos mais simples vamos começar com um mais simples: o modelo da fronteira de possibilidades de produção. Este assenta numa extrema simplificação da realidade. Ainda que absurda é-nos útil para nos introduzir e aplicar alguns conceitos econômicos que nos serão úteis mais para a frente.

O modelo da fronteira das possibilidades de produção (FPP) representa uma economia muito simples que depende apenas da produção de dois produtos e tendo um único fator de produção. Assim, neste capítulo é necessário ter em consideração que a economia só produz dois produtos, e apenas a quantidade de trabalho deslocado ora para a produção de um ou para outro poderá alterar os resultados.

Para sistematizar os conhecimentos de forma prática vamos utilizar no resto do capítulo o mesmo exemplo. Considere a seguinte situação:

No meio do Atlântico existe uma ilha. A ilha Selvagem encontra-se totalmente isolada do resto do mundo. A população desta ilha tem à sua disposição: ananases e peixes. Os trabalhadores da ilha dispõe de 60 horas semanais para trabalhar e caçar/colher estes produtos necessários à sua alimentação. Sabe-se ainda que para se apanhar um conjunto de peixes demora-se 1,5 horas e para apanhar um cesto de ananás demora-se 2 horas.

Com base nesta situação é possível traçar a fronteira de possibilidades de produção da economia. Sabemos que se se dedicarem apenas à pesca, produzirão 0 ananáses e 40 peixes. Se só apanharem ananáses produzirão 30 e 0 peixes.

Esta economia representada pelo seguinte gráfico. (Considerando que o trabalho não é homogêneo)

 

A curva representa todas as possibilidades de produção que podem ser atingidas com os recursos e tecnologias existentes. Nos eixos estão representados os dois produtos produzidos pela economia e a curva representa todos os pontos de produção possíveis. É o resultado da afetação de recursos (neste caso trabalho). Podemos colocar todos a produzir X ou Y ou ambos. A curva representa por isso os pontos de eficiência de produção: os pontos em que os recursos (trabalho) está a ser utilizado ao máximo.

Pontos interiores (D) à curva são pontos ineficientes, pois existem recursos que poderiam ser utilizados para produzir mais. Ou seja, é possível alocar os recursos de modo a produzir mais Ananás e mais Peixe.

Os pontos eficiente (A e B), todos os que estão sobre a curva, representam os pontos em que qualquer alteração feita levará sempre a perder um bem. Se quiser produzir mais Ananás terei que abdicar de Peixe e vice-versa.

Os pontos exteriores (C) à curva são precisamente os pontos impossíveis, uma vez que não existe nenhuma combinação de recursos possível que me permita produzir nesses pontos.

Por que uma curva? A fronteira de possibilidades de produção não é necessariamente definida por curvas. Acontece por vezes ser definida por retas. Neste curso trabalharemos com retas pois é mais intuitivo e o seu cálculo é mais fácil. Contudo convém ter noção que as FPP's são geralmente curvas. Isto ocorre devido aos fatores de produção não serem homogêneos. Ou seja, se tivermos uma economia que produz batatas e cebolas e só produzir batatas, todos os meus recursos estarão alocados para este bem. Contudo se eu quiser produzir algumas cebolas, vou retirar alguns trabalhadores das batatas e passá-los para as cebolas. Parte-se do princípio que os trabalhadores escolhidos são os melhores nas cebolas e o piores nas batatas. Isto significa que ao deslocarmos estes trabalhadores temos uma perda pequena na produção de batatas e um grande ganho na de cebolas. Há medida que avançamos na curva a situação inverte-se até que no limite estamos a deslocar trabalhadores muito bons nas batatas para um mercado onde são péssimos: os das cebolas.

Trabalhar com FPP reta não tem isto em conta. Em retas parte-se do princípio que todos os trabalhadores são iguais. É apenas um promenor técnico, mas importante para consolidar conhecimentos.

Daqui para a frente ao trabalharmos com este exemplo teremos uma FPP reta representada por:

 

As possibilidades de produção de uma economia

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Todas as possibilidades de produção de uma economia é representada como a área por baixo da FPP. Claro que os pontos eficientes são os da curva e, como já vimos, os pontos inferiores são pontos de ineficiência e desperdício de recursos.


