Retórica e argumentação/Figuras de estilo/Antirrhesis

Antirrhesis consiste em duvidar ou rejeitar a credibilidade ou autoridade intelectual de alguém ou uma fonte.

Exemplo 1: "Há em vários dos seus [dos estoicos] discursos várias coisas escritas pelo próprio Zenão, várias por Cleantes, e mais ainda por Crisipo, acerca de política, governo e ser governado, acerca de julgamentos e advocacia; mas ainda assim há nada a ser encontrado em suas vidas sobre a liderança de exércitos, confecção de leis, idas ao parlamento, advocacia perante os juízes, luta por seu país, viagens a embaixadas ou criação de bens públicos... levaram suas vidas - não curtas, mas bem longas - em países estrangeiros, entre debates, livros e caminhadas. É manifesto que viveram de acordo com os escritos e ditos de outros ao invés dos próprios, levando todos seus dias naquele repouso que Epicuro e Jerônimo tanto prescreveram." (Plutarco, Contradições dos Estóicos)

Exemplo 2: "Aqueles que atribuem a invenção [da filosofia] aos bárbaros apontam para Orpheus, o trácio, chamando-o de um filósofo cuja antiguidade não pode ser duvidada. Agora, considerando o tipo de coisas que ele disse sobre os deuses, não sei se ele deva ser chamado de filosofo; pois como devemos julgar alguém que não tem escrúpulos em culpar os deuses por todos os sofrimentos humanos?" (Diógenes Laércio, Vidas dos Filósofos Eminentes)

Cuidado: A antirrhesis é muito propensa a descambar para ataques pessoais e falácia ad hominem, ou mesmo falácia do escocês. Use-a com cuidado e lembre-se sempre que é mais importante discutir o mérito das ideias do que caráter das pessoas.