Prosumers/O cérebro global

  • O cérebro global


Século XXI, a Era da InformaçãoEditar

Tempo de globalização, protestos virtuais, comunicação via mobile, transmissão de vídeo e áudio em tempo real. As distâncias vêm se tornando relativas e as fronteiras pessoais começam a desaparecer. A informação torna-se moeda de troca. Enquanto informações sigilosas governamentais vazam na rede, todo tipo de notícia chega do outro lado do mundo em alguns segundos.


Pessoas ao redor do mundo se conectam e criam relações sem ao menos se conhecer, compartilham medos e desejos, e também ideias. As diferentes culturas do globo começam a se reunir em um único lugar, um espaço que está disponível 24 horas por dia, mas esse espaço não é “real”.


Não é real porque não existe fisicamente, é um espaço virtual. Mas real ou virtual esse espaço está inserido em várias, se não em todas as facetas do cotidiano social, é possível acessar esse “mundo virtual” através dos lares, dos escritórios, e das áreas de lazer. Enquanto se vive no “mundo real” é possível viver ao mesmo tempo no Ciberespaço.


O homem social encontrou no Ciberespaço uma forma de se estender para fora de si mesmo, uma forma de criar vários de si mesmo. Além de todo o conhecimento que pode ser adquirido através da rede, também é possível se fazer conhecer através dela. Dessa forma foi possível conectar tantas vidas em tão pouco tempo.


Há quase duas décadas atrás a conexão entre os computadores era complexa e cara, mas essa conexão trouxe para dentro das casas uma enxurrada de conteúdo produzido e manipulado por pessoas “comuns”, que detinham o saber da programação e da manipulação dessa nova forma de produzir informação.


Por esse motivo os acessos ao “mundo virtual” tinham objetivos mais concretos, os fóruns e os chats eram movimentados por pessoas interessadas em conhecimento, não só de dados e informações, mas também interessados em outras pessoas.


As mídias de massa começaram a perder espaço para uma mídia desmassificada. O usuário podia escolher o que ver e o que ler. Não havia tantos canais na televisão como havia fóruns e chats, que podiam ser acessados pelo computador, na hora que fosse mais apropriado, e a qualquer hora.


As mudanças na forma de manipulação foram rápidas, pois a demanda por mais possibilidades, novidades e interações cresceu rápido com o passar de pouco anos.


Atualmente é possível ver uma grande mudança nas razões que levam as pessoas a se conectar. Como a conexão não está mais restrita apenas ao computador, os acessos podem ser feitos a qualquer momento e de qualquer lugar, através de smartphones e tablets, as pessoas se conectam por qualquer motivo, muitas vezes apenas para passar o tempo.


A criação das redes sociais foi uma das maiores mudanças da chamada Web 1.0 para a Web 2.0. Através delas a interação entre pessoas do mundo todo é enorme. Vídeos, fotos e pequenas frases são trocados a cada segundo. E no final de um dia, mais de dois bilhões de “coisas” novas estão na rede (U.S. Census Bureau).


As inúmeras faces da WebEditar

Uma vez conectado, o usuário é apresentado a várias formas de participar da rede e contribuir com o ciberespaço. Através de inúmeros sites é possível fazer contato com o mundo. Para falar de si mesmo, compartilhar ideias e opiniões e comentar o que outros usuários postam, os internautas podem utilizar várias ferramentas, como podcasts, blogs, vlogs, flogs, redes sociais, entre outros.


Podcast é o nome dado a um arquivo de áudio digital em formato MP3 ou AAC, e refere-se a uma transmissão de áudio parecida com a do rádio, mas via Internet. Esse tipo de arquivo é transmitido através de um site que pode ser também chamado de blog.


Blog, ou Web Log (Diário da rede), é um site que permite a atualização rápida a partir de postagens, que podem ser inseridas diariamente nesse tipo de site que é pessoal.


O blog possui dois variantes, o vlog e o flog. A estrutura dos três é a mesma, mas o tipo de postagens, ou posts, varia em cada um deles. Enquanto o blog é uma plataforma para posts de texto, o flog (Foto Log) recebe fotos e imagens e o vlog (Vídeo Log) recebe vídeos. Um site em especial que se destaca pelo serviço de permitir aos usuários colocar vídeos na rede é o site chamado Youtube.


