Reis e Rainhas da Inglaterra /Mais Anglo-Saxões


Eduardo o Confessor (1042-1066) (Edward the Confessor)Editar

 
Eduardo o Confessor recebe seu cunhado Haroldo Godwinson

Eduardo o Confessor nasceu em Islip, Oxfordshire por volta do ano 1004.

Ele foi o penúltimo Anglo-Saxão a reinar na Inglaterra e o último da Casa de Wessex. Ele reinou de 1042 até sua morte em 1066.

Seu reinado foi marcado pela continua desintegração do poder real na Inglaterra, porque o poder estava cada vez mais nas mãos dos condes proprietários de grandes extensões de terras.

Eduardo e seus irmãos foram levados para a Normandia por sua mãe Emma, irmã do Duque da Normandia, Ricardo II (Richard II), em 1013 para fugir da invasão Dinamarquesa na Inglaterra.

Nesse quarto de século de exílio na Normandia, Eduardo desenvolveu uma intensa piedade pessoal e ganhou profunda familiaridade com a Normandia e seus líderes, que influenciaram seu governo.

Em 1036 ele retornou à Inglaterra com seu irmão Alfredo para tentar depor Haroldo Harefoot do trono, mas falhou, Alfredo foi pego e morto brutalmente pelo Conde Godwin com um ferro em brasa.

Felizmente Eduardo fugiu de volta para a Normandia. Em 1041 ele foi convidado a voltar a Inglaterra pelos clérigos e pelos leigos da nobreza, para governar ao lado de Harthacanuto, e quando Harthacanuto morreu em junho 1042, Eduardo subiu ao trono.

Ele foi coroado na Catedral de Winchester em 3 de abril de 1043.

Reinado de EduardoEditar

O reinado de Eduardo foi marcado pela paz e pela prosperidade, mas para reinar efetivamente Eduardo teve que fazer acordos com três poderosos nobres. O primeiro deles era Godwin, Conde de Wessex que controlava Wessex com mão de ferro, e o local era o coração da monarquia Anglo-Saxã. Outro era Leofric, Conde da Mercia, e no norte havia Siward, Conde da Northumbria.

Eduardo favorecia os Normandos, e isso deixava ambos os nobres Saxões e Dinamarqueses frustrados. Assim, crescia a implicância contra os Normandos insuflada por Godwin, que se tornou sogro do Rei em 1045.

A ruptura ocorreu quando Eduardo sagrou o então Bispo de Londres, o Normando Roberto Jumièges, como Arcebispo de Canterbury, ao invés do preferido de Godwin.

Houve uma revolta sangrenta em Dover, entre os habitantes locais e o parente de Eduardo, Eustace, Conde de Boulogne. Após Godwin se recusar a punir os habitantes, Leofric e Siward apoiaram o Rei Eduardo e Godwin e sua família foram exilados em setembro de 1051.

A rainha de Eduardo, Eadgyth, que era filha de Godwin, foi enviada para um convento em Wherwell.

Godwin retornou com um exército um ano mais tarde, obrigando o rei a restaurar seu título e a dispensar seus conselheiros Normandos.

Godwin morreu em 1053 e Ralph o Tímido, um Normando recebeu Herefordshire, mas seu filho Haroldo acumulou grandes extensões de terras para os Godwins e mais tarde se tornou o sucessor de Eduardo.

Casamento e HerdeirosEditar

 
Eduardo o Confessor

Eduardo casou com a filha de Godwin, Eadyth de Wessex, em 23 de janeiro de 1045. Eles não tiveram filhos.

Seu herdeiro mais próximo seria um sobrinho, também chamado Eduardo, que nasceu na Inglaterra mas passou a maior parte de sua vida na Hungria. Ele retornou do exílio em 1056 e morreu logo depois.

Então, Eduardo escolheu para sucedê-lo o sobrinho neto Edgar Atheling, mas Edgar não tinha o apoio dos nobres e foi assim que Harold Godwinson foi declarado rei.


Morte e legadoEditar

Eduardo morreu em janeiro de 1066. O culto que cresceu à sua imagem no período medieval sob os últimos reis Plantagenetas, teve um impacto duradouro na história Inglesa.

Eduardo fundou a Abadia Westminster, onde foi sepultado entre 1045 e 1050, e ela foi consagrada em 28 de dezembro de 1065.

Quando Henrique II (Henry II) subiu ao trono em 1154, ele fez a união das linhagens reais Saxônicas e Normandas. Para reforçar sua legitimidade, no seu reinado foi estimulado o culto ao Rei Eduardo o Confessor.

