Português/Acentuação e sinais auxiliares da escrita/Acento agudo e circunflexo

A função do acento na língua portuguesa é permitir que haja conhecimento da tonicidade das palavras, sejam desconhecidas, homógrafas, homônimas ou habituais.

TonicidadeEditar

Monossílabos tónicos/tônicosEditar

Acentua-se os monossílabos tônicos (de silabação forte) terminados em a, e, o e seus respctivos plurais (as, es, os).

Exemplo: pá, lá, cá, pé, chá.

OxítonasEditar

  • Acentuam-se oxítonas terminadas em a, e, o, em e seus respctivos plurais (as, es, os, ens) e nos ditongos abertos éi, éu e ói e seus respectivos plurais (éis, éu, óis). Recebem também, quando exepcionalmente, i, is, u, us são sílabas tônicas, procedidas de vogal.

Exemplos: sabiá, chalé, maiô, parabéns, armazém, além.

Com colocação pronominal por pronomes oblíquos enclíticos em verbos, não se conta este como sílaba, pois são palavras diferentes.

ParoxítonasEditar

A regra clássica diz que são acentuadas as paroxítonas terminadas em um, ã, l, n, r, x, ps, om e ditongo (em Portugal, somente ditongos crescentes) e seus respectivos plurais (ns, ãs, ãos, is, eis, us e ditongo + s). Quando i, is, u, us são sílabas tônicas e precedidas de vogal e nunca antecedidas de nh, recebem acento.

Exemplos: falésia, tórax, bíceps, saúde.

ProparoxítonasEditar

Todas as palavras que sejam proparoxítonas devem ser acentuadas, ou seja, devem levar acento na antepenúltima sílaba.

Exemplos: cálculo, prática, vítima, análise, dígito.

Acento diferencialEditar

O acento diferencial não segue as regras acima e somente são usados para distinguir uma palavra homônima ou homógrafa da outra. Anterior ao acordo ortográfico de 1990, existiam uma quantidade pequena de palavras com este acento, atualmente elas são muito poucas:

  • É facultativo (depende da região) usar para diferenciar o pretérito perfeito indicativo do presente indicativo, quando possuem a mesma escrita mas não a mesma pronúncia, nestes casos, acentua-se o pretérito perfeito (ex.: amamos → presente; amámos → pretérito). No verbo poder é obrigatoria essa regra (pode → presente; pôde → pretérito). Esta regra não é válida se a vogal é repetida (ex.: veem);
  • Nunca se usa acento diferencial com preposições e contrações que tenham preposição (ex.: para → preposição; para → afirmativo do verbo parar/pelo → contração; pelo → substantivo/pera → contração arcaíca; pera → substantivo/polo → contração arcaíca; polo → substantivo), exceto o infinitivo do verbo pôr para diferenciar da preposição por;
  • Os verbos terminados em guar, quar e quir, quando no presente do indicativo, do subjuntivo ou no imperativo, admitem duas pronúncias: quando pronunciadas com a ou i tónicos (tônicos), são acentuadas. Se forem pronunciadas com u tónico (tônico), não serão acentuadas;
  • O acento diferencial para as palavras forma e fôrma é facultativo;
  • Obrigatoriamente, usa-se o acento diferencial para diferenciar o plural do singular em verbos como ter e vir (ele vem/tem → singular; eles vêm/têm → plural).

Outros casos de acento diferencial:

  • fluído → substantivo (igual a gás ou líquido);
  • fluido → particípio do verbo fluir (semelhante a tranquilo).

Quanto à pronúncia regionalEditar

Podem levar acento agudo ou acento circunflexo (dependendo da região), as palavras proparoxítonas, reais ou aparentes, cujas vogais tónicas (tônicas) e ou o estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais m ou n, conforme o seu timbre é, respectivamente, aberto ou fechado nas pronúncias cultas da língua: académico/acadêmico, anatómico/ anatômico, cénico/cênico, cómodo/cômodo, fenómeno/fenômeno, género/gênero, topónimo/topônimo; Amazónia/Amazônia, António/Antônio, blasfémia/blasfêmia, fémea/fêmea, gémeo/gêmeo, génio/gênio, pénis/pênis, ténue/tênue, vólei/vôlei, etc.