A Reta das Preferências

Se os pontos de eficiência são todos os da curva, temos por isso n pontos de eficiência. Como decidir qual o melhor? De novo é-nos introduzido a questão da escolha. A escolha vai depender das preferências dos consumidores.

 

Considerando a economia acima representada, como decidir qual dos pontos A, B ou C escolher? São todos pontos de eficiência. Sabemos que em autarcia (economia fechada) o ponto de produção será igual ao ponto de consumo, e sabemos que o ponto de consumo será influenciado pela reta das preferências.

Assim, se soubermos que nesta economia os consumidores valorizam a comida tanto como os computadores, teremos um reta das preferências y=x. Ou seja Ananás = Peixe. A valorização de ambas as unidades é igual. Ao traçar a reta vamos obter um ponto de intersecção com a FPP. Esse ponto corresponde ao escolhido para a produção. É nesse ponto que são produzidos os bens (nas proporções desejadas pelos consumidores, neste caso 1:1) com a máxima eficiência. Se porém se soubesse que a população valoriza o ananás duas vezes mais que os peixes teríamos então uma outra reta das preferências: Ananás = 2 Peixes. Que se traduz y=2x, e que significa que para obter a mesma satisfação por um cesto de ananás, a população teria que consumir dois peixes. A reta das preferências é um dado do enunciado. Consideremos daqui para a frente que na ilha Selvagem, a intersecção da reta com a FPP dá-nos o ponto de produção em economia fechada (PPF) seguinte:

 


O Custo de Oportunidade na FPP

Uma vez que para definir o ponto de produção em economia fechada temos que fazer uma escolha surge a inevitável ligação ao custo de oportunidade (CO) que analisámos no capítulo anterior. Este vai-nos permitir responder a questões do tipo "Quantos computadores terei que abdicar para produzir mais uma unidade de comida?", e vice-versa.

Vamos por isso analisar o impacto na quantidade produzida do bem B, se variarmos numa unidade a produção do bem A. Este valor que teremos que abdicar de produzir representa o custo de oportunidade na FPP.


Em Retas:

O cálculo em retas do CO é bastante simples. Como se trata de uma reta o fator de produção (trabalho) é homogêneo. Como a produtividade marginal é constante, então o custo marginal também será assim.

CO A,B = Total máximo de B / Total máximo de A


Esta fórmula indica-nos o custo de produzir mais uma unidade de A em termos de B e calcula-se como o quociente entre a quantidade máxima possível de produzir do bem B, pela quantidade máxima do bem A.

 

Com base no nosso exemplo inicial vamos calcular os CO da ilha selvagem:

CO a,p = 40/30 = 4/3

Ou seja, o custo de se produzir mais um cesto de ananás será a perda de 2 conjuntos de peixes.

Para calcular o CO p,a, podemos utilizar a mesma forma de cálculo ou, se simplesmente fazer o inverso do CO a,p.

Assim temos que:

CO p,a = 1/Co a,p = 3/4


Em curvas

Nas FPP's curvas o raciocínio é idêntico. Contudo como é uma curva a produtividade marginal é decrescente e o custo de oportunidade vai variar dependendo do ponto em que estamos a produzir. Para tal teremos que utilizar o conceito de derivadas parciais.


CO x,y = |ƏY/ƏX|

Fazendo a derivada no ponto de produção teremos o CO de um bem em termos do outro.


Se contudo a nossa FPP for descontínua (não uma linha mas apenas um conjunto de pontos), devemos calcular o custo de oportunidade com recurso à seguinte fórmula:


CO x,y (quando X=a) = |ΔY/ΔX|

Alterações na Tecnologia de Produção

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O gráfico seguinte demonstra o efeito de alterações da tecnologia nas FPP's.

 

Se temos uma nova tecnologia poderemos produzir o mesmo em menos tempo logo irá existir uma expansão da FPP. A única forma de passar a PRODUZIR em pontos que anteriormente estavam inacessíveis é expandindo a FPP.

A alteração da tecnologia no produto X, permitirá uma expansão da FPP de A para B. Ou seja, passa a ser possível mais unidades de X mas não de Y, pois a sua tecnologia manteve-se inalterada. Se fizermos o contrário (alterarmos a tecnologia de Y) obteremos o mesmo efeito: uma expansão das possibilidades de produção do produto Y e o produto X ficará igual.

Se contudo alterarmos ambas as tecnologias, teremos uma expansão da FPP de A para C, permitindo uma maior produção simultânea de ambos os bens: X e Y.