A Abadia de Westminster foi redesenhada para abrigar um santuário para Eduardo, cujos restos mortais permanecem ali até hoje.

Depois do uso de muita influência, o Papa Alexandre III tornou Eduardo um santo em 1161. Na época havia dois tipos de santos: mártires e confessores.

Mártires foram pessoas que morreram a serviço do Senhor, e confessores foram pessoas que morreram de morte natural. Uma vez que Eduardo faleceu de morte natural, ele ficou classificado como Eduardo o Confessor.

A Igreja Católica Romana hoje, relaciona Eduardo o Confessor como santo padroeiro dos reis, dos casamentos difíceis e das esposas separadas.

Após o reinado de Henrique II, Eduardo foi considerado santo padroeiro da Inglaterra até 1348 quando foi substituído nessa função por São Jorge (Saint George). Ele continua sendo o santo padroeiro da Família Real.


Haroldo Godwinson (1066) (Harold Godwinson)Editar

 
coroação de Haroldo- Tapeçaria Bayeux


Haroldo Godwinson ou Haroldo II da Inglaterra nasceu por volta do ano 1022 em Wessex.

Ele governou de 5 de janeiro até 14 de outubro de 1066, quando foi morto na Batalha de Hastings.

O pai de Haroldo era Godwin, o poderoso Conde de Wessex. Godwin casou duas vezes e Haroldo, Tostig e Edith eram filhos do segundo matrimonio.

Haroldo recebeu o titulo de Conde de East Anglia em 1045, e depois acompanhou seu pai, Godwin, no exílio em 1051. Um ano depois ele ajudou Godwin a recuperar sua posição.

Quando Godwin morreu em 1053, Haroldo herdou o condado de Wessex, que o tornou a segunda figura mais poderosa na Inglaterra, após o rei.

Em 1058 Haroldo também se tornou Conde de Hereford e se tornou defensor das ideias de seu falecido pai, se opondo à crescente influência Normanda na Inglaterra, sob a monarquia Saxônica recém restaurada, de Eduardo o Confessor.

Em 1062 e 1063 Haroldo enfrentou uma série de campanhas bem sucedidas contra o governante de Gwynedd, Gruffydd ap Llywelyn, que havia conquistado Gales.

Por volta de 1064, Haroldo casou com Aldith, filha do Conde da Mercia e viúva de Gruffydd ap Llywelyn. Com Haroldo, Aldith teve dois filhos, Haroldo e Ulf. Haroldo também tinha diversos filhos ilegítimos com sua amante, Eadgyth.

Em 1064, Haroldo sofreu um naufrágio na Normandia e foi levado até a corte do Duque Guilherme (William).

Guilherme se considerava o sucessor de Eduardo o Confessor, que não teve filhos, e conseguiu que Haroldo fizesse um juramento de apoiar Guilherme como futuro rei da Inglaterra.

Em 1065 Haroldo apoiou uma rebelião na Northumbria contra o aumento de impostos cobrado por seu irmão Tostig, e substituiu-o por Morcar, o Conde da Northumbria.

Essa posição o fortaleceu como sucessor de Eduardo, mas dividiu sua própria família. Tostig como vingança fez aliança com o Rei Harald Hardrada da Noruega.

Em janeiro de 1066, após a morte de Eduardo, Haroldo foi proclamado rei pelo Witenagemot que, sob as leis Anglo-Saxônicas possuía a autoridade final para conceder o título real.

 
Haroldo – Tapeçaria Bayeux

O Reinado de HaroldoEditar

A posição de Haroldo como rei, foi muito disputada e o país foi invadido, primeiro por Harald Hardrada da Noruega e depois por Guilherme (William), Duque da Normandia.

Haroldo ofereceu ao seu irmão Tostig, um terço do reino, e Tostig perguntou a Haroldo o que ele ofereceria ao rei da Noruega:

“Sete palmos de terra ou o tanto que for preciso, porque ele é mais alto do que a maioria dos homens”.

Essa foi a resposta de Haroldo de acordo com Henrique (Henry) de Huntington.

Invadindo as terras que hoje são Yorkshire, em setembro de 1066, Harald Hardrada e Tostig derrotaram os condes, Edwin da Mercia e Morcar de Northumbria, na Batalha de Fulford perto de York em 20 de setembro.

Mas, por sua vez eles foram derrotados e mortos pelo exército de Haroldo, cinco dias depois na Batalha de Stamford Bridge.

Haroldo então, forçou seu exército a marchar 240 milhas para encontrar Guilherme (William), que havia desembarcado 7 000 homens em Sussex, em 28 de setembro.