No Youtube (You – Seu; Tube - Canal), a maioria dos vídeos até o momento (2011) é de videoclipes, com 20% do total de vídeos do site, em segundo lugar vem os vídeos de entretenimento, com 15% do total, e em terceiro lugar os vlogs, com 14% do total de vídeos do site. De todos os 120 milhões de vídeos, 80% deles são vídeos amadores. Seriam necessários 600 anos para assistir todo o conteúdo do site Youtube (Fonte: Youtube).


O Vimeo foi criado em 2004, e apesar de ser um site para vídeos, assim como o Youtube, seu objetivo é diferente, no Vimeo o controle sobre vídeos sem direitos autorais é muito forte. O próprio nome do site já deixa isso claro, Vimeo vem da união de duas palavras em inglês, Video e Me, ou seja, Meu Vídeo. Esse site é considerado por muitos um bom site para portfólio de vídeos por ser mais sério e visualmente mais atraente que o Youtube.


Todos esses sites são plataformas de comunicação para os usuários da web, e representam as inúmeras facetas desses usuários. Dos 2,2 bilhões de usuários conectados atualmente ao redor do mundo, alguns poucos conseguem se destacar e ficar conhecidos no mundo virtual e também no “real”.


Essas relações criadas com o advento das novas tecnologias de comunicação, apesar de parecerem superficiais, muitas vezes conseguem ir além do “mundo virtual”.


Muitos dos usuários que se destacaram na rede perceberam que poderiam se transportar para o “mundo real”. Não só tornando-se famosos por suas atividades na Internet, mas também por fazerem críticas e comentários sobre assuntos relevantes para a sociedade como expor empresas e produtos, que acabam sendo reproduzidas e compartilhadas através das inúmeras redes sociais, chegando a um ponto onde a própria empresa envolvida é afetada.


As empresas e organizações não perderam tempo e já começaram a criar seu espaço na rede. Muitas empresas possuem espaços para comentários e opiniões sobre seus produtos, e até formas de avaliação. O usuário percebe que é importante quando se sente parte e pode se relacionar com a marca ou empresa.


E para o mercado de consumo do século XXI, estar envolvido com seus consumidores, é uma das melhores publicidades que se pode ter. O “boca a boca” da Internet possui um alcance global, seja para críticas, seja para elogios.



As sociedades virtuaisEditar

É nas redes sociais, onde os usuários entram para expor a cada momento um pouco de si. E isso para um ser social é o máximo de comunicação, pois ao fazer parte da rede, de alguma forma, o usuário está sendo visto e ouvido, não só por seus amigos, mas por outras pessoas.


Existe atualmente uma crescente necessidade de ser conhecido na rede. E é através dessas redes sociais que as pessoas tentam alcançar status. São inúmeras as redes sociais disponíveis, com características diferentes e em alguns casos, públicos diferentes.


Por ter um uso relativamente fácil, as redes sociais são as que mais movimentam as atualizações da rede. Tanto seu uso é mais intuitivo, como as tarefas a serem apreendidas para sua utilização são simples. É nas redes sociais que a maioria dos usuários da rede se encontra. Para ir mais a fundo no Ciberespaço, é necessário um pouco mais de tempo e dedicação, e às vezes conhecimento de ferramentas mais complexas.


Uma das primeiras redes sociais a fazer muito sucesso, principalmente na América do Norte, onde o público conectado à Internet chega a 273 milhões de pessoas, de acordo com o Internet World Stats, site americano de estatísticas relacionadas à Internet, foi o MySpace.


O Myspace foi criado em 2003, mas só se tornou conhecido em 2006. Diferente de outras redes sociais que vieram depois do Myspace, é possível o compartilhamento de faixas musicais, o que na época de seu auge, foi um espaço importante para bandas independentes exporem seus trabalhos. Um ano depois do Myspace, foram criadas duas outras redes sociais que fizeram muito sucesso, o Orkut e o Facebook.


O Orkut surgiu em 2004 e através dele era possível localizar outros amigos que também estavam cadastrados no site, adicioná-los, trocar mensagens além de criar e adicionar comunidades. Essa rede social se tornou muito popular entre usuários brasileiros e indianos, o que fez com que os usuários americanos migrassem para uma nova rede.