A Abertura ao Comércio Internacional

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Regressando ao nosso exemplo temos neste momento uma economia que produz ananás e peixe. O seu ponto de produção (PPF) é igual ao seu ponto de consumo (PCF) e corresponde a (28,9).


Consideremos agora que, após a construção de uma canoa, foi possível aos habitantes da Ilha Selvagem encontrarem uma outra ilha perdida no Atlântico: a ilha Tórrida. Esta ilha tem as seguintes características:

  • Produz os mesmos bens que a Selvagem (Ananás e Peixe)
  • Dispõe do mesmo tempo de trabalho (60 horas)
  • Demora 6 horas a produzir 1 Peixe e 3 horas a produzir 1 Ananás.

A sua FPP é representada por:

 

Prende-se a seguinte questão: Saem as duas ilhas beneficiadas se se decidir fazer comércio?

Para responder a tal questão teremos que fazer alguns cálculos.

Considere que o Ponto de Produção da Ilha Tórrida é de (6,8).

Em primeiro lugar devemos calcular os CO da ilha Tórrida da mesma forma que fizemos para a ilha Selvagem. Os resultados encontram-se sintetizados na seguinte tabela:

Ilha Selvagem Ilha Tórrida
CO a,p 4/3 1/2
CO p,a 3/4 2


Com base nos resultados da tabela sabemos que:

  • Vantagens absolutas: a Ilha Selvagem detém as vantagens absolutas pois produz mais em ambos os produtos.
  • Vantagens comparativas: a Ilha Selvagem tem vantagens comparativas em Peixe e a Tórrida em Ananás. Estas vantagens são determinadas com base na relação entre os Custos de oportunidades do mesmo bem em ambas as ilhas. São estas vantagens que interessam para o comércio internacional pois permite minimizar os custos.


Especialização das Economias:

  • Ilha Selvagem: Vai produzir Só peixe. Exportando o que sobra e importando ananás com o dinheiro das importações.
  • Ilha Tórrida: Vai produzir Só ananás. Exportando o que sobra e importando peixe com o dinheiro das importações.

Consideremos que ambas as ilhas são price-takers (a alteração nas quantidades produzidas não afetam os preços internacionais devido à sua reduzida importância num mercado global). E que a nível global Peixe = Ananás, ou seja os preços são iguais.

Desta forma os padrões de troca serão de 1:1 » 1 peixe por um ananás.


Assim vamos ter as economias a produzir o seguinte:

  • Ilha Selvagem: 40 peixe. 0 ananás.
  • Ilha Tórrida: 20 ananás. 0 peixe.


Trocas:

  • Ilha Selvagem: Exporta 10 peixes e importa 10 ananás.
  • Ilha Tórrida: Exporta 10 ananás e importa 10 peixe.

Note que a balança comercial fica equilibrada pois os preços são iguais. As importações são compensadas pelas exportações em ambas as economias.


Ponto de Consumo em Economia Aberta:

  • Ilha Selvagem: 30 peixes ; 10 ananás.
  • Ilha Tórrida: 10 prixes ; 10 ananás.

Estes pontos de consumo finais são melhores que os iniciais, logo o comércio internacional é positivo pois permite CONSUMIR em pontos anteriormente impossíveis.

O modelo de FPP ajuda-nos a compreender que a especialização ocorre de acordo com as vantagens comparativas (comparação entre os custos de oportunidade), e que os termos de troca são enquadrados entre os custos de oportunidade.

A imagem de baixo mostra as vantagens do comércio internacional. As retas V1, V2 e V3 representam retas de iso-valor, ou seja todos os pontos sobre a mesma reta conduz ao mesmo gasto de recursos. Por construção geométrica sabemos que o ponto no qual os recursos serão mais eficientemente utilizados será sobre a FPP. Desta forma encontramos a reta de iso-valor V3, que é tangente à FPP. Se produzirmos no ponto C será possível consumir em qualquer ponto para baixo da reta. Ou seja, produzir no ponto C permite consumir algo com os mesmos custos numa zona que anteriormente era inacessível. A área a verde representa por isso os ganhos de comércio: as novas possibilidades de consumo que surgem gastando o mesmo e produzindo no ponto C.

 

Assim concluímos que a existência de comércio internacional é boa.