Haroldo estacionou seu exército perto de Hastings, e em 14 de outubro os dois exércitos se bateram na Batalha de Hastings, perto da cidade atual de Battle.

Haroldo foi morto e suas forças dispersadas. De acordo com a tradição, Haroldo foi morto por uma flecha no olho, mas a vítima representada na Tapeçaria Bayeux é anônima.

No entanto não se sabe ao certo se ele morreu dessa forma ou se foi morto por uma espada.

Edgar Atheling (1066)Editar

Edgar Atheling nasceu por volta do ano 1051. Nascido na Hungria ele também ficou conhecido como Edgar o Proscrito (Edgar the Outlaw).

O nome Anglo-Saxão Atheling significa "homem de sangue nobre, chefe, principe" e é usado para designar os filhos do rei.

Edgar era o único filho de Eduardo o Exilado (Edward the Exile), herdeiro do trono inglês e neto do Rei Edmundo o Costela de Ferro (Edmund Ironside). Após a morte de seu pai em 1057, Edgar foi nomeado herdeiro aparente pelo Rei Eduardo o Confessor.

Edgar foi levado à corte de Eduardo, junto com suas irmãs Margaret e Christina. No entanto ele era muito jovem quando da morte do rei em janeiro de 1066, para defender o país contra a invasão dos Normandos. Sua escolha como rei após a morte de Haroldo nada mais era do que um sinal simbólico de desafio contra as forças invasoras.

Após a morte de Haroldo II ele foi proclamado rei, mas nunca foi coroado Rei da Inglaterra. Edgar se apoiou muito no Arcebispo Stigand e nos Condes Edwin da Mercia e Morcar da Northumbria.

Mas esse apoio se provou muito frágil e poucos dias depois de ter sido proclamado rei pelo witan, Edgar foi forçado a se submeter à Guilherme (William) em Berkhamstead em final de novembro ou inicio de dezembro de 1066.

 
Edgar Atheling

Guilherme (William) tratou Edgar bem. Vendo que nisso havia vantagens políticas, ele manteve Edgar sob sua custódia e inclusive o levou de volta à sua corte na Normandia.

Edgar se juntou à rebelião dos Condes Edwin e Morcar em 1068 e, derrotado, fugiu para a corte de Malcolm III da Escócia.

No ano seguinte Malcolm casou com Margaret irmã de Edgar, e concordou em apoiá-lo na tentativa de reclamar a Coroa Inglesa.

Em troca Edgar casou com a irmã de Malcolm, outra Margaret.

Edgar agora tinha uma causa comum com Sweyn Estridson, o rei da Dinamarca e sobrinho de Canuto, que acreditava no direito dele em reinar sobre a Inglaterra.

Suas forças combinadas invadiram a Inglaterra em 1069 e capturaram York.

Guilherme (William) marchou sobre o norte, devastando a terra por onde passava. Ele pagou aos Dinamarqueses para irem embora e Edgar fugiu de volta para a Escócia.

Lá ele ficou até 1072 quando Guilherme (William) forçou Malcolm a aceitar o tratado de paz no qual uma das cláusulas era que Edgar deveria ser exilado.

Edgar eventualmente fez a paz com Guilherme em 1074, mas nunca abandonou completamente seus sonhos de recuperar o trono da Inglaterra.

Ele apoiou Roberto, Duque da Normandia, contra Guilherme II (William II) em 1091 e, novamente se encontrou pedindo refúgio na Escócia.

Ele também apoiou seu sobrinho, Edgar, a subir ao trono escocês, derrubando Donald III.

Por volta de 1098 ele foi a Constantinopla, onde pode ter se juntado à Guarda Varangian do Império Bizantino.

Mais tarde, no mesmo ano, ele recebeu uma frota do Imperador Alexius I para poder ajudar na Primeira Cruzada, e Edgar trouxe reforços para os cruzados no Cerco de Antioquia.

Ele foi feito prisioneiro durante a batalha em 1106 enquanto lutava pelo Duque Roberto contra o Rei Henrique I (Henry I) da Inglaterra.

Edgar retornou à Inglaterra quando Henrique o perdoou, e ele então se retirou para suas terras em Hertfordshire. Sua sobrinha Edith (renomeada Matilda) se casou com Henrique I em 1100.

Acredita-se que Edgar retornou ao Reino da Escócia quando já estava bem mais velho, talvez por volta do ano 1120, e ele ainda estava vivo em 1125, mas deve ter falecido logo depois, por volta dos setenta anos de idade.