O Facebook também foi criado em 2004, mas inicialmente era “freqüentado” apenas por usuários norte americanos. Com as novas possibilidades de comunicação fornecidas através do site, em 2009 tornou-se a rede social mais acessada do mundo. No final de 2011 já contabilizava 800 milhões de usuários, 35 milhões apenas de brasileiros.

Outra rede social, que foi criada em 2006, é o Twitter, que já conta com mais de 200 milhões de usuários do mundo todo, atualmente com 56 milhões de usuários ativos de acordo com a empresa, Business Insider.


Nesta rede social o usuário está limitado a postagem de frases com no máximo 144 caracteres, essas frases são trocadas através de “seguidores” e “seguidos”, e também podem ser compartilhadas e comentadas.


Por esse motivo, os criadores de plataformas tentam cada vez mais disponibilizar formas mais simples de se navegar na rede. Colocar um vídeo ou podcast “no ar” já não é mais tão complicado, nem gerenciar um site no estilo blog ou vlog. Os usuários que se destacam dentre tantos são exatamente aqueles que conseguiram transformar essa simplicidade padrão em algo mais.


E que de alguma forma, começam a chamar atenção de outros usuários, tudo o que dizem ou fazem é visto por inúmeras pessoas, e suas ações passam a ter peso na decisão de outras pessoas.


Se uma marca começa a vender produtos de pele de animal, ou se utiliza de trabalho escravo para produzir seus produtos, ou se não se preocupa com o descarte de seus produtos pós uso, ou se sua produção produz poluentes. Esses são apenas alguns exemplos de ações tomadas por parte de empresas e marcas e que são observadas por alguns poucos usuários que tomam para si a tarefa de “vigilante”.


Esse papel de vigilante, que Bauman exemplifica com o Sinoptico, é uma reação natural dos usuários da rede, que antes controlados pelo mercado de consumo, passam a realizar o papel inverso, podendo começar apenas com a classificação de produtos, e comentários sobre como a empresa cuidou dos problemas que surgiram em relação a seus produtos e/ou serviços.


Existem vários níveis de atuação entre os usuários, levando em conta a capacidade de manipulação de informação e das ferramentas disponíveis de cada usuário. Uma das formas mais simples de se realizar o papel de “vigilante” seria através dos sites de compra e venda de produtos, mas podendo chegar até a criação de um blog próprios para comentários e discussões sobre marcas e empresas específicas.


Comércio OnlineEditar

Muitos dos sites de compra e venda de produtos e serviços, permite que o usuário-consumidor possa dar sua opinião sobre determinado assunto, o que pode influenciar a opinião e até a forma que outros usuários vêem a marca ou site. Muitos usuários consumidores dependem de um parâmetro de comparação para fazer uma compra ou até mesmo para acompanhar uma marca.


No maior site de vendas online, o Amazon, criado em 1994, é possível comprar de qualquer lugar do mundo, a um custo, a entrega é feita. No Amazon, a variedade de coisas que se pode comprar é enorme, roupas, utensílios para a casa, eletrônicos, livros, são algumas das coisas disponíveis no site. Muitas marcas possuem seus próprios sites para vender seus produtos, mas uma das coisas que a Internet disponibiliza para os usuários é exatamente essa possibilidade de se comparar produtos e preços, e visualizar as opiniões de outros compradores. Por isso, muitas vezes, os usuários consumidores optam por comprar em sites que lhes fornecem várias marcas e preços ao invés de comprar diretamente de um site específico de certa marca.


No site Amazon, os produtos são votados e comentados, essas marcações ficam visíveis para outros usuários. Essa forma de se relacionar com as informações disponíveis na Internet já mostra como os usuários estão ficando cada vez mais independentes na hora de escolher o que adquirir.


Diferente do Amazon, o site do eBay, fundado em 1995, fornece uma plataforma não apenas de compra, mas também de venda de produtos. No eBay, os usuários se cadastram e podem comprar e vender qualquer produto. Através de uma forma de pagamento desenvolvida especialmente para esse tipo de comércio online, os usuários podem comprar de forma segura, seguindo algumas normas que acabaram sendo criadas pelos próprios consumidores.


Cada vendedor pode ser votado como um bom vendedor ou não, se o produto chegou em boas condições e no prazo mencionado no site. É através dessas pontuações que os outros potenciais consumidores navegam no site e escolhem de que vendedor comprar o produto que procuram. É possível vender tanto produtos novos, como produtos usados, isso faz com que o site possua um repertório de produtos tão variado, que acaba movimentando de forma significativa o comércio online.


O mercado online brasileiro não ficou atrás. Em 1999, foi criado o site Mercado Livre que é uma versão brasileira do Ebay. As formas de compra e venda são praticamente as mesmas, é necessário se cadastrar caso queria ser um vendedor, e depois disso fica-se sujeito as pontuações dadas pelos compradores. Assim como no Ebay, no Mercado Livre os potenciais compradores podem visualizar as pontuações dos vendedores e os comentários deixados por outros compradores para então se decidirem em comprar ou não tal produto.


É possível vender qualquer coisa através desses sites, por isso é necessário certa precaução nesse tipo de compra online. Como no mundo virtual os usuários podem ter várias faces, isso gera alguma desconfiança na hora de se envolver comercialmente com outros usuários. É muito comum encontrar internautas que pesquisam preços através da internet, mas comprar em lojas físicas. Isso representa para a indústria, uma fatia grande do mercado, mas como uma loja virtual custa bem menos que uma loja física, é fácil encontrar pela rede promoções e descontos para aqueles que decidem comprar pela Internet.


A relação produtor-consumidorEditar

Analisando as formas de compra online, é possível perceber que o próprio espaço virtual favorece os consumidores. Além dos direitos do consumidor valer para as compras feitas pela Internet, os internautas podem comparar preços em sites de marcas diferentes em alguns minutos, e contam com a ajuda de outros consumidores que avaliaram os produtos comprados.


Apesar de nem sempre ser segura, comprar online é uma tendência da economia mundial. A competitividade do capitalismo alimenta essa busca por inovação que acaba levando todos os produtores, independente de seu produto a fazer parte da rede.


É possível comprar eletrônicos, livros, jogos, CDs, DVDs, e também eletrodomésticos, roupas e até alimentos. Através da Internet é possível acompanhar a entrega de seu pedido e entrar em contato com a empresa. Mas o mais importante, para aqueles usuários realmente envolvidos e que já perceberam o poder da rede, é possível através dela, influenciar hábitos de consumo.


Não só os usuários já perceberam essa influencia, mas também os fornecedores de produtos e serviços. Esse poder de manipulação concedido aos internautas já está se voltando contra eles.


A indústria de bens de consumo, principal fonte do capitalismo, convoca diariamente pessoas influentes tanto no mundo virtual como no mundo “real”, para falar, expor e favorecer seus produtos. Dessa forma a publicidade e o marketing, ferramentas de manipulação principalmente de revistas, jornais e televisão, são transportados para a Internet e começam, de maneira oposta aos consumidores influentes, a “mascarar” os produtos.


Mas os consumidores, diferente das empresas, estão muito mais envolvidos no mundo virtual, sua capacidade de trocar e processar informação é muito mais veloz. Por isso os mercados estão tão interessados nessa nova fonte de informação que pode vir para o bem ou para o mal das empresas.


Mesmo se expondo tanto através da Internet, muitas empresas perceberam que os consumidores podem contribuir muito para a imagem das marcas, produtos e serviços. Podendo obter informação de forma rápida e gratuita, as grandes empresas já começam a trazer os consumidores para mais perto delas, mesmo que virtualmente, e tentam entender de forma personalizada o que desejam os consumidores, que novidades podem conferir à marca e que problemas foram encontrados para uma possível melhora.


Por enquanto apenas uma minoria de usuários da web percebeu o poder que tem de influenciar e até modificar marcas. Esses usuários já começaram a se envolver com o processo de produção e começam a mudar a economia mundial.


De pouco em pouco, esses usuários envolvidos e engajados começam a demandar uma maior atenção das empresas em relação a materiais utilizados e formas de produção. Não só há uma preocupação ambiental, mas também de duração dos produtos.


Enquanto alguns usuários lutam por esse espaço no mercado, outros optam por produzir eles próprios. E eles não estão sozinhos.